5 livros de terror nacional para ler nesse Halloween

 

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Quem mais aí é apaixonado por toda a concepção da festa de Halloween? 

Lembro que quando era criança ficava vendo os filmes e desejando com todo coração poder bater de porta em porta e pedir doces. Claro que nunca aconteceu e aquilo ficou no imaginário. Mas isso não quer dizer que parei de amar. 

Sonho da vida? Passar um Halloween em Nova Orleans. Arrepio só de pensar. 

Sentar em uma varanda daquelas casas históricas lendo um livro assustador enquanto as crianças brincam na rua. Convenhamos que eu não tenho mais idade para pedir doces. 

Até lá, vou indicando para vocês cinco livros de terror nacionais que são realmente assustadores, ou muito bem construídos. 


andré vianco
Sinopse: Lançado de forma independente em 2000, Os Sete, de André Vianco, conquistou uma multidão de fãs e se tornou um best-seller, vendendo mais de 100 mil exemplares. O sucesso foi tão grande que consagrou o autor como um dos mais importantes na literatura de fantasia nacional. É neste romance que Vianco atualiza o mito dos vampiros e o encaixa na realidade brasileira, apresentando ao leitor seres poderosos, cada um com uma característica única, porém, todos monstruosamente perversos.
A nova edição chega ao leitor com a ilustração de capa produzida pelo brasileiro Rodrigo Bastos Didier e o design é de Pedro Inoue, o mesmo artista de 2001: Uma Odisseia no Espaço e a da edição comemorativa de 50 anos de Laranja Mecânica.
Na trama ambientada em terras brasileiras, uma caravela portuguesa naufragada com mais de 500 anos é descoberta no litoral do país. Dentro dela, uma estranha caixa de prata lacrada esconde um segredo. Apesar do aviso grafado, com a recomendação de não abri-la, a equipe de mergulhadores que a descobriu decide seguir em frente, e encontra sete cadáveres. Esses corpos misteriosos são levados para estudos e tudo parece estar sob controle até o despertar do primeiro deles. O romance mistura diversos elementos já conhecidos na escrita de Vianco: terror, suspense, fantasia, sobrenatural, romance e o tema pelo qual o autor é reconhecido: VAMPIROS. 
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a sombra da lua
Sinopse: O mito do lobisomem é universal. De núcleos tribais a grandes civilizações, todos já esbarraram no estranho caso do homem que vira fera. O progresso e a tecnologia relegam esses saberes ao campo do folclore e do obscuro, mas a lua não permite à alma humana esquecer o poder oculto que se esconde e se revela em ciclos. É na fronteira entre o civil e o selvagem, Deus e o desejo, o barro e o vil metal, o espírito e a carne, a fome e o sacrifício, que vaga o lobisomem. A criatura maldita está ilustrada nos contos infantis; nas grandes capitais ou nas vilas rupestres, suas híbridas pegadas prenunciam a sombra de algo que não deveria existir. Mas existe. À sombra da lua aponta uma chama trêmula, porém esclarecedora, sobre a encarnação do homem-lobo em terra brasilis, considerando – e até elucidando – os aspectos e os desdobramentos mais curiosos de sua estranha condição. Racionalidade e mistério se confrontam numa narrativa madura, e o resultado é uma luta de facas entre sina e paixão. A abordagem de Marcos DeBrito confere ao texto um fôlego brutal. Perspectivas mudam à maneira das fases lunares e, ao fim, o que vemos raiar do nevoeiro é um monstruoso clássico do gênero. A literatura brasileira de horror não possuía um relato tão tétrico e macabro sobre um personagem tão comum – o que prova sua capacidade de disfarçar-se e esconder-se, a despeito do quanto esteja presente, ou até que a lua o revele. Aqui está, então, nas letras lunares de Marcos DeBrito, o causo À sombra da lua, conforme me foi outrora contado. (por Tiago Abreu, pesquisador licantropista, poeta e professor)

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o escravo de capela
Sinopse: Durante a cruel época escravocrata do Brasil Colônia, histórias aterrorizantes baseadas em crenças africanas e portuguesas deram origem a algumas das lendas mais populares de nosso folclore. Com o passar dos séculos, o horror de mitos assustadores foi sendo substituído por versões mais brandas. Em O Escravo de Capela, uma de nossas fábulas foi recriada desde a origem. Partindo de registros históricos para reconstruir sua mitologia de forma adulta, o autor criou uma narrativa tenebrosa de vingança com elementos mais reais e perversos. Aqui, o capuz avermelhado, sua marca mais conhecida, é deixado de lado para que o rosto de um escravo-cadáver seja encoberto pelo sudário ensanguentado de sua morte. Uma obra para reencontrar o medo perdido da lenda original e ver ressurgir um mito nacional de forma mais assustadora, em uma trama mórbida repleta de surpresas e reviravoltas.

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rua das lagrimas flutuantes
Sinopse: A morte faz parte da vida de Sebastian e Ava. Ele, um paranormal que convive com fantasmas desde os seis anos; ela, uma tanatopraxista com sonambulismo e inclinação à loucura.
Sebastian está acostumado com o sobrenatural. E, no entanto, não está preparado para o encontro com uma estranha mulher em um Solário do século XVIII, palco de muitas lágrimas do passado.
Lendas antigas sinistras, portas batendo, gargalhadas vindas de lugar nenhum... Ava já não sabe o que é real. E o tempo que passa com um estranho homem, que se diz capaz de livrar de criaturas sombrias a mansão que ela herdou, só a faz duvidar cada vez mais de sua sanidade.
A união dessas duas pessoas, que cresceram ao redor do que há de mais doloroso no mundo, talvez não seja fruto da coincidência. Juntos, eles têm a chave para desvendar mais mistérios do que sequer imaginam.
Forças maiores sempre trabalharam para separá-los, mas sua ligação é maior do que a matéria e o espírito.

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nova jaguaruara
Sinopse: Um antigo e curioso evento acontece todos os dias em Nova Jaguaruara, uma pequena cidade no interior do Ceará: à meia-noite, as luzes se apagam e a cidade cai na escuridão por exatamente um minuto. Vicente e sua equipe de trabalho chegam à cidade para estudar as condições para a instalação de torres de energia eólica na região e, quem sabe, resolver o estranho problema de queda de energia. O que eles não sabiam, entretanto, é que a cidade esconde uma terrível história relacionada ao desaparecimento de pessoas desde o início do século XX. A única coisa de que são alertados desde o primeiro dia é o fato de não poderem se aproximar de uma igreja abandonada na beira da estrada, um pouco afastada de Nova Jaguaruara. Infelizmente, o aviso não é o suficiente e logo Vicente e sua equipe encontram-se presos nos terríveis mistérios da cidade.

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Romance de época ou romance histórico?

 


Lançamento quentinho da Amazon para quem curte romance histórico e de época. E vou dizer, heim... imperdível! 

Sinopse do volume 1: Joana Aguiar é a filha de um importante barão do café. Cresceu cercada de tudo o que uma menina poderia querer, menos do que realmente era importante para ela: liberdade de fazer as próprias escolhas.

Uma ativista dos direitos femininos que se envolve em mais problemas do que deveria, Joana vive jogando a família nas más línguas da elite paulista quando é resgatada de passeatas, reuniões clandestinas e discursos fervorosos para operárias de fábricas.
Tadeu Narcole é descendente de imigrantes italianos. Vive com uma grande família em um cortiço no Brás, e é responsável por alimentar cada boca sob o seu teto. Também é um rapaz ambicioso que não poupa esforços para obter o que deseja, mesmo que tenha que passar por cima dos outros por causa disso.
Quando é contratado pelos Aguiar para dirigir para sua filha adolescente, Tadeu não imaginava que o trabalho poderia ser tão difícil. Ou tão prazeroso.
Os mundos desses jovens se chocam uma batalha que começa a ser travada entre a decência e o desejo, e ela cobra um preço muito caro para quem ganha e quem perde, pois não há vencedores nos escombros de uma guerra.



Olha o que os leitores estão achando: 








Confira o livro na Amazon AQUI

A revolução dos bichos e porque devemos ter medo dos nossos animais

 


Título: A Revolução dos Bichos 
Autor: George Orwell
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
Saiba mais: Amazon

Sinopse: Inspirados por um discurso libertador, os animais maltratados e sobrecarregados de uma fazenda se voltam contra seu dono, expulsam-no e tomam o poder.

Com idealismo inflamado e palavras de ordem emocionantes, eles se propõem a criar um paraíso de progresso, justiça e igualdade.

Está armado o palco para uma das sátiras mais contundentes já escritas – uma fábula para adultos que registra como a revolução contra a tirania pode evoluir para um totalitarismo igualmente terrível.

 


Independente de o leitor saber que esse livro é uma fábula ou não, é claro como a sensação de "mensagem" existe em todas as páginas. Em tudo o que acontece nessa fazenda, olhando ou não pela perspectiva dos bichos. 

Lembro que comecei lendo George Orwell ainda na adolescência, por 1984. Na época não sabia se estava entendendo muito do que estava lendo, embora amasse o teor de ficção especulativa presente no livro. E quando pulei para Revolução dos Bichos, eu senti que tinha uma mensagem muito próxima da minha realidade, ainda que também não conseguisse correlacionar de maneira correta. 

Entenda que era uma adolescente com um livro e sem guia algum de como enxergar esse livro em uma ótica realista. 

A primeira vez que li esse livro guiado por um professor, já estava no ensino médio, e incrível como enxergar que esse foi um livro escrito durante a Segunda Guerra Mundial clareou estupidamente minha mente. Não era mais uma adolescente com um livro, era uma garota com uma arma de guerra, porque é exatamente isso o que os livros são: resistência. 

Quando eu recebi esse livro da Arqueiro, lembrei de tudo o que eu senti lendo essa história, e acho que o sentimento é muito mais importante do que a história em si. Afinal, eram só bichos de uma fazenda com um estranho (porém comum a nós) sistema de governo interno. Parecia tudo muito irreal, porcos montando discursos, mas a fábula tem exatamente a proposta inversa. É trazer a realidade usando um pouco de realismo fantástico, que é o que Orwell faz aqui. 

Não é a história de bichos da fazenda, é a história de como governos se formam por cima de bases finas e perigosas e viram fortalezas intransponíveis e, ainda assim, perigosas. 

Por isso digo que não é só uma questão do que a história é, mas do que ela representa para quem está lendo. Seja você de esquerda ou direita, vai sentir algo ao ler, e essa sensação é mais importante do que a fábula em si. Acredito, inclusive, que essa era a intenção do autor. Cutucar, mas cutucar de dentro para fora. Fazer o leitor enxergar primeiro o que há dentro dele, para aí sim encaixar na história. 

Acho que esse é um livro que deve ser lido em conjunto, com um guia que possa levantar questões importantes, como contexto histórico, e fazer ligações entre o real e o não real. As vezes as pessoas precisam disso para entender determinados livros, e esse é um deles. 

A Revolução dos Bichos é um livro necessário para qualquer pessoa, dentro de qualquer contexto social, e sempre vou bater nessa tecla de reconhecimento dessa história. 

Clube do livro dos homens e como homens não só poços de testosterona

 


Título: Clube do livro dos homens
Autor: Lyssa Kay Adams
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
Saiba mais: Amazon

Sinopse: A primeira regra do clube do livro é: não fale sobre o clube do livro

Gavin Scott é um astro do beisebol, devotado ao esporte. No auge de sua carreira, ele descobre um segredo humilhante: a esposa, Thea, sempre fingiu ter prazer na cama. Magoado, Gavin para de falar com ela e acaba piorando o relacionamento, que já vinha se deteriorando. Quando Thea pede o divórcio, ele percebe que o orgulho e o medo podem fazê-lo perder tudo.

Bem-vindos ao Clube do Livro dos Homens

Desesperado, Gavin encontra ajuda onde menos espera: um clube secreto de romances, composto por alguns dos seus colegas de time. Para salvar seu casamento, eles recorrem à leitura de uma sensual trama de época, Cortejando a condessa. Só que vai ser preciso muito mais do que palavras floreadas e gestos grandiosos para que Gavin recupere a confiança da esposa.


 Divertido. Essa é a palavra principal para retratar esse livro. 

Ele já começa em uma situação inusitada e engraçada: Gavin de ressaca por ter bebido horrores por conta da mulher, que quer o divorcio e acha que ele não é exatamente o supra sumo dos homens. A cena toda é muito divertida, com Gavin lidando com os amigos do seu time de beisebol vendo-o naquele poço deprimente. 

Para ajuda-lo a passar por esse momento, o time de amigos revela que eles tem um clube do livro, e resolvem convidar Gavin para fazer parte. Acham que, de alguma forma, ler livros de mulheres vai fazer com que eles entendam mais do universo feminino o que pode ajudar a entender as garotas ao seu redor. 

Então Gavin começa uma corrida, inspirado pelo Clube, para reconquistar a mulher, envolvido nas situações mais engraçadas possíveis. 

Olha, eu gostei muito desse livro. Leve, divertido, com personagens cativantes e situações até possíveis. O que acho que me incomodou um pouco, foi a condução do romance pelos homens tratado de um jeito, talvez, feminino demais?! Não sei exatamente o que achei estranho, mas quando estava lendo ficava pensando que meu marido, ou meu irmão, ou meus primos jamais se envolveriam em situações ou diriam coisas como aquelas. Pode ser que os meus sejam brutamontes? Pode, mas acho que faltou um pouco mais de masculino na história, e foi o único motivo que me fez tirar uma estrela dela. 

Se o livro fosse escrito por um homem, talvez eu não tivesse esse estranhamento. Mas achei estranho muitas coisas que envolviam o universo masculino nessa história, como se fosse pouco crível, entende? As vezes acho que só homem entende a cabeça de homem. 

No mais, se você não for um leitor tão chato quanto eu, vai conseguir ler sem problema algum. É de fato um livro para passar o tempo e, quem sabe, suspirar um pouco. 

Lançamento Imperador das Nuvens

 


Olha quem chegou na Amazon, gente! 

O Imperador mais incrível dos Alpes Franceses. 

Quer saber mais um pouco dessa história? Se liga na sinopse!


Sinopse: Mel é uma doutoranda em estudos literários feministas que mora em Paris desde criança. Divide um apartamento pequeno com o namorado que ela achava ser um sonho, até que ele se provou totalmente diferente do que Mel esperava.

Quando ela aceita um emprego de temporada para tomar conta de um hotel nos Alpes franceses, totalmente isolada de qualquer contato humano, Mel aceita sem pestanejar. Afinal, é isso o que quer. Só o que não sabia, era que outra pessoa teve a mesma ideia brilhante e solitária.

Simon Nuage é o CEO herdeiro do Império das Nuvens, uma rede de hotéis espalhados pelo mundo. Assumiu a diretoria da empresa após a morte do irmão, o que o tirou da vida que tanto amava em suas viagens cheias de aventura, sendo o filho rebelde. E quando aquilo pareceu sufocá-lo, Simon resolve passar um mês em um dos seus hotéis fechados durante o pior mês do inverno.

Ele só queria paz, mas encontrou uma mulher que vai te dar tudo, menos descanso.

Ela só queria não pensar em homens, mas encontra alguém que vai balançar seu coração no lugar mais inesperado possível.

Ambos tem um mês para tentar ficar longe um do outro. Mas será que eles conseguiriam? Ou melhor... será que queriam?


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5 Livros para ler no inverno

 


Está mais do que certo que inverno é a estação certa para se aconchegar embaixo do lençol com um bom livro e uma caneca quente de chá. E esse inverno em específico, está pedindo muitos livros. 

Pensando nisso criei uma listinha de cinco livros que ou se passam em um clima frio, ou me lembram um clima frio. 

Vamos lá conhecê-los! 



Palácio de inverno foi um dos melhores livros que li na vida. Na verdade, tudo o que John Boyne escreveu e que eu li foi espetacular. 

A história acompanha um camponês russo que, depois de salvar um parente do czar, é convocado para morar no Palácio de Inverno, a residência da família em São Petesburgo. É lá que ele conhece Anastasia, a filha mulher mais nova, e se apaixona por ela. 

Um romance histórico incrível e de peso. 



O clima do livro começa quente e acolhedor (sou nordestina, gosto de sol), mas com o passar das páginas não é só o enredo que se torna frio e sombrio. A temperatura também cai. 

Boa parte do livro acontece com esse trem preso na neve. E o clima é claro nas pessoas, nos acontecimentos, nas roupas e até na linguagem. Como se o frio guiasse suas ações. Acho isso genial nesse livro. 



 Esse é para aqueles que curtem um suspense delicioso. Aquele livro de investigação que deixa a gente com os cabelos em pé. 

Imagine o leste da Europa e um assassino em série que sempre faz um boneco de neve na casa das vítimas. Esse é o mistério que o detetive tem que desvendar. 

O clima é frio, as pessoas são frias. Tudo combina em um círculo perfeito nessa história. 



Sim, Guerra dos Tronos tem lugares quentes. Nas Terras Livres, Kings Land, Dorne... mas meu primeiro pensamento sempre que pego esses livros é no Norte. O tanto que o Norte molda a história toda. Os Starks, os lobos, o frio. 

Lendo Guerra dos Tronos eu senti frio físico, por mais bizarro que seja. O roteiro é tão bem trabalhado que você consegue se transpor fácil para a neve com a Patrulha da Noite. Acho isso espetacular. 



É o livro com o clima mais frio, dentre os que mostrei aqui. Não só pela temperatura dos morros, mas pela dos personagens. Pelas problemáticas que a vida cria para eles e que parece não ter fim. O livro começa tenso, frio e distante, e termina do mesmo modo, embora dilacere nosso coração várias vezes no caminho. 

É um dos meus clássicos favoritos. Sou completamente apaixonada por Morro dos Ventos Uivantes. 



Dois romances (um com teor histórico), dois suspenses e uma fantasia. Tem livro de inverno capaz de agradar gregos e troianos aqui. E se vocês gostam de romances nacionais, dia 26 de agosto agora lança 
Imperador das Nuvens, um livro com um casal preso em um hotel de luxo nos Alpes Franceses no meio de uma nevasca. Imperdível, heim! 




Dá para rir até em enterros

 


Quem aí já viveu coisas na vida que valeria uma história? Uma boa história? 

Eu tenho uma lista enorme de situações assim, e se você sentar para conversar com alguém da minha família vai conseguir mais um monte delas. 

As coisas mais bizarras, ao meu ver, aconteceram em enterros. Sim, aqueles que todos deveriam estar tristes e sofrendo, mas que sempre tem o momento que você sente vontade de rir. Seja uma gracinha que alguém faça, ou aquela tia maluca que tirou uma selfie com o defunto. Acontece até de defunto nem ser mais defunto e levantar no meio do velório. 

Fiz um compilado das melhores situações que aconteceram comigo, ou próximo a mim, e coloquei nessa história super divertida e leve que você consegue ler em apenas uma hora. 


Essa é para aqueles que gostam de: 

  • Um casal que se odeia 
  • Histórias de estrada 
  • Comédia romântica 
  • Situações cômicas nos piores momentos 

Curiosos? Confiram AQUI


Um novo capítulo para o amor e como entrelaçar histórias

 

Título: Um novo capítulo para o amor
Autor: Jenny Colgan
Editora: Arqueiro (Cedido em parceria)
Saiba mais: Amazon

Sinopse: Zoe é uma mãe solteira que corta um verdadeiro dobrado para sustentar a si mesma e a seu filhinho de 4 anos, Hari. Quando o valor do aluguel de seu apartamento em Londres se torna exorbitante, Zoe fica sem saber o que fazer.

Então, a tia do menino sugere que ela se mude para a Escócia para ajudar a gerenciar uma pequena livraria. Sair de uma cidade em que se sente tão solitária para morar num vilarejo acolhedor nas Terras Altas pode ser a mudança de que Zoe e Hari tanto precisam.

No entanto, ao descobrir que seu novo chefe, o temperamental livreiro Ramsay Urquart, é um poço de hostilidade, e que os filhos dele são mais do que malcriados, Zoe se pergunta se tomou a decisão certa.

Só que o pequeno Hari encontrou seu primeiro amigo de verdade. Além disso, ninguém resiste à beleza do lago Ness brilhando ao sol de verão.

Sem falar que é em lugares assim que os sonhos começam...


Esse não é o primeiro livro da autora que leio, e cada um deles encheu meu coração de amor pelas Terras Altas. Ela consegue falar sobre isso com maestria e nos causar um amor enorme pelo lugar, além  de uma vontade descontrolada de conhecer. 

Esse novo livro tem uma ligação com o que vem antes, portanto não recomendo que você leia sem ter lido o outro. O foco não é no mesmo casal, mas a gente sabe o que acontece com eles e como até chegar o momento em que Zoe entra na história. 

Então vamos lá...

A protagonista desse livro é Zoe, uma mãe de um menininho super especial que esta passando por muitos problemas para se manter financeiramente. E por causa disso, a tia paterna do garoto sugere que ela aceite um emprego na Escócia, para tomar conta de três crianças e de um furgão/livraria, enquanto a dona está de licença maternidade. 

Por falta de algo melhor, Zoe embarca com o filho para outro país, esperando que seja uma grande experiência positiva em sua vida, mas encontrando muitos problemas para lidar com a família que precisa tomar conta, e ser aceita pela comunidade no furgão/livraria. 

O pai das crianças, Ramsay, é taciturno e esquisito, bem ao estilo de Edward Rochester, de Jane Ayre. Apaixonado por livros e com dificuldade para manter sua enorme propriedade, como para cuidar dos filhos, ele realmente não sabe ser pai. E é aí que Zoe entra, tentando mostrar para ele que viver afastado dos meninos por não saber lidar não ajuda em absolutamente nada. 

As crianças são umas pestes. O mais velho passa o dia jogando, a do meio é geniosa e respondona e o mais novo não tem limites. Aos poucos Zoe vai quebrando a barreira de cada um deles, tentando encontrar um jeito de se aproximar dos meninos e fazê-los ser mais ativos nas atividades da casa. 

Por outro lado a gente vê Zoe tentando ajudar Nina com o furgão/livraria, mas emperrando nisso também. Nina não aceita muito mudanças, como qualquer morador do lugar, e esta em um estágio da gravidez que ficamos um saco. 

Mesmo tendo dado cinco estrelas para o livro, eu tive problemas em gostar desse tanto de atividades de Zoe. Achava que já tinha muito enredo ela ajudando na livraria, ou sendo babá. Achei ambos um pouco demais. Acabou que nenhum dos dois lados ficou desenvolvido de maneira eficiente, embora tenha sido bom, de qualquer maneira. 

Eu gostei do livro. Ele tem a medida certa de drama, de comédia, e um pouco menos de romance do que gostaria. Quando o casal vem ter alguma coisa é tipo no último capítulo do livro. Quanto a isso, achei que poderia ter puxado um pouco para antes. Mas cai naquilo que já disse... muitas coisas para a autora tratar no livro e em pouco espaço. 

Por causa disso, o final também foi bem corrido. As ultimas duas páginas foram tão aceleradas que me causaram um profundo incomodo. Mas, sim, ainda acho que valeram todas as estrelas. De modo geral, é um livro bem redondinho. 

 

Crônica de uma mãe escritora

 




Todo mundo diz que ser escritor é uma das profissões mais solitárias do mundo. E eu concordo muito com isso. É só você, suas pesquisas em papéis, rabiscos bagunçados e um computador. O resto do mundo pode explodir, que você vai continuar concentrado no seu mundinho de faz de conta. Bom, isso é em teoria.

Em Sobre a Escrita, um dos meus livros não ficcionais prediletos, o autor Stephen King fala sobre o seu processo de escrever ao longo dos anos. Que as vezes ele se trancava em um escritório a base de café, álcool e outras drogas muito loucas, e só saia de lá quando o primeiro rascunho do livro ficasse finalmente pronto. E não estamos falando de livrinhos de cem páginas. É Stephen King, gente! O rei dos calhamaços!

Toda vez que eu via ele falando disso, pensava logo que esse cara não devia ter filhos. Claro que eu sabia que ele tinha, inclusive sou grande fã dos filhos dele escrevendo, mas também sei que se não fosse a esposa do King, a mãe dos guris, talvez a gente nunca fosse ler O Iluminado ou It. Vamos combinar, que quando se tem que tomar conta dos filhos o dia todo você não pode se dar ao luxo de se trancar em um quarto com bebidas e maconha e esperar a inspiração vir até atingir o clímax, ou o final da história. Talvez consumir moderadamente álcool e maconha, mas nunca em um quarto trancado! Ou quando você sair de lá os pivetes terão comido o reboco das paredes e enfiado o dedo em uma tomada elétrica. E se tiver mais de uma criança, eles certamente se matariam ao estilo vikings, com machadinhas e gritos de guerra. Esses pequenos são selvagens.

Sei que depois que li essa dica do King, resolvi experimentar algo semelhante. Não dava para ficar o dia inteiro, mas algumas horas de intensivo de escrita sem interrupções ajuda bastante.

Acordei um dia inspirada e sabia que aquele seria um bom dia. O pai das crianças estava em casa e era um sábado glorioso em que ele já tinha previsto levar os meninos ao parquinho ou a praia. Maravilha, aquilo me daria umas duas horas. E se juntar a preparação que aquilo demanda, coloque mais umas duas nisso. Fiquei empolgada.

Depois do almoço os meninos foram para o quarto, assistir, e a pia já estava limpa. Minha mãe fazendo crochê na poltrona dela e Lucas lá dentro, fazendo sei lá o que! Silêncio total. Resolvi começar o meu plano.

Peguei meu computador e um travesseiro e fui na ponta dos pés para o andar de cima da casa. Ele ainda está em construção, mas tem um banco de madeira grande e é super ventilado. Além de que os meninos não me achariam ali. Eles têm medo de subir as escadas. Bom, pelo menos o mais velho tem, a pequena comeria a escada, se pudesse.

Acomodei meu travesseiro no encosto do banco, liguei o computador e desci para pegar um copo grande de refrigerante com gelo. Poderia ser uma xícara de café, escritores combinam com xícaras de café, mas eu sou uma porcaria para isso: detesto café! Então poderia dar uma de Hemingway e tomar dezesseis daiquiris de uma vez, na intenção de escrever um livro. Contudo, sendo bem sincera, se eu tomar meio copo de qualquer coisa com álcool que seja, eu estaria dançando la bamba em cima do sofá ou dormindo feito uma louca de qualquer jeito embaixo da mesa. Também não rola né? Produtividade zero!

Então me contento que sou péssima em ter os maus hábitos que os escritores têm, e decido só acabar com meu estômago, tomando refrigerante.

Voltemos ao ocorrido.

Retornei para cima com meu copo de guaraná e sentei confortavelmente no banco, que não é nem um pouco confortável, mas era o melhor que tinha. Tomei um gole do refrigerante gelado, energizando meu corpo, e abri um arquivo do Word, energizando meu cérebro.

Com um sorriso no rosto, escrevi “capítulo 25”, e logo em seguida coloquei o nome do POV, que é o ponto de vista de quem ele seria escrita. Foi quando ouvi o primeiro grito.

— Mãe?

Merda, eu havia sido descoberta!

Era a voz de Rafael. Tentei ignorar, fechando minhas mãos com força, para evitar responder. Haviam dois adultos além de mim na casa, eles poderiam resolver. Só que não demorou e o ouvi ainda mais perto de mim.

— Mãe, tá aí em cima?

Ele estava no pé da escada. Suspirei sentindo derrota.

— Estou, meu filho. O que foi?

— Eliz fez cocô.

— E daí?

— Você tem que vir limpar ela, ué!

Parecia tão óbvio!

— E cadê o seu pai?

— Foi tirar o cochilo de depois do almoço.

Claro! Porque tirar cochilos depois do almoço é comprovadamente saudável para a vida do ser humano. Só eu parecia não ter um tempo livre depois do almoço.

Resignada, coloquei o computador de lado e desci as escadas com dificuldade. Para quem não sabe, ela foi feita por um pedreiro e meu padrasto seguindo um tutorial do Youtube. O que não se aprende com o Youtube hoje em dia? Nada! Talvez eu devesse mandar Eliz assistir um tutorial ensinando como limpar a própria bunda. Seria bem produtivo para mim.

Passei pelo quarto e vi Lucas tirando o cochilo deitado no chão, com um travesseiro na cabeça e um cachorro de pelúcia gigante entre as pernas. Queria acordar e dar uns gritos nele, mas segui para o banheiro e limpei Eliz, ouvindo ela cantar a música irritante do Luccas Neto. Testando mais um pouco minha capacidade de resistência.

Puta que pariu, as vezes eu queria matar aquele cara! Eu conheci muitas músicas irritantes, meu irmão assistia os Teletubbies, mas as músicas do Luccas Neto me fazem estremecer.

Depois de limpar a pequena, mandei-a de volta para o quarto da avó e chamei Rafael.

— Meu filho, eu vou trabalhar lá em cima. Qualquer coisa chame sua avó ou seu pai.

Ele respondeu com um aceno de cabeça distraído. Eu sabia que o safado estava mais interessado no Gato Galactico no telefone do que no que eu dizia. Segurei seu rosto e repeti a informação, e ele só revirou os olhos para mim e disse em um tom monótono:

— Eu ouvi, mãe. Não sou surdo.

Eu já disse que pré adolescentes são piores que crianças? Eles são.

Voltei para meu banco duro e para o capítulo começado. Senti os deuses da inspiração surgindo pelas minhas mãos, que se posicionaram para começar a escrever. Mas de repente ouvi um barulho e alguém gritando na casa do vizinho. Algo sobre o cara estar bebado e não querer tomar banho. Achei tão divertido, a interação da mulher “Vai tomar banho, seu idiota!” e o cara rindo alto e cantando Borbulhas de Amor, que simplesmente parei e fiquei ouvindo. De alguma forma, aquilo me lembrou meu rio Rogério, que protagonizava cenas homéricas e divertidas regadas a álcool, quando eu era criança. Era uma lembrança deveras calorosa.

Antes mesmo de Borbulhas de Amor chegar ao fim, ouvi outro grito na escada. Dessa vez de Eliz.

— Mãe, eu posso comer biscoito de salgado?

Eram umas torradinhas temperadas que ela adorava e eu sempre guardava para a escola, por serem caras.

— Não, vá comer outra coisa.

Não deu um minuto e ela voltou.

— Posso comer banana amassada com leite?

— Pode.

Menos de um minuto dessa vez.

— Minha avó disse que você viesse colocar, porque ela está com dor na perna.

Óbvio que estava! Quando ela não tinha dor nas pernas? A mulher era tão fodida que se ela tivesse, que Deus me livre, uma morte cerebral prematura, nada se salvaria para doar. Talvez os rins. É… os rins. Ela tomava muita água. Ah, espera, cerveja acaba com os rins ou só com o fígado? Se acabar com os rins também, esquece a doação!

Desci para amassar a banana com leite, ainda ouvindo Borbulhas de Amor, agora misturada ao Luccas Neto e ao Dr. House, o seriado que minha mãe via na TV. Porque não bastava todas as 127 vezes que minha mãe havia assistido Dr. House ao longo daquele ano. House é sempre House.

Entreguei o prato para Eliz e retornei correndo para a escada. Antes de chegar lá em cima, ouvi Rafael falar.

— Mãe, posso comer banana também?

Puta merda!

— Pode, mas vai fazer sozinho!

Ele saiu correndo e assim que me sentei no banco, e coloquei o computador no colo, ouvi o baque de coisa caindo e minha mãe falando alto logo em seguida.

— Carol, seu filho derrubou o leite no chão!

Cocei a testa, prendendo um palavrão na garganta, e voltei a descer. O safado estava lá com a maior cara de deslocado, tentando equilibrar a vassoura e a pá para pegar o leite.

— Como merda você derrubou isso? — Falei pegando a vassoura, deixando ele com a pá.

— Caiu. Eu não tive culpa.

— Já ouviu falar de inércia? — Perguntei o que minha mãe sempre me perguntava, quando eu fazia algo de errado e dizia que não havia sido eu.

Rafael bufou e anuiu com o antigo tédio comum a ele.

— Já sei esse lance de inércia. E ela não me impressiona.

Que ousadia!

Depois que limpamos o chão de leite, e passamos água sanitária para não dar formiga, olhei ele colocar a banana e levar para comer junto da irmã. Só depois voltei ao andar de cima.

Mas a merda da inspiração estava me deixando. Só conseguia olhar para a página em branco e pensar em comer banana com leite.

Ai,que inferno! Praguejei antes de descer as escadas de novo e preparar um prato para mim. Foi quando Lucas levantou com o rosto inchado e veio se arrastando para a cozinha. Movido pelo sono e mormaço do calor da minha cidade, que fazia curva com o inferno, ele desabou na cadeira e começou um jogo no celular. Fiz que não tinha visto e retornei para cima com minha tigelinha de banana e o capítulo começado.

Borbulhas de Amor já tinha acabado, então achei que poderia voltar a me concentrar assim que terminasse a banana. Coloquei para rolar Friends no celular, enquanto comia, e quando dei por mim uma hora tinha se passado e nada de capítulo. Sentindo-me mal por isso, fechei o Friends e fui escrever.

A primeira linha saiu, antes que Lucas gritasse.

— Carol, onde está o shampoo da Eliz?

Bom, existem muitos lugares diferentes para procurar um shampoo, ainda assim gritei de volta.

— No banheiro. Se não estiver, tente o jardim. Ela tomou banho lá ontem.

Ele não voltou mais por aquilo, então imaginei que tinha achado, e escrevi mais algumas linhas da história, até que o homem retornasse.

— Viu a escova de cabelo dela?

Puta merda, qual a dificuldade dele em procurar as coisas? Homens parecem ter um tipo de viseira nos olhos constantemente. A essa altura eu já estava abusada e pronta para dar uma resposta feia e agressiva.

— Não. Se não encontrar a dela, use outra.

— Não estou achando nenhuma.

— Então deixe sem pentear!

Fui irônica, mas já estava de saco cheio daquilo. Ele saiu praguejando, e não retornou mais. Contudo logo Eliz começou a chorar e meu lado materno idiota não conseguiu ignorar o choro. Levantei e voltei a descer.

— O que foi, agora? — Perguntei irritada.

— O pai quer vestir uma roupa feia em mim. — Ela respondeu entre soluços, se jogando no chão do corredor. — Eu não quero.

— Então vista o que você quiser.

— Ele disse que não posso ir de roupa de piscina.

Roupa de piscina era como ela chamava o maiô.

Suspirei e fui até o quarto, tentando restaurar a paz, mas foi só olhar para o Lucas e entendi que não adiantaria. Ele não era muito fã de sair com os meninos, principalmente se cobravam isso dele. Resolvi que estava cansada demais para argumentar.

— Filha, veste o que seu pai mandar. — Falei e antes que ela abrisse a boca para chorar, eu emendei. — Se você vestir eu te dou um docinho.

Foi a melhor estratégia? Não, mas eu estava em desespero e estressada. Se tivesse que dar uma bomboniere inteira, eu teria dado.

Quando cheguei até a escada, para subir de novo, olhei para ela e gemi baixinho. Já estava cansada de tanto sobe e desce, e em uma escada toda assimétrica, era um trabalho muito mais hercúleo do que o normal. Então fiquei sentada no degrau, brincando com o passarinho e esperando que a turma saísse e o silêncio imperasse, o que não demorou muito.

Escutei o Rafa dizendo ao pai que não queria ir, e Lucas o deixou ficar sem insistência. Sendo bem sincera, de todo mundo, Rafael é o que menos trabalho me dá. Tanto que ele voltou com sua prancheta de desenho para o quarto e não me chamou em momento algum.

Quando não ouvi mais a voz de Eliz, olhei novamente para a escada, tentando resgatar a vontade, mas ela parecia ter me abandonado. E piorou quando minha mãe, dando uma de coitada, veio me pedir para comprar cigarro para ela do outro lado da rua.

Comprar cigarro era uma coisa difícil na venda aqui da frente. A dona, uma senhora de mais de sessenta anos, se vangloria de nunca ter fofocado sobre ninguém na vida, mas se você pisar lá, ela reclama do vizinho do lado, do da frente e da galera da esquina que você nem sabe quem é. Uma compra que demoraria cinco minutos dura meia hora entra a fofoca e ela te indicando remédios santos para curar ansiedade e depressão.

Quando volto para casa, meu nível de irritação já está no espaço. Entrego o cigarro, volto determinada para a escada, e desisto no meio do caminho, descobrindo que quero tomar um longo banho, deitar na cama e ver um filme de terror antigo. Provavelmente Sobrenatural.

E finalmente minha inspiração foi embora.

Talvez por isso Stephen King usava drogas, para se manter concentrado. Talvez por isso Hemingway se enchesse de daiquiris, para não ouvir sua família chamando por atenção. E talvez por isso se escuta falar muito mais de homens escrevendo um livro atrás do outro do que mulheres com filhos. A não ser que seja a Nora Roberts, mas eu ainda acho que ela é uma empresa de pelo menos cinco escritoras, de ghost writer, e não faz tudo sozinha. Tá, estou exagerando e tem ótimas exceções, mas estou irritada e preciso descontar em alguma coisa, e foi no fato de ser mulher e mãe.

Essa necessidade de ser sempre chamada para resolver os problemas dos filhos, e me sentir impelida a fazer isso, mesmo quando não me chamam, é cultural. Obra de anos de patriarcado estrutural que ainda não saiu das mulheres, mesmo que a gente lute tanto para descolar dele.

Talvez em outra vida eu tenha sido um escritor homem. Que deixava minha mulher se ferrar com a casa e os meninos enquanto trabalhava. Ser chamada a cada cinco minutos para remediar um conflito parental parece ser meu carma.

E a inspiração? Ela adivinha chuva e só vem quando o mundo parece conspirar para que eu não sente e trabalhe. Uma merda, né?

Enquanto isso estou deitada, de banho tomado, comendo pipoca e assistindo It, a coisa. Porque ficar lembrando de Stephen King me dizendo que faz um livro de mil páginas ao mês era uma ofensa pessoal, quando eu raramente conseguia acabar a primeira.



Ah… dane-se King e suas dicas babacas!

Não há segunda chance e como Harlan Coben pode ser previsível

 

Título: Não há segunda chance
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro (Cedido em parceria)
Saiba mais: Amazon

Sinopse: O que você seria capaz de fazer para salvar um filho?

Após ser gravemente ferido numa invasão à sua casa, o Dr. Marc Seidman desperta de um coma de quase duas semanas e descobre que sua vida foi destruída. A esposa foi assassinada. A filha, Tara, de 6 meses, desapareceu.

Depois de tanto tempo, parece impossível descobrir onde a bebê está, mas de repente Marc tem um alento ao receber um pedido de resgate. Só que o bilhete faz uma clara advertência: se ele falar com a polícia, nunca mais verá a filha. Não haverá segunda chance.

Sem ter a quem recorrer, Marc fica dividido entre a agonia e a esperança. E quando os investigadores passam a considerá-lo o principal suspeito dos crimes, ele precisa se lançar numa busca desesperada pela verdade não apenas para recuperar Tara, mas também para salvar a própria vida.

Com personagens envolventes e reviravoltas inimagináveis, Não há segunda chance é um livro de tirar o fôlego, no qual o suspense se sustenta até a última página.


 Esse deve ser o segundo ou terceiro livro do autor que leio esse ano, e é incrível como esses três tem uma estrutura semelhante. Tipo, semelhante de maneira desagradável. 

Tudo bem que já sei que Harlan tem uma receita de bolo quando se trata de construção narrativa, mas ainda assim eu sou cadelinha e acabo me impressionando com suas histórias. Mas não foi o que aconteceu com esse aqui. Acho que contando com ele, esse é o segundo livro do autor que me deixou meio bléh!

Nem acho que tenha sido um problema da história, mas talvez eu esteja cansada da formula, que ficou muito mais evidente nesses três últimos. Um pai tentando salvar um filho e sendo o principal suspeito? Era tão clichê para mim, dentro do universo de Coben, que eu cheguei a bocejar, algo difícil em se tratando dos livros dele. 

Sei que Não há segunda chance não foi um lançamento. É um livro antigo que a editora relançou na nova concepção de capa dos livros do autor. Então não posso afirmar se Coben melhorou com o tempo (eu acho que sim), porque de fato não sei como foi a ordem de publicação de seus livros. Tenho um xodó enorme pela série do Bolitar. Nos livros individuais sou muito fã de Cilada, mas nada além desses me pegou de jeito. Tiveram uns três que achei que engrenariam, mas não foram. 

Não recomendo começar a ler o autor por este livro. Ou sim, talvez o problema tenha sido justamente porque eu já conheço a linha dos livros do cara de cabo a rabo e achei cansativo. Mas se querem uma recomendação para começar com pé direito, vai de Myron Bolitar. Não tem como errar. 

Passou longe de ser meu livro predileto. Simpatizei com Marc, o protagonista, e com alguns coadjuvantes que iam aparecendo no caminho, mas li até o fim na força do ódio, porque não tinha qualquer interesse de saber como findaria a história, outra coisa muito rara em se tratando de livros de Coben. 

Enfim, esse eu deixo pela conta e risco de vocês.