Dá para rir até em enterros

 


Quem aí já viveu coisas na vida que valeria uma história? Uma boa história? 

Eu tenho uma lista enorme de situações assim, e se você sentar para conversar com alguém da minha família vai conseguir mais um monte delas. 

As coisas mais bizarras, ao meu ver, aconteceram em enterros. Sim, aqueles que todos deveriam estar tristes e sofrendo, mas que sempre tem o momento que você sente vontade de rir. Seja uma gracinha que alguém faça, ou aquela tia maluca que tirou uma selfie com o defunto. Acontece até de defunto nem ser mais defunto e levantar no meio do velório. 

Fiz um compilado das melhores situações que aconteceram comigo, ou próximo a mim, e coloquei nessa história super divertida e leve que você consegue ler em apenas uma hora. 


Essa é para aqueles que gostam de: 

  • Um casal que se odeia 
  • Histórias de estrada 
  • Comédia romântica 
  • Situações cômicas nos piores momentos 

Curiosos? Confiram AQUI


Um novo capítulo para o amor e como entrelaçar histórias

 

Título: Um novo capítulo para o amor
Autor: Jenny Colgan
Editora: Arqueiro (Cedido em parceria)
Saiba mais: Amazon

Sinopse: Zoe é uma mãe solteira que corta um verdadeiro dobrado para sustentar a si mesma e a seu filhinho de 4 anos, Hari. Quando o valor do aluguel de seu apartamento em Londres se torna exorbitante, Zoe fica sem saber o que fazer.

Então, a tia do menino sugere que ela se mude para a Escócia para ajudar a gerenciar uma pequena livraria. Sair de uma cidade em que se sente tão solitária para morar num vilarejo acolhedor nas Terras Altas pode ser a mudança de que Zoe e Hari tanto precisam.

No entanto, ao descobrir que seu novo chefe, o temperamental livreiro Ramsay Urquart, é um poço de hostilidade, e que os filhos dele são mais do que malcriados, Zoe se pergunta se tomou a decisão certa.

Só que o pequeno Hari encontrou seu primeiro amigo de verdade. Além disso, ninguém resiste à beleza do lago Ness brilhando ao sol de verão.

Sem falar que é em lugares assim que os sonhos começam...


Esse não é o primeiro livro da autora que leio, e cada um deles encheu meu coração de amor pelas Terras Altas. Ela consegue falar sobre isso com maestria e nos causar um amor enorme pelo lugar, além  de uma vontade descontrolada de conhecer. 

Esse novo livro tem uma ligação com o que vem antes, portanto não recomendo que você leia sem ter lido o outro. O foco não é no mesmo casal, mas a gente sabe o que acontece com eles e como até chegar o momento em que Zoe entra na história. 

Então vamos lá...

A protagonista desse livro é Zoe, uma mãe de um menininho super especial que esta passando por muitos problemas para se manter financeiramente. E por causa disso, a tia paterna do garoto sugere que ela aceite um emprego na Escócia, para tomar conta de três crianças e de um furgão/livraria, enquanto a dona está de licença maternidade. 

Por falta de algo melhor, Zoe embarca com o filho para outro país, esperando que seja uma grande experiência positiva em sua vida, mas encontrando muitos problemas para lidar com a família que precisa tomar conta, e ser aceita pela comunidade no furgão/livraria. 

O pai das crianças, Ramsay, é taciturno e esquisito, bem ao estilo de Edward Rochester, de Jane Ayre. Apaixonado por livros e com dificuldade para manter sua enorme propriedade, como para cuidar dos filhos, ele realmente não sabe ser pai. E é aí que Zoe entra, tentando mostrar para ele que viver afastado dos meninos por não saber lidar não ajuda em absolutamente nada. 

As crianças são umas pestes. O mais velho passa o dia jogando, a do meio é geniosa e respondona e o mais novo não tem limites. Aos poucos Zoe vai quebrando a barreira de cada um deles, tentando encontrar um jeito de se aproximar dos meninos e fazê-los ser mais ativos nas atividades da casa. 

Por outro lado a gente vê Zoe tentando ajudar Nina com o furgão/livraria, mas emperrando nisso também. Nina não aceita muito mudanças, como qualquer morador do lugar, e esta em um estágio da gravidez que ficamos um saco. 

Mesmo tendo dado cinco estrelas para o livro, eu tive problemas em gostar desse tanto de atividades de Zoe. Achava que já tinha muito enredo ela ajudando na livraria, ou sendo babá. Achei ambos um pouco demais. Acabou que nenhum dos dois lados ficou desenvolvido de maneira eficiente, embora tenha sido bom, de qualquer maneira. 

Eu gostei do livro. Ele tem a medida certa de drama, de comédia, e um pouco menos de romance do que gostaria. Quando o casal vem ter alguma coisa é tipo no último capítulo do livro. Quanto a isso, achei que poderia ter puxado um pouco para antes. Mas cai naquilo que já disse... muitas coisas para a autora tratar no livro e em pouco espaço. 

Por causa disso, o final também foi bem corrido. As ultimas duas páginas foram tão aceleradas que me causaram um profundo incomodo. Mas, sim, ainda acho que valeram todas as estrelas. De modo geral, é um livro bem redondinho. 

 

Crônica de uma mãe escritora

 




Todo mundo diz que ser escritor é uma das profissões mais solitárias do mundo. E eu concordo muito com isso. É só você, suas pesquisas em papéis, rabiscos bagunçados e um computador. O resto do mundo pode explodir, que você vai continuar concentrado no seu mundinho de faz de conta. Bom, isso é em teoria.

Em Sobre a Escrita, um dos meus livros não ficcionais prediletos, o autor Stephen King fala sobre o seu processo de escrever ao longo dos anos. Que as vezes ele se trancava em um escritório a base de café, álcool e outras drogas muito loucas, e só saia de lá quando o primeiro rascunho do livro ficasse finalmente pronto. E não estamos falando de livrinhos de cem páginas. É Stephen King, gente! O rei dos calhamaços!

Toda vez que eu via ele falando disso, pensava logo que esse cara não devia ter filhos. Claro que eu sabia que ele tinha, inclusive sou grande fã dos filhos dele escrevendo, mas também sei que se não fosse a esposa do King, a mãe dos guris, talvez a gente nunca fosse ler O Iluminado ou It. Vamos combinar, que quando se tem que tomar conta dos filhos o dia todo você não pode se dar ao luxo de se trancar em um quarto com bebidas e maconha e esperar a inspiração vir até atingir o clímax, ou o final da história. Talvez consumir moderadamente álcool e maconha, mas nunca em um quarto trancado! Ou quando você sair de lá os pivetes terão comido o reboco das paredes e enfiado o dedo em uma tomada elétrica. E se tiver mais de uma criança, eles certamente se matariam ao estilo vikings, com machadinhas e gritos de guerra. Esses pequenos são selvagens.

Sei que depois que li essa dica do King, resolvi experimentar algo semelhante. Não dava para ficar o dia inteiro, mas algumas horas de intensivo de escrita sem interrupções ajuda bastante.

Acordei um dia inspirada e sabia que aquele seria um bom dia. O pai das crianças estava em casa e era um sábado glorioso em que ele já tinha previsto levar os meninos ao parquinho ou a praia. Maravilha, aquilo me daria umas duas horas. E se juntar a preparação que aquilo demanda, coloque mais umas duas nisso. Fiquei empolgada.

Depois do almoço os meninos foram para o quarto, assistir, e a pia já estava limpa. Minha mãe fazendo crochê na poltrona dela e Lucas lá dentro, fazendo sei lá o que! Silêncio total. Resolvi começar o meu plano.

Peguei meu computador e um travesseiro e fui na ponta dos pés para o andar de cima da casa. Ele ainda está em construção, mas tem um banco de madeira grande e é super ventilado. Além de que os meninos não me achariam ali. Eles têm medo de subir as escadas. Bom, pelo menos o mais velho tem, a pequena comeria a escada, se pudesse.

Acomodei meu travesseiro no encosto do banco, liguei o computador e desci para pegar um copo grande de refrigerante com gelo. Poderia ser uma xícara de café, escritores combinam com xícaras de café, mas eu sou uma porcaria para isso: detesto café! Então poderia dar uma de Hemingway e tomar dezesseis daiquiris de uma vez, na intenção de escrever um livro. Contudo, sendo bem sincera, se eu tomar meio copo de qualquer coisa com álcool que seja, eu estaria dançando la bamba em cima do sofá ou dormindo feito uma louca de qualquer jeito embaixo da mesa. Também não rola né? Produtividade zero!

Então me contento que sou péssima em ter os maus hábitos que os escritores têm, e decido só acabar com meu estômago, tomando refrigerante.

Voltemos ao ocorrido.

Retornei para cima com meu copo de guaraná e sentei confortavelmente no banco, que não é nem um pouco confortável, mas era o melhor que tinha. Tomei um gole do refrigerante gelado, energizando meu corpo, e abri um arquivo do Word, energizando meu cérebro.

Com um sorriso no rosto, escrevi “capítulo 25”, e logo em seguida coloquei o nome do POV, que é o ponto de vista de quem ele seria escrita. Foi quando ouvi o primeiro grito.

— Mãe?

Merda, eu havia sido descoberta!

Era a voz de Rafael. Tentei ignorar, fechando minhas mãos com força, para evitar responder. Haviam dois adultos além de mim na casa, eles poderiam resolver. Só que não demorou e o ouvi ainda mais perto de mim.

— Mãe, tá aí em cima?

Ele estava no pé da escada. Suspirei sentindo derrota.

— Estou, meu filho. O que foi?

— Eliz fez cocô.

— E daí?

— Você tem que vir limpar ela, ué!

Parecia tão óbvio!

— E cadê o seu pai?

— Foi tirar o cochilo de depois do almoço.

Claro! Porque tirar cochilos depois do almoço é comprovadamente saudável para a vida do ser humano. Só eu parecia não ter um tempo livre depois do almoço.

Resignada, coloquei o computador de lado e desci as escadas com dificuldade. Para quem não sabe, ela foi feita por um pedreiro e meu padrasto seguindo um tutorial do Youtube. O que não se aprende com o Youtube hoje em dia? Nada! Talvez eu devesse mandar Eliz assistir um tutorial ensinando como limpar a própria bunda. Seria bem produtivo para mim.

Passei pelo quarto e vi Lucas tirando o cochilo deitado no chão, com um travesseiro na cabeça e um cachorro de pelúcia gigante entre as pernas. Queria acordar e dar uns gritos nele, mas segui para o banheiro e limpei Eliz, ouvindo ela cantar a música irritante do Luccas Neto. Testando mais um pouco minha capacidade de resistência.

Puta que pariu, as vezes eu queria matar aquele cara! Eu conheci muitas músicas irritantes, meu irmão assistia os Teletubbies, mas as músicas do Luccas Neto me fazem estremecer.

Depois de limpar a pequena, mandei-a de volta para o quarto da avó e chamei Rafael.

— Meu filho, eu vou trabalhar lá em cima. Qualquer coisa chame sua avó ou seu pai.

Ele respondeu com um aceno de cabeça distraído. Eu sabia que o safado estava mais interessado no Gato Galactico no telefone do que no que eu dizia. Segurei seu rosto e repeti a informação, e ele só revirou os olhos para mim e disse em um tom monótono:

— Eu ouvi, mãe. Não sou surdo.

Eu já disse que pré adolescentes são piores que crianças? Eles são.

Voltei para meu banco duro e para o capítulo começado. Senti os deuses da inspiração surgindo pelas minhas mãos, que se posicionaram para começar a escrever. Mas de repente ouvi um barulho e alguém gritando na casa do vizinho. Algo sobre o cara estar bebado e não querer tomar banho. Achei tão divertido, a interação da mulher “Vai tomar banho, seu idiota!” e o cara rindo alto e cantando Borbulhas de Amor, que simplesmente parei e fiquei ouvindo. De alguma forma, aquilo me lembrou meu rio Rogério, que protagonizava cenas homéricas e divertidas regadas a álcool, quando eu era criança. Era uma lembrança deveras calorosa.

Antes mesmo de Borbulhas de Amor chegar ao fim, ouvi outro grito na escada. Dessa vez de Eliz.

— Mãe, eu posso comer biscoito de salgado?

Eram umas torradinhas temperadas que ela adorava e eu sempre guardava para a escola, por serem caras.

— Não, vá comer outra coisa.

Não deu um minuto e ela voltou.

— Posso comer banana amassada com leite?

— Pode.

Menos de um minuto dessa vez.

— Minha avó disse que você viesse colocar, porque ela está com dor na perna.

Óbvio que estava! Quando ela não tinha dor nas pernas? A mulher era tão fodida que se ela tivesse, que Deus me livre, uma morte cerebral prematura, nada se salvaria para doar. Talvez os rins. É… os rins. Ela tomava muita água. Ah, espera, cerveja acaba com os rins ou só com o fígado? Se acabar com os rins também, esquece a doação!

Desci para amassar a banana com leite, ainda ouvindo Borbulhas de Amor, agora misturada ao Luccas Neto e ao Dr. House, o seriado que minha mãe via na TV. Porque não bastava todas as 127 vezes que minha mãe havia assistido Dr. House ao longo daquele ano. House é sempre House.

Entreguei o prato para Eliz e retornei correndo para a escada. Antes de chegar lá em cima, ouvi Rafael falar.

— Mãe, posso comer banana também?

Puta merda!

— Pode, mas vai fazer sozinho!

Ele saiu correndo e assim que me sentei no banco, e coloquei o computador no colo, ouvi o baque de coisa caindo e minha mãe falando alto logo em seguida.

— Carol, seu filho derrubou o leite no chão!

Cocei a testa, prendendo um palavrão na garganta, e voltei a descer. O safado estava lá com a maior cara de deslocado, tentando equilibrar a vassoura e a pá para pegar o leite.

— Como merda você derrubou isso? — Falei pegando a vassoura, deixando ele com a pá.

— Caiu. Eu não tive culpa.

— Já ouviu falar de inércia? — Perguntei o que minha mãe sempre me perguntava, quando eu fazia algo de errado e dizia que não havia sido eu.

Rafael bufou e anuiu com o antigo tédio comum a ele.

— Já sei esse lance de inércia. E ela não me impressiona.

Que ousadia!

Depois que limpamos o chão de leite, e passamos água sanitária para não dar formiga, olhei ele colocar a banana e levar para comer junto da irmã. Só depois voltei ao andar de cima.

Mas a merda da inspiração estava me deixando. Só conseguia olhar para a página em branco e pensar em comer banana com leite.

Ai,que inferno! Praguejei antes de descer as escadas de novo e preparar um prato para mim. Foi quando Lucas levantou com o rosto inchado e veio se arrastando para a cozinha. Movido pelo sono e mormaço do calor da minha cidade, que fazia curva com o inferno, ele desabou na cadeira e começou um jogo no celular. Fiz que não tinha visto e retornei para cima com minha tigelinha de banana e o capítulo começado.

Borbulhas de Amor já tinha acabado, então achei que poderia voltar a me concentrar assim que terminasse a banana. Coloquei para rolar Friends no celular, enquanto comia, e quando dei por mim uma hora tinha se passado e nada de capítulo. Sentindo-me mal por isso, fechei o Friends e fui escrever.

A primeira linha saiu, antes que Lucas gritasse.

— Carol, onde está o shampoo da Eliz?

Bom, existem muitos lugares diferentes para procurar um shampoo, ainda assim gritei de volta.

— No banheiro. Se não estiver, tente o jardim. Ela tomou banho lá ontem.

Ele não voltou mais por aquilo, então imaginei que tinha achado, e escrevi mais algumas linhas da história, até que o homem retornasse.

— Viu a escova de cabelo dela?

Puta merda, qual a dificuldade dele em procurar as coisas? Homens parecem ter um tipo de viseira nos olhos constantemente. A essa altura eu já estava abusada e pronta para dar uma resposta feia e agressiva.

— Não. Se não encontrar a dela, use outra.

— Não estou achando nenhuma.

— Então deixe sem pentear!

Fui irônica, mas já estava de saco cheio daquilo. Ele saiu praguejando, e não retornou mais. Contudo logo Eliz começou a chorar e meu lado materno idiota não conseguiu ignorar o choro. Levantei e voltei a descer.

— O que foi, agora? — Perguntei irritada.

— O pai quer vestir uma roupa feia em mim. — Ela respondeu entre soluços, se jogando no chão do corredor. — Eu não quero.

— Então vista o que você quiser.

— Ele disse que não posso ir de roupa de piscina.

Roupa de piscina era como ela chamava o maiô.

Suspirei e fui até o quarto, tentando restaurar a paz, mas foi só olhar para o Lucas e entendi que não adiantaria. Ele não era muito fã de sair com os meninos, principalmente se cobravam isso dele. Resolvi que estava cansada demais para argumentar.

— Filha, veste o que seu pai mandar. — Falei e antes que ela abrisse a boca para chorar, eu emendei. — Se você vestir eu te dou um docinho.

Foi a melhor estratégia? Não, mas eu estava em desespero e estressada. Se tivesse que dar uma bomboniere inteira, eu teria dado.

Quando cheguei até a escada, para subir de novo, olhei para ela e gemi baixinho. Já estava cansada de tanto sobe e desce, e em uma escada toda assimétrica, era um trabalho muito mais hercúleo do que o normal. Então fiquei sentada no degrau, brincando com o passarinho e esperando que a turma saísse e o silêncio imperasse, o que não demorou muito.

Escutei o Rafa dizendo ao pai que não queria ir, e Lucas o deixou ficar sem insistência. Sendo bem sincera, de todo mundo, Rafael é o que menos trabalho me dá. Tanto que ele voltou com sua prancheta de desenho para o quarto e não me chamou em momento algum.

Quando não ouvi mais a voz de Eliz, olhei novamente para a escada, tentando resgatar a vontade, mas ela parecia ter me abandonado. E piorou quando minha mãe, dando uma de coitada, veio me pedir para comprar cigarro para ela do outro lado da rua.

Comprar cigarro era uma coisa difícil na venda aqui da frente. A dona, uma senhora de mais de sessenta anos, se vangloria de nunca ter fofocado sobre ninguém na vida, mas se você pisar lá, ela reclama do vizinho do lado, do da frente e da galera da esquina que você nem sabe quem é. Uma compra que demoraria cinco minutos dura meia hora entra a fofoca e ela te indicando remédios santos para curar ansiedade e depressão.

Quando volto para casa, meu nível de irritação já está no espaço. Entrego o cigarro, volto determinada para a escada, e desisto no meio do caminho, descobrindo que quero tomar um longo banho, deitar na cama e ver um filme de terror antigo. Provavelmente Sobrenatural.

E finalmente minha inspiração foi embora.

Talvez por isso Stephen King usava drogas, para se manter concentrado. Talvez por isso Hemingway se enchesse de daiquiris, para não ouvir sua família chamando por atenção. E talvez por isso se escuta falar muito mais de homens escrevendo um livro atrás do outro do que mulheres com filhos. A não ser que seja a Nora Roberts, mas eu ainda acho que ela é uma empresa de pelo menos cinco escritoras, de ghost writer, e não faz tudo sozinha. Tá, estou exagerando e tem ótimas exceções, mas estou irritada e preciso descontar em alguma coisa, e foi no fato de ser mulher e mãe.

Essa necessidade de ser sempre chamada para resolver os problemas dos filhos, e me sentir impelida a fazer isso, mesmo quando não me chamam, é cultural. Obra de anos de patriarcado estrutural que ainda não saiu das mulheres, mesmo que a gente lute tanto para descolar dele.

Talvez em outra vida eu tenha sido um escritor homem. Que deixava minha mulher se ferrar com a casa e os meninos enquanto trabalhava. Ser chamada a cada cinco minutos para remediar um conflito parental parece ser meu carma.

E a inspiração? Ela adivinha chuva e só vem quando o mundo parece conspirar para que eu não sente e trabalhe. Uma merda, né?

Enquanto isso estou deitada, de banho tomado, comendo pipoca e assistindo It, a coisa. Porque ficar lembrando de Stephen King me dizendo que faz um livro de mil páginas ao mês era uma ofensa pessoal, quando eu raramente conseguia acabar a primeira.



Ah… dane-se King e suas dicas babacas!

Não há segunda chance e como Harlan Coben pode ser previsível

 

Título: Não há segunda chance
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro (Cedido em parceria)
Saiba mais: Amazon

Sinopse: O que você seria capaz de fazer para salvar um filho?

Após ser gravemente ferido numa invasão à sua casa, o Dr. Marc Seidman desperta de um coma de quase duas semanas e descobre que sua vida foi destruída. A esposa foi assassinada. A filha, Tara, de 6 meses, desapareceu.

Depois de tanto tempo, parece impossível descobrir onde a bebê está, mas de repente Marc tem um alento ao receber um pedido de resgate. Só que o bilhete faz uma clara advertência: se ele falar com a polícia, nunca mais verá a filha. Não haverá segunda chance.

Sem ter a quem recorrer, Marc fica dividido entre a agonia e a esperança. E quando os investigadores passam a considerá-lo o principal suspeito dos crimes, ele precisa se lançar numa busca desesperada pela verdade não apenas para recuperar Tara, mas também para salvar a própria vida.

Com personagens envolventes e reviravoltas inimagináveis, Não há segunda chance é um livro de tirar o fôlego, no qual o suspense se sustenta até a última página.


 Esse deve ser o segundo ou terceiro livro do autor que leio esse ano, e é incrível como esses três tem uma estrutura semelhante. Tipo, semelhante de maneira desagradável. 

Tudo bem que já sei que Harlan tem uma receita de bolo quando se trata de construção narrativa, mas ainda assim eu sou cadelinha e acabo me impressionando com suas histórias. Mas não foi o que aconteceu com esse aqui. Acho que contando com ele, esse é o segundo livro do autor que me deixou meio bléh!

Nem acho que tenha sido um problema da história, mas talvez eu esteja cansada da formula, que ficou muito mais evidente nesses três últimos. Um pai tentando salvar um filho e sendo o principal suspeito? Era tão clichê para mim, dentro do universo de Coben, que eu cheguei a bocejar, algo difícil em se tratando dos livros dele. 

Sei que Não há segunda chance não foi um lançamento. É um livro antigo que a editora relançou na nova concepção de capa dos livros do autor. Então não posso afirmar se Coben melhorou com o tempo (eu acho que sim), porque de fato não sei como foi a ordem de publicação de seus livros. Tenho um xodó enorme pela série do Bolitar. Nos livros individuais sou muito fã de Cilada, mas nada além desses me pegou de jeito. Tiveram uns três que achei que engrenariam, mas não foram. 

Não recomendo começar a ler o autor por este livro. Ou sim, talvez o problema tenha sido justamente porque eu já conheço a linha dos livros do cara de cabo a rabo e achei cansativo. Mas se querem uma recomendação para começar com pé direito, vai de Myron Bolitar. Não tem como errar. 

Passou longe de ser meu livro predileto. Simpatizei com Marc, o protagonista, e com alguns coadjuvantes que iam aparecendo no caminho, mas li até o fim na força do ódio, porque não tinha qualquer interesse de saber como findaria a história, outra coisa muito rara em se tratando de livros de Coben. 

Enfim, esse eu deixo pela conta e risco de vocês. 

Os Segredos da felicidade e como irmãs podem ficar brigadas

 

Título: Os Segredos da Felicidade 
Autor: Lucy Diamond
Editora: Arqueiro (cedido em parceria)
Saiba mais: Amazon

Sinopse: Em uma casa de um bairro elegante, a história de duas mulheres volta a se cruzar...
Rachel e Becca são irmãs postiças que nunca se deram bem. Rachel é considerada a bem-sucedida da dupla: um casamento feliz, três filhos e uma casa grande, além de uma carreira invejável. Enquanto isso, a artística Becca pula de um emprego sem futuro a outro, divide um apartamento precário com uma colega excêntrica e já desistiu de encontrar o amor.
Com o passar dos anos, elas se afastaram e acabaram perdendo contato, mas um dia, quando Rachel não volta para casa à noite, seus filhos chamam Becca para ajudar. Uma vez lá, logo percebe que a vida da irmã não é tão perfeita assim: ela se divorciou, as crianças vivem em pé de guerra e sua carreira glamorosa desmoronou. E o pior de tudo é que ninguém tem ideia de onde ela possa estar.
À medida que desvenda os segredos de Rachel, Becca é forçada a encarar algumas verdades desagradáveis sobre a própria vida, e o futuro parece incerto.

Mas às vezes a felicidade pode aparecer nos lugares mais inusitados...


 Vou ser sincera, gostaria que esse livro tivesse mais páginas. E isso não é uma crítica, mas um elogio. Criei um apego tão grande as duas personagens, que quando acabei senti que precisava de mais dele. 

Os Segredos da Felicidade vai contar um pedaço da história de Becca e Rachel, duas irmãs de criação que por uma série de eventos desventurados, acabaram afastadas uma da outra. 

Mas quando Rachel some, deixando os três filhos pequenos sem ninguém, Becca é acionada para tomar conta das crianças e descobrir o que aconteceu com a irmã, que até então Becca achava ter uma vida perfeita. 

Mas a vida de Rachel está um caos. O marido saiu de casa, a filha mais velha virou uma rebelde sem causa, e para completar ela perdeu seu emprego. Algo que Becca bem entendia, sendo meio inquieta de ficar em um lugar só por muito tempo. 

Então começa uma aventura nova na vida de Becca. Dar conta da rotina das crianças, descobrir o que aconteceu com a irmã e visitar os clientes dela, de um novo negócio que começou como personal trainer. 

Parece ser o começo de um livro do Harlan Coben, não é? Rsrs. 

Ainda é um romance. Sem tanto foco no romance em si, essa série dos Romances de Hoje da Arqueiro tenta focar no que mulheres podem fazer sozinhas e como elas reconstroem suas vidas, independente de relacionamentos. 

Claro que há um romance na vida de Becca, e uma leve paquera na de Rachel, mas de fato não é o foco, e sim essas duas irmãs raivosas uma com a outra e a reconstrução de um amor que elas nem sabiam que tinham. 

Eu AMEI esse livro! Ainda não é melhor do que Pequena Livraria dos Sonhos, mas está no meu TOP 3 dessa série. 

Para quem quer ler algo leve, mas nem por isso menos belo, recomendo de verdade esse livro. Na verdade, recomendo todos os Romances de Hoje da Arqueiro. 



Pelo amor de Cassandra e como uma série só fica melhor

 


Título: Pelo amor de Cassandra
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro (cedido em parceria)
Confira: Amazon

Sinopse: Tom Severin, o magnata das ferrovias, tem dinheiro e poder suficientes para realizar todos os seus desejos. Por isso, quando resolve que está na hora de se casar, acha que deve ser fácil encontrar a esposa perfeita. Assim que ele pousa os olhos em lady Cassandra Ravenel pela primeira vez, decide que ela é essa mulher. O problema é que a bela e perspicaz Cassandra é tão determinada quanto ele, e faz questão de se casar por amor – a única coisa que Tom não pode oferecer. Além disso, ela não tem o menor interesse em viver no mundo frenético de alguém que só joga para vencer. No entanto, mesmo com o coração de gelo, ele é o homem mais charmoso que Cassandra já conheceu. E quando um inimigo recém-descoberto quase destrói a reputação dela, Tom aproveita a oportunidade que estava esperando para conquistá-la. Ao contrário do que pensa, porém, ele ainda não conseguiu o que queria. Porque a busca pela mão de Cassandra pode até ter chegado ao fim, mas a batalha por seu coração está apenas começando.



 Eu sabia que esse livro seria incrível mesmo antes de começar a ler. Eu adorava os protagonistas separados, principalmente as aparições do Tom, então eu vim para ele cheia de expectativa e não fiquei decepcionada. 

Depois de cinco livros, eu achei de verdade que fosse estar cansada dessa família, mas isso não aconteceu. Os Ravenels ainda é uma das minhas famílias prediletas de romance de época. Eles são incríveis!

Cassandra nem era a pessoa mais incrível dentro deles, mas junto com Tom ela ganhou um brilho maravilhoso. Juntos eles tem piadas mordazes e temperamentos explosivos, ainda que ela seja muito romântica e delicada.  

A mulher quer casar por amor, ele quer casar porque sente que precisa fazer isso. Não é bem a combinação perfeita, mas funciona com eles. A química do casal é maravilhosa! E eu que achava que Tom só funcionaria com uma mulher mais rebelde, caiu feito uma luva com a doce Cassandra. 

A menina tem um problema enorme de auto estima. Sente-se pequena, diante do resto da família. É com Tom que ela percebe como é grandiosa. Ele foi a peça que faltava para que Cassandra se enxergasse pertencente não só a família, mas ao mundo, de maneira geral. 

E o que falar de Tom? Caramba, ele é o tipo de mocinho que eu amo sem muito esforço. É seguro de si, trabalhador (estou cansada de mocinhos ricos que conseguiram dinheiro apenas nascendo na família correta), frio, calculista, ambicioso e inteligente. Aquele cara tipo anti-herói, saca? Morri de amores por ele na primeira aparição, e aqui só ajudou a completar esse quadro. 

O livro tem um ritmo leve e divertido. Li em uma tarde tranquila, e terminei com aquele calor no peito de quem poderia ter lido muito mais de Tom e Cassandra. E olhe que ando bem enjoada de romance de época. 

Posso dizer que entre todos os livros da série, esse conseguiu se superar. Acabei completamente encantada pelo casal e pela história. É meu predileto, sem sombra de dúvidas. 

Se indico? 

Com certeza!!


Alerta Lançamento!!!! Primaveras em Brado

 

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“Quando as folhas caem, é hora das flores renascerem”

Joana Aguiar é a filha de um importante barão do café. Cresceu cercada de tudo o que uma menina poderia querer, menos do que realmente era importante para ela: liberdade de fazer as próprias escolhas.
Uma ativista dos direitos femininos que se envolve em mais problemas do que deveria, Joana vive jogando a família nas más línguas da elite paulista quando é resgatada de passeatas, reuniões clandestinas e discursos fervorosos para operárias de fábricas.
Tadeu Narcole é descendente de imigrantes italianos. Vive com uma grande família em um cortiço no Brás, e é responsável por alimentar cada boca sob o seu teto. Também é um rapaz ambicioso que não poupa esforços para obter o que deseja, mesmo que tenha que passar por cima dos outros por causa disso.
Quando é contratado pelos Aguiar para dirigir para sua filha adolescente, Tadeu não imaginava que o trabalho poderia ser tão difícil. Ou tão prazeroso.
Os mundos desses jovens se chocam uma batalha que começa a ser travada entre a decência e o desejo, e ela cobra um preço muito caro para quem ganha e quem perde, pois não há vencedores nos escombros de uma guerra.




Custe o que custar e tudo o que um pai pode fazer

 

Título: Custe o que custar 

Autor: Harlan Coben 

Editora: Arqueiro (cedido em parceria)

Saiba mais : Amazon

Sinopse: Até onde você iria para salvar a sua filha?

Simon Greene tinha uma família perfeita. Até perder a filha mais velha para as drogas. Depois de receber todo o apoio necessário na luta contra o vício, Paige desapareceu com o namorado abusivo, sem deixar vestígio. 

Um dia, ele a reencontra no Central Park, em Nova York, tocando violão por uns trocados. Ela parece outra pessoa: está fora de si, assustada e claramente em perigo. Quando Simon vai falar com ela e lhe implorar que volte para casa, Paige foge mais uma vez.

Então ele faz o que qualquer pai faria: vai atrás dela e acaba entrando em um mundo sombrio e perigoso em que gangues de rua ditam as leis, drogas são a moeda corrente e assassinatos são acontecimentos corriqueiros.

Enquanto tenta resgatar a filha, Simon se vê enredado em uma trama de mentiras que abre uma porta sombria para o passado. Em pouco tempo fica claro que não é só a vida de Paige que está em risco, mas a dele próprio também.



 Acho que não existe nenhum livro do Coben que tenha lido até hoje e tenha desgostado. Tem um que não curti o final, mas a construção do livro todo foi tão foda que não pude tirar pontos, no final das contas. E ainda que Custe o que Custar não traga meu protagonista mais amado do mundo, o Myron, ele tem um cara que sinceramente eu gostaria de ter ao meu lado em todos os momentos. Bons ou ruins. 

A história vai rodar em cima do desaparecimento de Paige, a filha de Simon. Na verdade de início é um pouco mais do que isso. Paige se envolve com um cara ruim, entra no mundo das drogas e sai de casa. E não há nada que os pais possam fazer quanto a isso, mesmo que Simon esteja sempre procurando a filha pelos cantos. 

Quando o namorado da garota aparece morto, algum tempo depois de uma briga com Simon que se tornou pública na internet, o maior suspeito é ele, Paige e a família deles. Então começa uma caçada de Simon para encontra a filha, envolvendo personagens que vão além desse núcleo familiar cheio de segredos. 

Simon é, de longe, o melhor personagem do livro. Não é policial, e não entende nada além do básico de como se defender, ainda assim não economiza esforços em se meter nas piores enrascadas para encontrar a filha. Vamos combinar, a grande maioria dos pais e mães fariam algo do tipo. Ainda assim, ele consegue manter uma sanidade e um tico de graça nos passos que dá. 

Existem coadjuvantes interessantes para ajudá-lo a percorrer esse caminho, já que o cara nada entende de investigação e está se movimentando por puro instinto. Então temos uma detetive que está investigando um outro desaparecimento, a advogada incrível e sempre recorrente nos livros do Coben, o sindico do prédio onde a filha dele morava... Uma galera muito irada que só faz abrilhantar esse livro. 

Engraçado como o autor consegue ter cada vez mais uma postura firme nos livros que escreve. Como os elementos separados da história se conectam em fios quase invisíveis, e não menos incríveis. Eu sou apaixonada por essa rede que trabalha em suas tramas, e como ele consegue ficar melhor nisso a cada dia. Parece que estou lendo um dos livros do King, e isso de fato quer dizer muita coisa. 

A forma como o amor se revela nessa história é muita crua e bonita. Seja do pai sempre amoroso, o irmão que parece brilhante e descolado, ou até a mãe que a gente pensava ser fria, mas que tinha muita gana de resgatar aquela filha. E isso também me fisgou no livro. Não é só um mistério a ser revelado, é uma família se unindo. 

Eu amei esse livro! O que não é exatamente uma novidade, heim? Amo tudo o que essa criatura se propõe a fazer. 

Que venha mais Coben! 

O Buraco da Agulha e como vou morrer sendo fã de Ken Follet

 

Título: O Buraco da Agulha

Autor: Ken Follet

Editora: Arqueiro (cedido em parceria)

Amazon: 

Sinopse: O ano é 1944. Os Aliados estão se preparando para desembarcar na Normandia e libertar os territórios ocupados por Hitler, na operação que entrou para a história como o Dia D. Para que a missão dê certo, eles precisam convencer os alemães de que a invasão acontecerá em outro lugar. Assim, criam um exército inteiro de mentira, incluindo tanques infláveis, aviões de papelão e bases sem parede. O objetivo é que ele seja fotografado pelos aviões de reconhecimento germânicos. O sucesso depende de o inimigo não descobrir o estratagema. Só que o melhor agente de Hitler, o Agulha, pode colocar tudo a perder. Caçado pelo serviço secreto britânico, ele deixa um rastro de mortes através da Grã-Bretanha enquanto tenta voltar para casa. Mas tudo foge a seu controle quando ele vai parar numa ilha castigada pela tempestade e vê seu destino nas mãos da mulher inesquecível que mora ali, cuja lealdade, se conquistada, poderá assegurar aos nazistas a vitória da guerra. Na obra-prima que lhe garantiu, há 40 anos, a entrada no cenário da literatura, Ken Follett fisga o leitor desde a primeira página, com uma trama repleta de suspense, intrigas e maquinações do coração humano.


 Se você gosta de história, não dá para errar com Ken  Follet. Acho que todos os tempos históricos mais interessantes já virou cenário de livros dele. E vou dizer que ele tem um certo xodó com a segunda guerra. 

Em seu romance de estreia, Follet vem falar sobre como a espionagem influenciou o rumo da guerra e da sucessão de acontecimentos que sucederam ao dia D. 

Uma das coisas mais interessantes nos livros do autor é como ele humaniza personagens que deveriam ser só peões em um cenário histórico importante. De fato ainda são peões, mas podemos lembrar que peões também podem fazer avanços mortais em um jogo de xadrez. E isso é o que acontece aqui, amigo. 

Temos espiões dos dois lados de uma guerra e uma dona de casa simples, que levava uma vida pacata até ser a responsável pelo resultado da pior guerra que o mundo já viu. E até isso é interessante, como o autor dá um poder único a mulheres em seus livros. Não li nada até hoje que tenha me decepcionado nesse sentido, e eu sou uma feminista ferrenha, então quer dizer alguma coisa. 

E nem vou começar a elogiar todo o embasamento histórico que esse homem faz antes de escrever alguma coisa. Fico tentando encontrar brechas no enredo, mas nunca achei, e esse não é meu primeiro livro do autor. Ele realmente sabe o que está fazendo. 

Sou escritora e estou hoje em dia revisando um livro histórico que se passa no Brasil em 1929. Acredito que minha maior inspiração para seguir nesse gênero foi Follet. Embora o livro pese mais para o romance do que para espionagem e afins (ao estilo Lucinda Riley), como ele constrói personagens humanos e os entrelaça na história é sublime, ao meu ver. E ajudou bastante na elaboração de minha história. 

Então eu recomendo O Buraco da Agulha de olhos fechados. Não é meu livro predileto do autor, mas existe algo genial no fato desse ser o primeiro livro dele e ainda assim ser tão incrível e robusto. 

Se você gosta de livros históricos e nunca leu Follet, vai fundo! O Buraco da Agulha tem filme também caso alguém se interesse. 

Um beijo e nada mais e como mulheres podiam ser poderosas em épocas remotas

 

Título: Um beijo e nada mais

Autor: Mary Balogh

Editora: Arqueiro (cedido em parceria)

Amazon: https://amzn.to/2QgDVkH

Sinopse: Desde que testemunhou a morte do marido durante as Guerras Napoleônicas, Imogen, lady Barclay, se isolou em Hardford Hall, na Cornualha. O novo dono da propriedade ainda não apareceu para reivindicá-la, e ela torce desesperadamente para que ele nunca venha acabar com sua frágil paz. Percival Hayes, o novo conde de Hardford, não tem nenhum interesse na região distante da Cornualha, tanto que, desde que recebeu o título, nunca quis conhecer o lugar. Mas em seu aniversário de 30 anos ele está tão entediado que decide impulsivamente fazer uma visita às suas terras. Ao chegar lá, fica chocado ao descobrir que Hardford não é o monte de ruínas que imaginou. Fica perplexo também ao constatar que a viúva do filho de seu predecessor é a mulher mais linda que já viu. Em pouco tempo, Imogen desperta em Percy uma paixão que ele jamais pensou ser capaz de sentir. Mas será que ele conseguirá resgatá-la da infelicidade e convencê-la a voltar à vida?



Não é segredo para ninguém que essa é minha série de romance de época predileta. Tive alguns altos e baixos com ela, e tudo bem, porque é difícil manter a linha em todos os livros quando se tem uma série grande, mas nesse livro Mary Balogh consegue retornar com aquela delicadeza mesclada a força que eu tanto admirei no primeiro volume e que me fez ficar presa nesse clube.  

Imogen é a única mulher do Clube dos Sobreviventes. Amigos que perderam muito durante a guerra e se unem uma vez ao ano para falar da vida e de como estão superando os traumas. Não é diferente com ela, que viu o marido ser morto na guerra e que ainda carrega feridas em um luto sofrido e muito discreto. 

No outro lado da balança temos Percy, que tem todas as características que a gente tanto ama nos mocinhos de romance de época, mas que tem lá seus problemas em vida também, e que talvez esteja um pouco perdido no mundo, quando resolve voltar para suas terras na Cornualha e conhece Imogen, no momento morando nas terras que agora pertencem a ele, por uma questão de herança de bens (que sempre vão para os homens). 

Eles passam a conviver e vão criando um laço de amizade muito bonito e com um crescente que a gente nem percebe quando as coisas estão acontecendo até que elas finalmente acontecem. O casal tem uma química muito singular e nada forçada. Eles respiram e parece que é a deixa para um suspiro de nossa parte. 

Aos poucos o que começa por uma necessidade de conviver vai virando algo mais sério. Percy vai revelando suas fraquezas para Imogen e ela, como consequência, vai fazendo o mesmo por ele. De fato é o relacionamento mais bonito que vivenciei com essa série. 

Entre um cachorro maltrapilha, uma família presente e um cenário de tirar o fôlego, Um beijo e nada mais ficou emparelhado com o meu predileto da série. É diferente dele, por motivos óbvios, mas tão bem trabalhado em suas particularidades que não tive como deixar de me sentir afagada por este livro. 


Como usar elementos pagos na conta gratuita

 


Hello, people! 

Postagem para salvar, heim! 

No curso do Canva para Autores eu mostro passo a passo em vídeo como faço isso, mas aqui fiz um tutorial em imagem que vocês podem salvar para não esquecer. 

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Por que escritores tem que estar nas redes sociais?

 


Vamos ser sinceros aqui, quem de vocês compra um produto ou contrata um serviço hoje em dia sem fuçar se a loja ou o prestador tem Instagram? Porque eu mesma olho tudo antes de comprar. E não só por uma questão de segurança, mas de autenticidade de marca. 

Vejo muitos escritores ainda se amarrando a estar presente no digital. Ou, quando estão por lá, fazem do seu perfil do Instagram e do Facebook uma vitrine de venda, quando o que funciona hoje em dia é relacionamento. 

Antigamente a gente comprava uma pomada Minâncora só com aquelas propagandas toscas da TV, que mostravam a pomada rodando em uma plataforma e alguém narrando os benefícios. Mas o marketing hoje em dia não é feito como há vinte anos. Existe uma questão de identificação do comprador com o vendedor, e isso só acontece quando humanizamos a marca, e fazemos essa humanização quando nos relacionamos através dela. 

A Coca-Cola faz isso todo final de ano, quando coloca uma mesa de natal e uma família feliz e aconchegante ao redor dela. A Natura faz isso quando mostra mulheres, dos mais variados estilos, usando os seus produtos e sorrindo por causa deles. Hoje não basta mostrar o produto, você precisa ser o rosto atrás dele. O sorriso na mesa de natal, a mulher com rugas usando um creme hidratante. 

Por isso condeno o perfil vitrine. Não é que você não possa encher de banner seu perfil, os banner são necessários, mas também precisa estar nele. Mostrar seu café da manhã, você trabalhando no computador, tomando banho de piscina, sorrindo com os filhos ou com seu cachorro.

O Big Brother faz sucesso porque o ser humano ama observar a vida do outro. Ama ser um stalker. Não entenda mal, não estou te chamando de fofoqueiro, mas é algo muito natural da gente. Amamos fofoca! E é por isso que seu rosto é tão importante para a sua marca como autor. Se observar as métricas de suas postagens do Instagram, vai ver que as fotos mais curtidas são aquelas em que seu rosto aparece, que fala sobre você. Deveria ser o suficiente para te convencer, não é? 

Os leitores querem saber o que seu autor predileto come de manhã, e o que ele gosta de fazer quando não está escrevendo. Que roupas usa e quais seus filmes prediletos. Hoje em dia é muito difícil que eu pergunte no meu Instagram qual o meu livro predileto e na hora não receba váriassss mensagens dizendo "O Senhor dos Anéis". As pessoas já sabem, de tanto que eu digo. 

Daí vocês pensam... mas, Carol, você não acha que é muita exposição da pessoa? E eu vou ser muito sincera, se você quer ser autor neste país, precisa se expor. Na verdade, se você quer ter autoridade em qualquer espaço hoje em dia, precisa disso. 

Não estou falando em mostrar o filho fazendo pirraça ou a briga com o marido. Existe um linha dividindo o que é saudável expor, e o que não é. Você vai determinar os seus limites sem que se sinta mal com a ideia. Mas, para criar essa autoridade, um pouco de exposição é necessária. 

Escolha duas redes sociais, pode ser o Instagram e o Facebook, e esteja sempre presente nelas. Monte um plano de postagens que consiga cumprir. Aqui faço uma postagem por dia no Instagram, e tento duas vezes por semana no Facebook. Além de aparecer nos stories SEMPRE. Chegou a hora de perder o medo e mostrar quem é você e para que veio. 

Imagina a seguinte situação... tem aquela autora que sempre está ali, mostrando que gosta de comer algo que você também ama, ou dizendo como é difícil ensinar ao filho a gostar de legumes, situação pela qual você também passa. Veja como as dores e os problemas dela geram identificação com você. Agora imagina outra autora que só aparece nas redes sociais para postar foto de banner do livro que escreveu. 

Seja sincera com você mesma e se pergunte de quem compraria. Da pessoa que já sabe que tem muito de você, ou da completa estranha que só pensa em vender? 

Com isso na cabeça, arregace as mangas e monte seu cronograma de postagens mensal. Não precisa postar todos os dias, mas crie uma constância. E use todas as ferramentas que as redes disponibilizam para você. Seja fazer Reels com dancinhas engraçadas, IGTV contando o processo do seu livro, uma live convidando amigos escritores, postagens no feed com dicas para leitores dentro do gênero que escreve... Ouse! O mundo é dos ousados, e você não quer ficar atrás. 

Lá no Canva para autores eu ensino como montar esse cronograma de postagens e como fazer posts em menos de cinco minutos. Se essa é sua dificuldade, chega mais que a gente trabalha junto. 


canva para autores

                                                       Saiba mais em: https://bit.ly/3kqFxn0

Um lugar bem longe daqui e porque não se deve seguir modinhas

 

Título: Um lugar bem longe daqui
Autor: Delia Owens
Editora: Intrínseca
Amazon: Link AQUI

Sinopse: Por anos, boatos sobre Kya Clark, a “Menina do Brejo”, assombraram Barkley Cove, uma calma cidade costeira da Carolina do Norte. Ela, no entanto, não é o que todos dizem. Sensata e inteligente, Kya sobreviveu por anos sozinha no pântano que chama de lar, tendo as gaivotas como amigas e a areia como professora. Abandonada pela mãe, que não conseguiu suportar o marido abusivo e alcoólatra, e depois pelos irmãos, a menina viveu algum tempo na companhia negligente e por vezes brutal do pai, que acabou também por deixá-la.
Anos depois, quando dois jovens da cidade ficam intrigados com sua beleza selvagem, Kya se permite experimentar uma nova vida — até que o impensável acontece e um deles é encontrado morto.
Ao mesmo tempo uma ode à natureza, um emocionante romance de formação e uma surpreendente história de mistério, Um lugar bem longe daqui relembra que somos moldados pela criança que fomos um dia e que estamos todos sujeitos à beleza e à violência dos segredos que a natureza guarda.

 


Fiquei tamborilando os dedos no teclado por um bom tempo, pensando o que poderia escrever sobre esse livro. Não sei se vou me fazer eficiente nessa resenha, visto que meus sentimentos estão embaralhados em relação a ele no momento. Fez-se um barulho tão grande em cima dessa história, sendo inclusive escolhido como melhor do ano para muitos leitores, que eu acho que criei uma expectativa muito grande em torno dele, e me decepcionei um pouco. 

Poucas páginas, era o que eu poderia dizer em um primeiro momento. Realmente acho que se a autora tivesse dedicado mais páginas para reconstruir alguns relacionamentos, e destroçar outros, a história teria funcionado melhor para mim. O final é corrido e deixa a gente com uma sensação enorme de engano. 

Não dá para explicar muito sobre essa história sem soltar coisas demais, mas entendam que essa menina, Kya, foi criada em um brejo. Depois que a mãe vai embora, todos os irmãos também vão e fica ela sozinha e tão pequena só com o pai, que em algum momento também vai embora, deixando Kya pela própria conta. 

É, então, sobre a vida dessa garota selvagem no brejo e a ligação dela com a natureza e alguns outros personagens que aparecem no caminho. Por isso devo alertar que o livro tem muito mais passagens descritivas dos lugares e das percepções de Kya sobre as coisas do que diálogos, o que é uma coisa que já me irrita em abundância. Entendo a escolha narrativa, faz todo o sentido, mas não gosto muito desse tipo de história. 

Como se sabendo que se não fizesse algo para prender o leitor, eles abandonariam a história, a autora insere um crime logo no inicio, e a gente meio que fica preso literalmente até as últimas páginas para saber quem cometeu. E vou dizer, viu... como essas páginas demoram a passar com descrições de um brejo sem fim e dos sentimentos de Kya! 

A garota não é uma personagem carismática, e tudo bem, também é compreensível. Mas alguém deveria ser na história, e não me senti ligada a nenhum personagem. Veja bem, nenhum! Isso, sim, é um belo problema, quando ninguém se conecta ao leitor. Nem mesmo Tate, que tinha tudo para me ganhar, conseguiu porque em certo momento a autora some com ele deixando uma indignação em quem esta lendo. E quando aparece, já não tem o meu apresso. O que ele faz não combina com o garoto, e até agora não entendi o que raios foi aquilo. 

O mesmo acontece com Chase. Ela tinha tudo para desenvolver o personagem mais incrível com esse cara. O típico anti-herói. Com momentos de decência e outros de maldade. Mas até Chase é desperdiçado aqui, e foi outra coisa que me chateou. 

A história tem passagens bonitas. A escrita da autora é bela e ela sabe conduzir com maestria a sensação de se estar em um brejo. Os sentimentos, e até os cheiros, parecem próximos, de tão boa detalhista que ela é. Só que talvez tenha se perdido tanto nisso, que não soube trabalhar com elegância nas outras coisas. Em encorpar os personagens, por exemplo. Ou dar um final que quando você lesse pensasse... vou levar esse livro para o resto da vida. 

Talvez o fato seja que eu tenha lido não como um leitor, mas como uma escritora, e como escritora ele é cheio de falhas consideráveis. Sei que ele impactou muita gente, e entendo o motivo, mas as falhas técnicas não permitiram que eu gostasse mais da história. 

Mas não é um livro ruim, ok? Só não foi para mim. 

 

A Garota do Penhasco e porque não se deve ficar perto de um precipício

 

Título: A Garota do Penhasco
Autor: Lucinda Riley
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
Amazon: Link Aqui


Sinopse: Tentando superar um coração partido, Grania Ryan deixa Nova York e volta para a casa dos pais, na costa da Irlanda. Lá, na beira de um penhasco, em meio a uma tempestade, ela conhece Aurora Lisle, uma garotinha de 8 anos que mudará sua vida para sempre.
Apesar dos avisos da mãe para ter cuidado com os Lisles, Grania e Aurora ficam cada vez mais próximas, e ela passa a cuidar da menina sempre que Alexander, o belo e misterioso pai, precisa viajar a trabalho. O que Grania ainda não sabe é que há mais de cem anos o destino das famílias Ryan e Lisle se entrelaçam inexoravelmente, nunca com um final feliz.
Através de cartas antigas, Grania descobre a história de Mary, sua bisavó, e começa a perceber quão profundamente conectadas as duas famílias estão. Os horrores da guerra, o destino de uma criança, a atração irresistível pelo balé e amores trágicos vão deixando sua marca através das gerações. E agora Grania precisa escolher entre seguir em frente ou repetir o passado.
Alternando entre romance histórico e contemporâneo, A garota do penhasco é um livro sobre mulheres fortes, grandes sacrifícios e a capacidade do amor de triunfar sobre tudo.

                                 

Vamos de Lucinda Riley mais uma vez, porque não me canso dessa criatura. Nesse livro iremos para a belíssima Irlanda. Cenário de tantos filmes lindos e de histórias sangrenta e tristes. Essa não é lá muito sangrenta, mas certamente é triste como só um livro da Lucinda é capaz de ser. 

Começamos a história conhecendo a protagonista do tempo presente, Grania, e a ligação que ela tem com uma menininha chamada Aurora, que mora em uma grande mansão no topo de um penhasco na Irlanda, onde Grania está passando umas temporadas com os pais para se curar de uma grande perda que passou. 

A princípio Grania entende que a família dela não quer que tenha uma ligação muito forte com a família do penhasco, porque todos ali são amaldiçoados. Só que enfeitiçada pela menina, Grania acaba ficando mais tempo do que deveria na mansão, ajudando a cuidar da garota e do pai dela, um empresário debilitado e importante que é um tanto nostálgico. 

Para explicar essa rinha da mãe de Grania com a família Lisles, a matriarca mostra para a filha algumas cartas de uma ancestral delas, que diz o motivo pelo qual Grania deve manter distância da menina, e de tudo o que saia daquela casa. 

A partir daí a história viaja em tempos históricos diferentes, mostrando a ancestral que começa a contar a história assumindo um cargo de empregada na mansão dos Lisles enquanto o noivo vai para a guerra, e tudo o que se desenvolve a partir dai. 

Algumas gerações da família, tanto da de Grania, como a de Aurora, são mostradas, e entendemos como elas se conectam com o tempo. 

Sempre com aquele brilhantismo de brincar com presente e passado, a autora entrega mais um livro emocionalmente pesado com personagens muito próximos da gente. 

Confesso que me irritava um pouco com as passagens dos Estados Unidos, estava pouco me lixando para a criatura que ficou por lá, mas era necessário para a trama, então seguimos. Como quase sempre acontece com os livros de Lucinda, eu acabo gostando mais do personagens no passado do que os do presente, mas isso não é exatamente um problema. 

O único problema que tive com esse livro foi em relação ao tema. Não foi uma falha de enredo, ou da autora, mas uma negação de minha parte em querer livros com a pegada que ela coloca aqui. Não gosto de ler histórias sobre maternidade perdida e pessoas doentes, e aqui temos em doses cavalares as duas coisas. 

Contudo, de modo geral, é mais um belo livro de uma autora que vem se mostrando mais e mais como uma exímia contadora de histórias. E eu sigo fã, ainda que não ame loucamente todos os livros dela, sei admitir quando um bom autor é um bom autor, e Lucinda é maravilhosa.