Um Cavalheiro a Bordo e porque diabos esse povo não sai do clichê

Título: Um Cavalheiro a bordo
Autor: Julia Quinn
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Ela estava no lugar errado…Durante um passeio pela costa, a independente e aventureira Poppy Bridgerton fica agradavelmente surpresa ao descobrir um esconderijo de contrabandistas dentro de uma caverna.
Mas seu deleite se transforma em desespero quando dois piratas a sequestram e a levam a bordo de seu navio, deixando-a amarrada e amordaçada na cama do capitão.
Ele a encontrou na hora errada…
Conhecido entre a alta sociedade como um cafajeste e um corsário inconsequente, o capitão Andrew James Rokesby na verdade transporta bens e documentos para o governo britânico.
No meio de uma viagem, ele fica assombrado ao encontrar uma mulher na sua cabine. Sem dúvida sua imaginação está lhe pregando peças. Mas, não, ela é bastante real – e sua missão para com a Coroa o deixa preso a ela.
Será que dois erros podem acabar no acerto mais maravilhoso de todos? Quando Andrew descobre que Poppy é uma Bridgerton, entende que provavelmente terá que se casar com ela para evitar um escândalo.
Em alto-mar, as disputas verbais entre os dois logo dão lugar a uma inebriante paixão. Mas depois que o segredo de Andrew for revelado, será que ele conseguirá conquistar o coração dela?

Ok, acho que finalmente estou exausta dos livros da Quinn. Não acho que seja uma posição definitiva, ainda assim depois de ler esse livro eu parei e pensei porque diabos ainda to insistindo, se os últimos quatro ou cinco dela eu tenho achado tudo tão mais do mesmo. 

Esse até que segue uma linha diferente. Se passa no mar com um capitão e uma mocinha que só estava no lugar errado e na hora errada e acabou sendo cativa do navio dele, por algum tempo. Poppy é boca quente, o que renderam risadas consideráveis no início, e Andrew é o típico mocinho de contos de fadas, o que foi o motivo de me irritar. 

Mocinho de conto de fadas? Sério? O cara era capitão de um navio! Era para ter mais palavrões, cuspidas e coisas do tipo. E quando achei que a autora não me poderia me irritar mais por causa dele, me coloca uma posição de prestígio na sociedade para o cara, o que me faz pensar naquela velha coisa de que "porque diabos mulheres tem que ficar com os ricos e importantes?" Barões, condes e outros títulos que, na boa? Acho super entediante. 

Vim em busca de aventura piratesca, e até que encontrei um pouco no percurso desses dois, mas poderiam ter mais. Porque a mocinha não poderia ter se apaixonado por um pirata e virado uma também, abandonando o título? Porque tem que um lorde, senhor? Argh!!!!

E isso me irritou tanto na leitura que estragou o resto dela para mim. Terminei com um bocejo e prometendo nem tão cedo ler outro livro dessa criatura. É romance de época, e eles tem a tendência de ser clichê, mas, gente, dá para ser clichê e ter uma história fenomenal. Dá para criar romances incríveis de coisas pequenas e personagens extraordinários sendo bandidos e mocinhos ao mesmo tempo. 

Uma palavra para definir isso livro como um todo? Tédio. Tédio puro. 

Nem tão cedo peço algo da autora. Já deu! 

Onde mora o amor e porque uma sinopse é tão significativo

Título: Onde mora o amor
Autor: Jill Mansell
Editora: Arqueiro (Cedido em parceria)
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Sinopse: Dexter Yates adora sua vida despreocupada em Londres. Além de lindo e rico, mora em um apartamento chique e está sempre acompanhado de belas mulheres. Mas tudo se transforma da noite para o dia quando a irmã morre, deixando a pequena Delphi, de apenas oito meses.
Sem a menor ideia de como cuidar sozinho de um bebê, ele resolve se afastar da correria da cidade grande e se muda para sua casa em Briarwood.
Dex não está acostumado ao ambiente intimista do vilarejo, em que todo mundo se conhece e todas as histórias se entrelaçam. Os moradores o recebem de braços abertos, sobretudo sua vizinha de porta, a talentosa quadrinista Molly, que se oferece para ajudar com Delphi. Ela tem um passado amoroso catastrófico e muita cautela, mas nasce entre os dois uma inegável conexão.
Se Dex vai conseguir se adaptar a essa nova vida e encontrar o amor de verdade, ele primeiro terá muito a aprender: sobre Molly, sobre Delphi, sobre os segredos dos outros e, principalmente, sobre si mesmo.

A primeira coisa que você precisa saber desse livro sobre Dex e Molly é que ele quase não é um livro sobre Dex e Molly. E isso não seria ruim num todo, se a sinopse do livro não o vendesse dessa forma. Sabe no que penso quando a leio? Em propaganda enganosa. 

Temos, sim, esses personagens, mas o foco do livro não é exatamente eles. Brinca um pouco com o fato de Dex ter se tornado um pai de supetão e não ter ideia de como fazer isso funcionar, e também flerta com o personagem de Molly, suas aulas de desenho e a solidão interna. Mas isso é uma pontinha, e nem é das principais, visto que os personagens secundários ganham mais voz do que os protagonistas aqui. 

Não me entendam mal. Gosto de livros com múltiplas perspectivas e coisas diferentes acontecem com pessoas diferentes. O mundo é assim e acompanhar esse caminho encharcado de vivências é bom. Acho que pode ser de uma riqueza ímpar. Mas quando se vende um livro como um romance entre duas pessoas e elas quase não aparecem, nem mesmo são os personagens mais carismáticos da história, toda a ideia vendida do livro cai por terra. Interessei-me muito mais pela garota cujo pai tinha um segredo e pela dona do bar divertida e boca quente. 

Quando se vai escrever esse tipo de livro com múltiplos olhares, é importante que se defina se é isso o que se quer, e se for levar todos com a mesma consistência. E se a importância passa a ser pessoas específicas, fazer com que esses personagens ao redor girem em cima delas, e não fiquem jogados aleatórios, sendo conhecidos simplesmente por proximidade geográfica. No fim da história a autora termina conexões que eram para ter sido formadas muito antes. 

Então sim, a proposta do livro é deliciosa, e a escrita da autora é fluida e de bom gosto, mas acho que ela precisava ter trabalhado melhor no briefing desse livro. Entendo que amor existe de muitas formas, e que era isso o que queria dizer, mas se perdeu vendendo unicamente uma história de um casal, porque cria uma expectativa em quem compra por causa disso, e não é em cima deles que a história se desenvolve. 

Não gosto muito de Marian Keyes, mas tenho um perfeito exemplo do que estou falando sobre vender livros de maneira correta. Olhem só essa sinopse: 

Existe um misterioso espírito que paira sobre o edifício número 66 da Star Street, em Dublin, Irlanda. E esse espírito está em uma missão para mudar a vida de alguém. Em A estrela mais brilhante do céu, Marian Keyes demonstra mais uma vez sua técnica como uma dos grandes contadores de histórias da atualidade e sua vontade de ultrapassar limites na literatura.
Os inquilinos do prédio 66 formam certamente um grupo excêntrico. Na cobertura mora Katie, uma mulher de 39 anos que trabalha como relações públicas de cantores e que só se preocupa com o tamanho de suas coxas e se seu namorado irá propor casamento. No apartamento abaixo, dividem o espaço dois poloneses mais a engraçada Lydia. No primeiro andar está Jéssica, a octogenária que vive com seu malvado cachorro e o filho adotivo. Já no térreo estão os recém-casados Maeve e Matt, que por mais que tentem esquecer o passado, não conseguirão.

Viram que a sinopse vende histórias de diversas pessoas, e que o fato de estarmos falando de um edifício abre possibilidades para ainda mais delas? Isso é uma sinopse genérica para uma história sobre um tema ou um lugar, e não pessoas específicas. Esse tipo de sinopse deveria ter sido o caminho escolhido para o livro de Onde mora o amor. Ele venderia uma proposta mais aberta e com muitas possibilidades. 

Enfim, Onde mora o amor é um bom livro, mas passa longe de ser meu romance levinho predileto, dessa leva de romances de hoje da Arqueiro. 






Tempo de Regresso e porque amo minha irmã

Título: Tempo de Regresso
Autor: Kristin Hannah
Editora: Arqueiro
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Sinopse: Meghann Dontess é uma mulher atormentada pela tristeza e pela solidão, e não consegue lidar com a difícil decisão que tomou na adolescência e que a fez perder tudo, inclusive o amor da irmã. Advogada de sucesso, trabalhando com divórcios, ela não acredita em relacionamentos – até que conhece o único homem capaz de fazê-la mudar de ideia.Claire Cavenaugh está apaixonada pela primeira vez na vida. Conforme seu casamento se aproxima, ela se prepara para encarar a irmã mais velha, sempre tão dura e arrogante. Reunidas após duas décadas, essas duas mulheres que pensam não ter nada em comum vão tentar se tornar algo que nunca foram: uma família.
Sensível e divertido,Tempo de Regresso fala sobre os erros que cometemos por amor e as dores e as delícias que apenas irmãs podem compartilhar.

Ler Kristin Hannah é sempre um soco no estômago. Mesmo que a gente saiba o que esperar da escrita dela, e se blinde emocionalmente para o que está por vir, é inevitável se emocionar mais do que deveríamos. E olhe que Tempo de Regresso não é o melhor livro dela, ainda que tenha sido tão bom de muitas maneiras. 

Nesse livro a gente conhece a história de Meg e Claire, duas irmãs que foram separadas na juventude e que desde então vivem suas vidas sem muito contato uma com a outra, e sem saber como lidar quanto os vagos encontros acontecem. 

Um acontecimento une novamente essas irmãs, e elas vão ter que aprender a dizer o que esta entalado em suas gargantas há anos, e a conviver com o que fizeram e o que são hoje em dia. 

Kristin Hannah é especialista em construção de personagens. Em criar pessoas que você sente que poderia de fato conhecer, de tão verdadeiras que são. E não foi diferente com essas irmãs e com o relacionamento delas. Ainda assim, acho que esse livro merecia mais páginas voltadas a resolução de algumas problemáticas entre elas. Tipo... Meg tinha uma ideia fixa sobre casamento, mas quando isso surge na vida dela através de Claire e ela vai decidida a botar pontos nos "is", a mulher simplesmente esquece disso rápido demais. E também acho que Claire precisava passar por um tipo de mudança de personalidade, mesmo que por algo bem específico, mas isso não aconteceu. Enfim, dessa vez acredito que mais páginas teriam ajudado. 

De modo geral o livro é bom. Ele pesa bastante no drama, coisa comum na escrita da autora, e é inevitável que se derrame algumas lágrimas com ele. Sem contar que é um livro bastante rápido. Para quem andava numa ressaca horrível de leitura, comecei pela noite e acabei no outro dia pela manhã, respeitando total o meu sono. 

Ainda amo mais o As Coisas que Fazemos por amor, principalmente por ter um tema que sempre me toca bastante, mas Tempo de Regresso não fica muito atrás no quesito qualidade. Kristin Hannah em sua essência. 

A Chama de Ember e como autores podem ser criativos

Título: A chama de Ember
Autor: Colleen Houck
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Quinhentos anos atrás, Jack fez um pacto com um demônio e acabou condenado a uma eternidade de servidão. Como um lanterna, seu único dever é guardar um dos portais que levam ao reino imortal, garantindo que nenhuma alma se infiltre onde não é bem-vinda. Jack sempre fez um excelente trabalho... até conhecer a bela Ember O’Dare.Há tempos, a bruxa de 17 anos vem tentando enganar Jack para atravessar o portal. Insistente, sem temer os alertas dele, Ember enfim consegue adentrar a dimensão proibida com a ajuda de um vampiro afável e misterioso, e então tem início uma perseguição frenética através de um mundo deslumbrante e perigoso.
Agora Jack precisa resgatar Ember antes que os universos terreno e sobrenatural entrem em colapso e se tornem um caos.

Confesso que não sou uma fã da autora. Li o primeiro da série dos Tigres dela e achei um completo tédio. Gostei dos rapazes, mas tive um ranço eterno com a mocinha. É tanto que até hoje quando me perguntam qual mocinha eu menos gostei de um livro, eu vou responder que foi ela. Mas... a premissa de A chama de Ember era tão boa, que não deu para ignorar o livro. Não mesmo. Carolzinha aqui ama uma historinha com pé no terror, e ainda que não seja propriamente a ideia desse livro, ele baila bonito por mitos e lendas que amamos quando se trata do Halloween. 

A protagonista desse livro é Ember, uma bruxa bem atrevida que tomou como meta de vida descobrir um jeito de atravessar a ponte da cidade, que dá abertura para um mundo mágico que ela tem verdadeira paixão pela ideia de conhecer. Só que essa ponte é vigiada por um Lanterna, o Jack. Um ser mitológico que eu amava quando era criança, e que a autora até que retratou de um jeito bem bacana nesse livro. 

Jack vem observando Ember desde que era criança, e é fascinado pela garota. Mas não por isso ele a deixa atravessar a ponte. Sabe que do outro lado pode ser um perigo para a bruxinha, visto que os mundos mágicos são movimentados por luzes de bruxa, e ela anda escassa ultimamente. Só que Jack não contava que um vampiro carismático e muito amável (será?) ajudaria a menina a atravessar a ponte. Claro que ele tinha os motivos dele, que com o tempo caem por terra porque ele começa a gostar da menina. 

Temos triângulo amoroso? Temos, sim senhor! Estamos falando de Colleen Houck, e não seria ela se não tivesse o triângulo. Mas, olha, vou te dizer... Ele é tão sutil e sem peso na história, que dá para ler sem me irritar. E Ember, apesar de quase nada carismática, consegue ter um pouco mais de pulso quanto as suas decisões do que a protagonista da série dos Tigres tinha. Nessa garota eu realmente conseguia confiar. 

Toda a mitologia do livro é um deleite para quem curte fantasia do Halloween. Bicho papão, lobisomem, bruxas, vampiros, Jack Lanterna... Tudo isso conhecemos das nossas histórias infantis e a autora trabalha muito bem na trama. Claro que eu teria gostado mais se tivesse um pezinho na fantasia adulta, mas não dá para esperar muito de uma autora que escreve ficção para adolescentes, não é? Então a gente releva. 

O ritmo do livro também é um deleite. Tá, eu demorei a pegar gás. Na página 150 eu já estava em desespero porque não conseguia ler. Empaquei legal, mas depois disso a história flui bacana. Como disse, o tema também me fez agarrar nela com fervor. Eu tinha que terminar! Era uma questão de honra!

O livro também baila em cima de uma ideia Steampunk, outra coisa que amo. Em muitos momentos lembrou bastante outras séries no gênero que li, principalmente em termos tecnológicos, como Máquinas Mortais e o Protetorado da Sombrinha. Eu ainda gosto mais desse livro aqui da Colleen, mas não há como brigar contra monstros do Halloween, não é? Eles sempre vencerão para mim. 

Enfim, é um bom livro. Ainda não é genial, mas em se tratando de Colleen eu fico contente com o bom. Ele diverte bem e tem personagens delicinhas. 

A Padaria dos Finais Felizes e porque adoro livros de romance em lugares incríveis

Título: A Padaria dos Finais Felizes
Autor: Jenny Colgan
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Sinopse: Um balneário tranquilo, uma loja abandonada, um apartamento pequeno. É isso que espera Polly Waterford quando ela chega à Cornualha, na Inglaterra, fugindo de um relacionamento tóxico.Para manter os pensamentos longe dos problemas, Polly se dedica a seu passatempo favorito: fazer pão. Enquanto amassa, estica e esmurra a massa, extravasa todas as emoções e prepara fornadas cada vez mais gostosas.
Assim, o hobby se transforma em paixão e logo ela começa a operar sua magia usando frutos secos, sementes, chocolate e o mel local, cortesia de um lindo e charmoso apicultor.
A Padaria dos Finais Felizes é a emocionante e bem-humorada história de uma mulher que aprende que tanto a felicidade quanto um delicioso pão quentinho podem ser encontrados em qualquer lugar.


Sabe aquele tipo de livro que dá um calorzinho no peito? Esse é A Padaria dos Finais Felizes. E para quem leu o outro livro da autora, A Pequena Livraria dos Sonhos, vai se sentir em casa com essa narrativa. Uma vez lido algum livro da Jenny, é acolhedor ler qualquer outra coisa. Ela é o tipo de escritora que conquista mais com o estilo do que com a história em si, ainda que as histórias sejam lindinhas demais!

Nesse livro temos uma protagonista passando por um momento ruim da vida. Acabou de se separar do namorado e perder o emprego. Não tem dinheiro e precisa com urgência encontrar um lugar para morar. Como tudo na cidade está acima do que ela pode pagar, Polly acaba encontrando uma casinha em cima de uma antiga loja na Cornualha. Um lugar isolado do mundo na condicionante de ser acessado de acordo com o nível do mar. É lá que ela vai para se curar. 

Um adendo sobre Polly, é que ela ama fazer pão! Tinha isso como hobbie por muito tempo, e depois que chega a pequena vila e descobre que a única padaria da região produz um pão horrível, Polly começa a fazer com que isso vire mais do que uma paixão. E é por causa dele, e de um papagaio do mar, que ela começa a conhecer os habitantes da cidade, e a fazer parte da cidade como um morador de lá de fato. 

Os lugares que Jenny descreve em seus livros são todos de babar. Não seria diferente desse aqui. Não é só uma questão do ambiente ao redor, mas o ambiente que se constrói e molda um protagonista. É aquilo que sempre digo que dar vida ao lugar para torná-lo próximo ao leitor é essencial, e ela consegue isso magistralmente. Nunca quis conhecer muitos lugares da Europa, mas da minha curta lista acabei adicionando os dois cenários dos dois livros dela que li, tamanha paixão que fiquei por eles. 

Temos romance nessa história? Sim, temos! E temos tristeza também. Não achei que fosse ler um livro que soubesse pesar com delicadeza a dose de comédia, drama e e romance, mas esse conseguiu. Parecia que eu estava vivenciando a história, e não sendo apenas um observador dela. É mágica a maneira como essa autora escreve, e estou ainda tão encantada com tudo o que ela fez nos dois livros que li, que já a coloquei na minha lista de autores que não posso jamais esquecer. 

Indico com verdadeira idolatria! Qualquer um dos dois livros são incríveis! 



Mulher-Gato e porque toda garota deveria ser incrível assim

Título: Mulher-Gato: Ladra de Almas
Autor: Sarah J. Maas
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Sinopse: A Mulher-Gato da autora best-seller Sarah J. Maas é o que os fãs da personagem amam: forte, independente e única.No passado, Selina Kyle vivia no submundo de Gotham, cometendo pequenos delitos para sustentar a família. Quando a mãe a abandona, a jovem precisa tomar uma difícil decisão e entrega a irmã nas mãos de um casal que poderia cuidar bem melhor dela, longe da pobreza.
Dois anos depois, Selina retorna como a rica e misteriosa Holly Vanderhees. O que a trouxe de volta à cidade? E o que vai aprontar agora que tem como parceiras Arlequina e Hera Venenosa?
Com Batman fora em uma missão vital, Luke Fox quer provar que pode ajudar os habitantes de Gotham usando o disfarce de Batwing. Seu alvo é uma nova gatuna que se uniu às duas rainhas do crime. Juntas, as três instauram o caos.
Em meio a um jogo de segredos, mentiras e furtos, Selina se engalfinha à noite com Batwing, e se enrosca de dia com Luke Fox. Em uma trama que vai roubar o fôlego dos leitores, Sarah J. Maas mostra os primeiros momentos da ardilosa Mulher-Gato como uma das anti-heroínas mais ambíguas e amadas do mundo.

O nome de um autor pesa muito na hora de selecionar uma leitura. Só entendi isso quando acabei solicitando da editora Mulher-Gato. Apesar de amar loucamente todo o universo obscuro da DC, não tive qualquer vontade de ler os livros que estavam saindo pela editora, a série Lendas da DC. Mas esse... Ummmm... Sarah J Maas é dona de parte do meu coração, quando se trata de fantasia, então eu precisava ler para saber se meu affair com ela era só com as fantasias, ou com a escrita da autora de maneira geral. Descobri que é um pouco dos dois, mas a questão do gênero pesou muito para mim. 

Se você é como eu e já viu todos os filmes e séries do Batman, conhece o nome Selina Kyle. Nesse livro vamos acompanhar um pedaço da adolescência dela, quando participava de lutas para ganhar dinheiro e sustentar a irmã, e depois que ela faz um treinamento para se tornar uma ladra profissional. 

O livro é narrado por dois pontos de vista. Momentos por Selina, outros por Luke, um ex militar que trabalha junto do Batman, e assume os problemas de Gotham quando o vingador mascarado não esta na cidade, como é o caso no momento em que essa história está se desenvolvendo. 

Coisas valiosas começam a ser roubadas por um profissional que Luke não consegue pegar. Ao mesmo tempo ele começa uma amizade com a vizinha e charmosa que chegou na cidade, sem saber que possivelmente as duas são a mesma pessoa. 

O livro tem todo o clima de Gotham. Aquela coisa negra e melancólica que exala pelas páginas do livro com facilidade. Seja pela narração do clima ou sentimentos dos personagens. É fácil ler e se enxergar nas ruas do lugar onde sabemos que Batman combateu os vilões mais loucos e maravilhosos já criados pelas histórias em quadrinho. 

Selina é o tipo de personagem que certamente Sarah J Maas criaria: uma garota badass que não tem problema algum em ser independente do mundo ao redor dela. E Luke é o herói mocinho que todo mundo suspira. Juntos eles formam uma dupla arretada (usando uma expressão totalmente sertaneja para dizer que eles são incríveis). 

O desenvolver da história é gradativo e instigante. A gente fica querendo que eles se encontrem e se descubram quem são o tempo inteiro. Sem contar que, mesmo individualmente, são personagens que seguram bem qualquer história. 

Não dá para vir aqui e esperar uma Sarah J Maas como vimos em Corte ou Trono. Tirando pelas meninas incríveis, não há nada em comum nas histórias, e nem era de fato para existir. São contextos diferentes e sentimentos diferentes. Mas com certeza é um livro que diverte a beça, principalmente se você for fã do universo DC, como eu sou, e tem uma certa queda por Selina Kyle, como eu sempre tive. 

Resenha de "Uma Loucura e Nada Mais"(Mary Balough)

Título: Uma Loucura e Nada Mais
Autor: Mary Balough
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Mary Balogh já vendeu mais de 100 mil exemplares pela Arqueiro e é presença constante na lista de mais vendidos do The New York Times. Depois de sobreviver às guerras napoleônicas, Sir Benedict Harper está lutando para seguir em frente e retomar as rédeas de sua vida. O que ele nunca imaginou era que essa esperança viesse na forma de uma bela mulher, que também já teve sua parcela de sofrimento.
Após a morte do marido, Samantha McKay está à mercê dos sogros opressores, até que planeja uma fuga para o distante País de Gales para reivindicar uma casa que herdou. Como o cavalheiro que é, Ben insiste em acompanhá-la em sua jornada.
Ben deseja Samantha tanto quanto ela o deseja, mas tenta ser prudente. Afinal, o que uma alma ferida pode oferecer a uma mulher? Já Samantha está disposta a ir aonde o destino a levar, a deixar para trás o convívio com a alta sociedade e até mesmo a propriedade que é sua por direito, por esse...



Acho que depois do primeiro livro que li dessa série, sempre espero mais dos outros. Aquela maturidade que vi no primeiro e que tanto me encantou, afinal estávamos falando de ex combatentes de guerra, é o que provavelmente move toda a série. Ou pelo menos eu esperava que fosse. 

O segundo volume passou longe de ser tão incrível quanto o primeiro, mas esse terceiro se redimiu um pouco. Não sei se porque o achei mais dinâmico do que o livro de Vincent, mas ele funcionou para mim. 

Ben foi o Sobrevivente que ficou com limitação na perna. Ele não consegue andar muito bem, e esta em um momento da vida em que se enxerga bastante deslocado. Não se sente realmente um lorde, porque o título foi lhe dado após a morte do irmão mais velho, e tampouco consegue se sentir senhor das terras, já que o irmão caçula ficou tomando conta quando ele estava na guerra e agora não se acha no direito de pegar de volta. Então Ben resolve fazer uma viagem, e é nessa viagem que conhece Samantha. 

A mocinha é uma viúva de guerra que está no período de luto. Morando com uma cunhada que a mantem em rédeas curtas, Samantha também esta se sentindo oprimida. Passou anos tomando conta de um marido convalescente e agora com a família dele, ela quer se libertar. 

Quando Samantha fica sabendo que tem uma casa que foi deixada para ela em herança por familiares distantes, ela logo resolve fugir. E quem vai com ela para não deixar a donzela sozinha? Ben. O lorde intrigante que quase a atropelou com um cavalo e que esta passando uns tempos na casa da irmã, que por acaso é vizinha de Samantha. 

Então vamos acompanhar a viagem desses dois, com toda a tensão existente dentro de uma carruagem, até chegarem na linda casa dela na costa de uma praia bela na Grã Bretanha. 

Como falei, não foi um livro que superou o primeiro para mim. Tem personagens ótimos, o ritmo dele é melhor do que o do segundo, já que boa parte é uma viagem, e os acontecimentos também são gradativamente eficientes. As coisas acontecem de maneira a não deixar o leitor entediado. Tem até uma ou duas cenas bem emocionantes perto do fim. É um relacionamento que cresce bem, que desenvolve legal, e não senti hora alguma que a autora estava acelerando as coisas. 

E o lugar? Nossa!! Eu realmente podia sentir a casa de Samantha. Moraria tranquila naquele lugar. Amo livros que se passam em lugares assim, que a gente quase pode senti-los.

Gostei bastante do livro. Como disse, não se assemelha ao primeiro, mas esse tem toda uma logística que me agradou bastante como romance de época. 

"Esperança" e como um épico consegue ser cansativo

Título: Esperança
Autor: Lesley Pearse
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Sinopse: Inglaterra, 1836. O nascimento de Hope pode ser o prelúdio de um escândalo. Prova do adultério da aristocrata lady Harvey, a menina é entregue a uma das empregadas e cresce sem saber de sua verdadeira origem.
Porém, quando completa 14 anos e vai trabalhar na mansão dos Harveys, ela vê algo que não deveria e é forçada a fugir para os cortiços de Bristol, em meio à miséria e à doença.
Durante uma epidemia de cólera, a coragem e a gentileza de Hope provocam uma reviravolta em sua vida e ela se vê envolvida em uma guerra, cuidando dos doentes. Mas o destino parece ter outros planos para Hope, e logo a jovem precisará enfrentar os segredos por trás de seu nascimento.
Esperança é um romance impactante sobre uma mulher que, apesar de todos os empecilhos, mantém em seu coração o desejo de um dia encontrar a felicidade que tanto merece. 

Eu sou o tipo de leitora que costuma gostar bastante de longos romances. Épicos ao estilo E o Vento Levou me agradam em demasia, e por isso quando surge a oportunidade de conhecer novos livros desse tipo, eu me jogo sem medo. 

Gostaria de dizer que Esperança me conquistou como eu gostaria. Que eu simpatizei com a personagem e que torci por ela a todo instante, mas não foi bem assim. Em poucas páginas eu já estava de saco cheio de tanto sofrimento e tanto choro. Sério, curto drama, mas aqui o nível de desespero era alarmante. Eu revirava os olhos a todo instante. Entendo as pessoas terem vida difícil, mas quando elas só são difíceis nos livros me dá nervosismo. A vida do lado de cá já é desgraçada o suficiente. 

Entendo o contexto histórico e a trajetória da personagem ser tão longa e dolorosa. Hope, nossa protagonista, não é bem a protagonista, já que a história flerta com outros personagens o tempo inteiro, dando-lhes importância do mesmo modo que dá a Hope. Então não temos só a carga dramática de uma pessoa dentro desse meio, mas de várias delas, o que torna tudo mais trágico e difícil. É como se Esperança, o nome do livro, não fosse exatamente o nome da menina, mas tudo o que aquelas pessoas precisam para continuar. Foi um joguete interessante com a palavra, e não tiro o mérito da autora por isso. Na verdade não tiro o mérito dela por nada. 

Pearse é conhecida por ser uma ótima historiadora, e de fato é. A todo momento ela brinca com os acontecimentos reais, como o surto de cólera na Inglaterra, e a linha de trama dos personagens do livro. Acho isso de uma genialidade sem tamanho, e ganha vários pontos comigo por causa disso. Contudo, ainda que tenha diversos pontos positivos no livro, ele não me pegou. Eu sentia a todo momento que estava assistindo a um capítulo de uma novela mexicana, sabe? No estilo Maria do Bairro, o que deixou o livro extremamente cansativo para mim, ainda que eu tenha percebido de cara que o ritmo dele não é ruim, eu que provavelmente estava em dia ruim para ler um romance épico. 

Esperança tem o seu charme. Acho que a maioria das leitores de romance vai curtir. É longo, um pequeno tijolinho de mais de 500 páginas, mas tem muita coisa interessante e uma trajetória daquelas sofridas. Então se você for daquelas adeptas a esse tipo de livro, certamente vai gostar. Ele não se conectou comigo, mas sou mega chata, vocês sabem disso. Por isso, tratem de ignorar e arriscar. 

"Artemis" e uma grandiosa volta na lua

Título: Artemis
Autor: Andy Weir
Editora: Arqueiro (Cedido em parceria)
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Sinopse: ANDY WEIR, AUTOR DO BEST-SELLER PERDIDO EM MARTE, RETORNA COM UM THRILLER IRRESISTÍVEL - UMA HISTÓRIA DE ASSALTO NA LUA!Jazz Bashara nunca desejou ser uma heroína. na verdade, ela é uma criminosa, uma pequena contrabandista.
A vida em Artemis, a primeira e única cidade na lua, é difícil se você não for um turista ou um empresário rico, ainda mais se está com dívidas e seu trabalho mal cobre o aluguel.
Por isso, quando surge a oportunidade de ganhar uma enorme quantia cometendo o crime perfeito, Jazz não consegue recusar. A questão é que esse delito é apenas o começo de seus problemas, pois a fará cair no meio de uma conspiração pelo controle de artemis.
Impulsionada pela narrativa sarcástica da protagonista, ambientada em uma cidade imaginária, mas extremamente familiar, Artemis é outra mistura irresistível de ciência, suspense e humor de Andy Weir, o autor de Perdido em Marte

Tem quase quatro anos que li Perdido em Marte, e pela minha resenha vocês irão notar o quão sou apaixonada por aquele livro! O quanto ele me conquistou, mesmo com as muitas referencias técnicas sobre coisas que não compreendia. Ele é simplesmente DIVINO! Então era isso o que eu estava esperando de Artemis, e ainda que a essência de Andy Weir esteja presente na história, a maestria que vi no outro livro não está. 

Como a sinopse diz, vamos acompanhar a história de Jazz, uma contrabandista que mora na Lua e arranjou uma empreitada que pode salvar sua pele por muitos anos, já que tudo é muito contadinho por lá em relação ao financeiro. Ela não hesita em aceitar o serviço, mesmo que ele seja difícil e perigoso, e é ai que o ritmo da história se desenvolve. 

Uma das características marcantes do autor é a explicação para tudo o que seja científico. Ele sabe expor com louvor o ar da Lua, as condições respiratórias e biológicas de quem vive por lá, como sobre o mecanismo de motores de máquinas agrícolas imensas, tudo sem perder o salto. Se bem que ele poderia estar me xingando ali e eu não iria saber, porque são coisas das quais não entendo. Mas o fato dele se arriscar em explica-las tem o seu mérito, porque é certo que alguém vai entender, e deixa o texto mais rico, embora também cansativo. 

Algo que admirava em demasia em Perdido em Marte era o protagonista. O cara tinha um humor maravilhoso para alguém perdido em outro planeta, prestes a morrer. O humor dele foi responsável pelo ritmo ligeiro do livro. Mark foi o melhor protagonista que li em 2015, tamanho o grau de brilhantismo do cara, e não só pelo bom humor, mas pela construção de sua personalidade como um todo e da trajetória de vida. Então eu esperava que Jazz, protagonista de Artemis, tivesse ao menos metade dessa simpatia, e não foi o que aconteceu. E nem venham me dizer que é por ela ser uma contrabandista e ele um herói americano. Meus personagens prediletos costumam ser bandidos e ladroes, então não tenho problema algum com esse tipo de gente. Só que ela merecia mais, e poderia ser muito mais do que foi. Fiquei esperando isso, e me decepcionei um pouco com o resultado. Ela passa longe de ser tão carismática. Uma pena. 

O conjunto do livro num todo é bem eficiente. O cenário é incrível (uma cidade na LUA!!!) e o ritmo agradável. Ainda assim eu esperei mais. Esse é o mal de se criar expectativas com histórias, as vezes elas não se assemelham ao que se espera delas. Ainda assim, super recomendo os livros do Weir, principalmente se você gosta de ficção científica interplanetária. 

"Não conte a ninguém" e a corrida pelo final perfeito.

Título: Não Conte a Niguém
Autor: Harlan Coben
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Sinopse: RELANÇAMENTO COM NOVA IDENTIDADE VISUAL PARA CELEBRAR OS DEZ ANOS DE HARLAN COBEN NA ARQUEIRO.
Há oito anos, enquanto comemoravam o aniversário de seu primeiro beijo, o Dr. David Beck e sua esposa, Elizabeth, sofreram um terrível ataque. Ele foi golpeado e caiu no lago, inconsciente. Ela foi raptada e brutalmente assassinada por um serial killer.
O caso volta à tona quando a polícia encontra dois corpos enterrados perto do local do crime, junto com o taco de beisebol usado para nocautear David. Ao mesmo tempo, o médico recebe um misterioso e-mail que aparentemente só pode ter sido enviado por sua esposa.
Esses acontecimentos fazem ressurgir inúmeras perguntas sem resposta: como David conseguiu sair do lago? Elizabeth está viva? Por que ela demorou tanto para entrar em contato com o marido?
Na mira do FBI como principal suspeito da morte da esposa e caçado por um perigosíssimo assassino de aluguel, David contará apenas com o apoio de sua melhor amiga, da sua advogada e de um traficante de drogas para descobrir toda a verdade e provar sua inocência.

Coben é sempre aquele autor que me tira da ressaca. Os livros são rápidos e fluidos de um jeito sem igual. Nunca li nenhum autor policial que tenha o mérito de ter feito o que essa cara faz com os dele, e isso é um supor ponto positivo para mim, que sempre sei o que ler quando me afundo em um período pós livro complicado. 

Não sei se vocês sabem, mas os livros do Harlan estão sendo relançados pela Arqueiro. Aleatoriamente, estão saindo os da serie do Myron e os independentes, o que fico feliz porque vários já estão fora de catalogo ha um bom tempo. Foi dessa forma que o Não conte a ninguém veio parar em minhas mãos. 

Contando a historia de um medico que havia perdido a esposa alguns anos atrás, sequestrada e assassinada por um maniaco, e muito depois recebe um email que apenas ela poderia ter enviado, o livro vai mostrar a trajetória de David, o médico e marido, na investigação da morte da esposa e na descoberta dos diversos segredos que ela guardava dele no passado. 

Como disse, os livros do autor são maravilhosos para quem esta travado em alguma coisa. O ritmo é sempre bom e o desenvolvimento é ótimo. Mas se tem uma coisa que me irrita nos livros independentes dele, é que os finais deixam muito a desejar, coisa que não acontece com os da serie do Myron Bolitar. 

Veja bem, quando falo de final eu digo realmente as ultimas folhas da historia. A resolutiva da problemática está lá, mas nesses últimos três livros que li elas foram tao corridas que me deu agonia. E no caso de Não conte a ninguém ele joga uma big bomba no ultimo paragrafo, o que seria logico que ele refizesse alguns dos passos que não tinham sentido com aquela informação final. Eu fiquei lendo e vendo uma informação sendo jogada atras da outra e minha cabeça sem conseguir processar a a tempo de outra aparecer. A ultima delas foi o estopim para mim. Deixou-me realmente nervosa e frustrada. Como assim o livro termina daquele jeito? Como assim ele não vai me dizer mais nada? 

Pontos positivos são sempre o ritmo, os personagens que são bons e o desenvolvimento que é espetacular. O condutor até o final é sempre incrível. Jamais deixaria de ler um livro do Coben, mas depois desse vou começar a avaliar se minha vontade de ler os livros independentes é tanta assim. Talvez seja mais seguro ficar com os do Myron que são os meus xodós. 

"Até o Fim" e como um livro tinha tudo para ser o melhor do autor e não foi

Título: Até o Fim
Autor: Harlan Coben
Editora: Arqueiro (Cedido em parceria) 
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Sinopse: NOVO LIVRO DE HARLAN COBEN, AUTOR COM MAIS DE 70 MILHÕES DE LIVROS VENDIDOS NO MUNDO.Coben é conhecido como “o mestre das noites em claro" e é o único escritor a ter recebido a trinca de ases da literatura policial americana: o Anthony, o Shamus e o Edgar Allan Poe.
O detetive Nap Dumas nunca mais foi o mesmo após o último ano do colégio, quando seu irmão Leo e a namorada, Diana, foram encontrados mortos nos trilhos da ferrovia. Além disso, Maura, o amor da vida de Nap, terminou com ele e desapareceu sem justificativa.
Por quinze anos, o detetive procurou pela ex-namorada e buscou a verdadeira razão por trás da morte do irmão. Agora, parece que finalmente há uma pista.
As digitais de Maura surgem no carro de um suposto assassino e Nap embarca em uma jornada por explicações, que apenas levam a mais perguntas: sobre a mulher que amava, os amigos de infância que pensava conhecer, a base militar próxima a sua antiga casa.
Em meio às investigações, Nap percebe que as mortes de Leo e Diana são ainda mais sombrias e sinistras do que ele ousava imaginar.

 Dificilmente eu erro quando pego um livro do Coben para ler. Ele sempre é minha escolha quando quero algo com mais velocidade, e sempre esta nos pedidos com a editora quando aparece como lançamento, o que foi o caso de Até o Fim. E o que começou maravilhosamente bem, caminhando para se tornar meu livro predileto do autor, errou bonito no fim, o que me fez ter uma raiva maluca. Afinal, é Coben, e é sério quando digo que ele raramente erra. 

Em Até o Fim vamos conhecer um pedaço da história de Nap, um policial que tem uma tragédia familiar no passado, e que vive solitário na casa que seu pai deixou para ele quando morreu, fazendo de Nap o último remanescente da família, e um homem solitário que fez de projetos sociais e a família de sua melhor amiga como a sua própria. 

O livro já começa mostrando quem é o Nap e o que ele é capaz de fazer, e logo em seguida nos mostra que as impressões digitais da ex namorada, que sumiu na adolescência, apareceu em uma cena de crime, e mais, o assassinado era um ex amigo de escola dos dois. Era muita coincidência para ignorar. 

A partir disso Nap começa a investigar a morte do amigo e a aparição repentina da ex namorada, o que o leva a entrelaçar também à morte do irmão, que foi atropelado por um trem quando era adolescente. Todos os acontecimentos pareciam convergir para o mesmo lugar, e Nap não descansará até descobrir que lugar é esse. 

Sabe Stranger Things? O seriado? Bem, eu sou completamente apaixonada por ele, e acho que esse foi um dos motivos que me fez gostar tanto do caminho que a história estava tomando. Ela tinha uma nostalgia do passado, de adolescentes achando que eram donos do mundo em cidades pequenas. Da época da Guerra Fria, e aquele clima de conspiração norte americana no quesito experiências para estar à frente dos russos. Tudo era uma delicia de se ler.  

Contudo, apesar desse super ponto positivo, o livro ferrou com o final. Apressou as coisas, deu uma solução que o autor quis fazer com que fosse genial, mas para que mim soou como preguiça, e colocou um"remember crush"do passado do Nap que me fez revirar os olhos de agonia. Entenda, não possuo problemas nenhum com paixões repentinas e até acredito nelas, mas acho que Coben poderia ter feito melhor do que fez ali. Não combinava com a história, saca? Não combinava com o ritmo dela, e com quem Nap se tornou ao longo dos anos em relação as pessoas. Ele era desconfiado demais para isso. 

Enfim, não engoli o final do livro. Mas foi o finalzinho mesmo, as ultimas 20 páginas. Até então estava maravilhoso e caminhando mesmo para se tornar o melhor livro que li do autor. Uma pena. Mesmo. 


"O Destino das Terras Altas" e porque nem sempre uma capa linda é sinônimo de um livro bom

Título: O Destino das Terras Altas
Autor: Hannah Howell 
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: Em O Destino das Terras Altas, primeiro livro da série Os Murrays, Hannah Howell nos apresenta o esplendor da Escócia medieval com uma saga de guerra entre clãs, lealdades divididas e amor proibido.Quando o destino coloca Maldie Kirkcaldy na mesma estrada que sir Balfour Murray e seu irmão ferido, ela lhes oferece seus serviços como curandeira. Ao saber que tem em comum com sir Balfour um juramento de vingança, decide seguir com ele para cumprir a sua missão.
Mas ela não pode lhe revelar sua verdadeira identidade, sob o risco de ser acusada como espiã. Enquanto luta para negar o desejo que a dominou assim que viu o belo cavaleiro de olhos negros pela primeira vez, Maldie tenta a todo custo conservar o aliado.
Balfour, por sua vez, sabe que não pode confiar nela, mas também não consegue ignorar a atração que nasceu entre os dois. E, ao mesmo tempo que persegue seu objetivo de destruir Beaton de Dubhlinn, promete descobrir os segredos mais profundos dela e conquistar o seu amor. Para isso, não deixará que nada se interponha em seu caminho.


Saca aquele livro que a gente compra porque a capa e o título são maravilhosos? Esse é o caso de O Destino das Terras Altas. E é um daqueles episódios que a gente leva um toco dos grandes de decepção com a história. 

Balfour é o senhor de um grande clã, que tem um dos irmãos sequestrados pelo seu inimigo. Ao tentar resgatar o garoto, ele conhece Maldie, que é uma curandeira e que se tornou muito necessária quando o irmão do meio é ferido em combate. Só que ele não sabe nada sobre Maldie, e isso vai fazer muitas pessoas do clã erguerem a sobrancelha para ela, em desconfiança, enquanto a convidada está nas terras deles esperando Nigel, o irmão adoentado, melhorar. 

Esse livro teve muitas coisas que me irritaram, mas acho que a principal delas foi o insta love que acontece entre os protagonistas. O irmão do cara ta ali morrendo, no meio da estrada, e tudo o que ele consegue fazer é olhar para a mulher que brota do nada e notar como ela é linda e como ele a deseja. Sério? Tipo, sério mesmo? 

E depois disso é um relacionamento absurdamente mal construído e em cima de base alguma que seja estável. Hora Balfour é um grosso ridículo, e na outra cortês que passa dos limites, de tão enjoativo. Eu não engoli por um segundo o romance dos dois. Maldie se acha a forte que vai resistir a todos os homens porque não quer repetir os erros da mãe, mas tá ali na cama de um senhor que mal conhece e que tem um temperamento para lá de suspeito e imaturo. 

Insegurança é a palavra principal quando se trata de Balfour. Um senhor de clã, poderoso que só a porra, mas cheio de medos infantis acerca de coração e romance. Claro que as pessoas tem as suas fraquezas, mas como as ele dava agonia. Tenha dó, criatura! 

Para um romance de época, a melhor coisa foi sem dúvida as brigas entre os clãs. O mecanismo entre eles é uma maravilha de ler. Talvez se a autora tivesse tirado o foco de romance e colocado nas tramas entre os clãs, no estilo Game Of Thrones, as coisas teriam sido melhores. Nesse caso, ela trabalhou melhor isso do que qualquer outro segmento. 

Os protagonistas não tem qualquer carisma, o desenvolvimento do relacionamento é ridículo e o ritmo foi lento demais para mim. Então como romance de época, não rolou. Uma pena. 

Ainda planejo ler o segundo, porque gosto muito do Nigel e é dele que o livro vai falar. Mas esse primeiro, ao meu ver, foi um verdadeiro fiasco. 

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"Um Estranho Irresistível" e os melhores personagens de romance de época

Título: Um Estranho Irresistível
Autor: Lisa Kleypas
Editora: Arqueiro (Cedido em Parceria)
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Sinopse: A autora de best-sellers do The New York Times, Lisa Kleypas, lança o conto de uma jovem de beleza não convencional que encontra em um espião uma irresistível paixão.Uma mulher que desafia seu tempo.
Dr. Garret Gibson, a única médica mulher na Inglaterra, é tão ousada e independente quanto qualquer homem – por que não lidar com os próprios desejos como se fosse um? No entanto, ela nunca ficou tentada a se envolver com alguém, até agora. Ethan Ransom, um ex-detetive da Scotland Yard, é tão galante quanto secreto, e sua lealdade é um verdadeiro mistério. Em uma noite emocionante, eles cedem a uma poderosa atração mútua antes de se tornarem estranhos novamente.
Um homem que quebra todas as regras.
Ethan tem pouco interesse pela alta sociedade, mas é cativado pela preciosa e bela Garrett. Apesar da promessa de resistir um ao outro depois daquela noite sublime, ela logo será atraída para sua tarefa mais perigosa. Quando a missão dá errado, Garret usa toda a sua habilidade e coragem para se salvar. À medida que enfrentam a ameaça de uma traição do governo, Ethan fica disposto a assumir qualquer risco pelo amor da mulher mais extraordinária que já conheceu.

Um Estranho Irresistível vai contar a história de Ethan, um ex-detetive que hoje em dia faz alguns trabalhos escusos e misteriosos, e Garrett, a única melhor médica de toda a Inglaterra. Daí vocês podem me perguntar como isso se encaixa em uma série da família Ravenel, e vou precisar te responder que precisam ler para entender onde qualquer um dos dois se encaixam nisso. 

Tanto Garrett como Ethan aparecem em volumes anteriores da série, em momentos bem importantes dela, então se você leu os outros provavelmente deve saber de quem estou falando e deve ter algumas teorias acerca deles. 

Esse foi o livro da série com melhor construção, ao meu ver. Acredito que estou bem cansada da estrutura dos romances de época que leio, e esse veio como um fôlego para os demais. A mulher trabalha, é independente em algo além do controle da própria lingua. O carinha é irlandês, tem um passado misterioso e faz serviços estranhos para pessoas diversas. Ele em si é um completo mistério, e tirou toda aquela coisa de que estava acostumada de condes e duques e por ai vai. 

A condução do relacionamento deles é uma delicinha. Sexy na medida certa, e tensa quando precisa ser. Além de que, por ter um ex detetive na jogada, a gente sabe que o livro vai ter um pouquinho de ação, o que achei um verdadeiro deleite. 

Mas se teve algo que me deixou estressada aqui foi a reviravolta financeira que a autora dá a Ethan. De um homem pobre morando em um quartinho velho para... bom, vocês vão ter que ler. Mas já digo que isso me chateou o bastante. Dá a entender que toda e qualquer mocinha só pode ser feliz se for com um carinha endinheirado, e não é bem assim. Esses padrões me irritam absurdamente, e foi o motivo de ter tirado uma estrela do livro. 

Contudo eu digo e repito que ele vale a leitura. É diferente em coisas geniais, tem os melhores personagens de romance de época e a ação necessária para não te deixar cair no sono. Irritei-me apenas com a mudança de status de Ethan, mas nada que irrite as pessoas de maneira geral. Estou em um momento feminista, e talvez ler romances de época me deixam irritada num todo. Mocinhas seguindo regras ridículas de homens machistas. Argh! 

Mas, como disse, é um dos melhores que já li. 


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"A Caça" e os estranhos hábitos que os ricos tem

Título: A Caça
Autora: M. A. Bennet
Editora: Arqueiro
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Sinopse: O ano letivo começou e Greer ­MacDonald está se esforçando ao máximo para se adaptar ao colégio interno onde ela entrou como bolsista. O problema é que a STAGS, além de ser a escola mais antiga e tradicional da Inglaterra, é repleta de alunos ricos e privilegiados – tudo o que Greer não é.Para sua grande surpresa, um dia Greer recebe um cartão misterioso com apenas três palavras: “caça tiro pesca”. Trata-se de um convite para passar o feriado na propriedade de Henry de Warlencourt, o garoto mais bonito e popular do colégio... e líder dos medievais, o grupo de alunos que dita as regras.
Greer se junta ao clã de Henry e a outros colegas escolhidos para o evento, mas esse conto de fadas não vai terminar da maneira que ela imagina. À medida que os três esportes se tornam mais sombrios e estranhos, Greer se dá conta de que os predadores estão à espreita... e eles querem sangue.
Que a caçada comece!

Bom, ninguém pode negar que ricos tem formas estranhas de passar o tempo. A todo momento que lia esse livro ficava pensando que o problema desses guris era falta de um lavado de roupa para cuidar.  Resolveria rapidinho com uma surra de cinta e um dia de trabalho. 

Greer é uma novata nessa escola antiga e estranha de ricos. Ela é bolsista, e desde que chegou por lá ainda não fez amigos e se sente mega deslocada. Isso até receber uma carta misteriosa a convidando para passar o final de semana na mansão dos Warlencourt, a família mais galhada (entenda que galhadas aqui são super importantes) e podre de rica da escola. 

A premissa básica do livro é essa. Parece simples, né? E de fato é absolutamente simples. Não me incomodou o fato de ter uma premissa simples, já li muitos livros que a ideia era das mais banais, mas que ganhava corpo com o desenvolver da história. O que obviamente não foi o caso de A Caça. 

Para começo de história, acredito que cativar o leitor com os protagonistas é essencial. Se a história não é consistente o suficiente para cativar pelo enredo, então o protagonista precisa gerar empatia do leitor. Greer não conseguiu a minha. Talvez se o livro tivesse mostrado o antes de Greer com um pouco mais de entusiasmo, eu tivesse conseguido me conectar com ela. Mas tudo o que vemos é uma menina deslocada que aceita ir para um final de semana na casa de pessoas que não conhece, e que na real a despreza, por motivo nenhum em específico, mesmo recebendo um aviso assustador que ela não deveria ir. 

Quem merda aceita um convite desses? É por estar se sentindo deslocada? Na boa, guria, isso não é motivo o suficiente.  Os garotos são explicitamente escrotos, então que porra você vai fazer lá? 
Essas coisas me dão nos nervos. 

Também me deixou profundamente estressada a dinâmica na casa, no tal final de semana. Depois do dia da Caça era para todo mundo ter ido embora, mas foram? Não. E isso pareceu absolutamente normal. E daí isso se repete com os tiros, mas, de novo, pareceu normal todo mundo continuar na maldita casa, agindo como se tudo aquilo estivesse ok. 

Preciso dizer que o livro tem uma ideia interessante. Adolescentes com instinto de nazistas que acham que são melhore que os outros e que devem colocar cada um no seu lugar. Entendo isso, mesmo. Mas daí, como disse, a construção precisava ser mais sólida para me fazer acreditar em tudo o que estava lendo. No final das contas sabe o que senti? Que estava vendo um filme de sessão tarde que alguém teve preguiça de elaborar o enredo, e pior, que termina com um grande ponto de interrogação porque, aparentemente, deixar as pessoas na dúvida é maravilhoso. #sqn

Enfim, é um livro que tem uma ideia boa. Tenta ser interessante, mas peca com momentos bobos que caem nos enredos famosinhos de histórias de terror/suspense adolescente. Poderia ser infinitamente melhor. 

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Gatilho Emocional na escrita



Essa semana recebi uma inquietação de uma cliente em relação ao livro dela. Estava aflita por causa da nova história em que estava trabalhando.Achando que ela pudesse ter muitos gatilhos emocionais para pessoas suicidas, e que isso fosse deixar alguns leitores aflitos e com relutância em acabar o livro. O assunto gerou uma série de discussões saudáveis sobre o trabalho como escritor, não só com ela como com meus outros clientes. E achei o assunto abrangente e interessante o suficiente para vir falar com vocês também. 

O que é ser um escritor? 

Um escritor é um eterno catalogador do mundo em volta dele, e mais do que isso. Ele enxerga, compreende e usa o que vê ao redor como fórmula para escrever uma história. Normalmente o tema de um livro surge com uma inquietação humana. Em olhar pessoas passando por determinadas situações e achar que elas dão uma boa história. Às vezes até ele mesmo passou por coisas semelhantes e usa a escrita como um modo legal de externalizar isso e se livrar de alguns demônios (as vezes funciona. Minha terapeuta já indicou a escrita como tratamento). 

Se o livro tiver temas que provocam gatilhos mentais, como depressão ou estupro, por exemplo, é certo que ele vai atingir algumas pessoas mais fortemente do que atinge outras. Principalmente se as pessoas passaram por coisas semelhantes em suas vidas e veem isso como um problema ainda presente. Ou seja, não trataram dele como deveria. 

Usando minha própria vida como exemplo (gosto de fazer isso com vocês para que entenda que isso aqui é vida real), eu tenho sérios problemas em ler livros com crianças que morrem. Li um alguns anos atrás onde a mãe, protagonista da história, teve uma filha que morreu ainda bebê de problemas cardíacos. Isso me atingiu fortemente porque a minha primeira filha morreu do mesmo modo. Então é lógico que é um livro que vai me ferir muito mais do que feriria outras pessoas que não tiveram histórias semelhantes perto de si. E isso é normal. Todo ser humano tem grandes manchas sentimentais em suas vidas, e algumas feridas jamais cicatrizam. 

As vezes só em ler sobre traição e a pessoa entra em uma paranóia depressiva, porque passou por uma situação traumática envolvendo o assunto. Já esse tipo de questão não me atingiria em nada. Não da forma que atingiu essa pessoa. Entenderam onde quero chegar? Sempre alguém vai se sentir pessoalmente ofendido por uma questão tratada em algum livro, e você como escritor não pode se preocupar com isso ou jamais irá escrever. 

Colocando-me no papel de leitora, evito ao máximo livros que sei que tratam de crianças doentes ou pacientes com doenças terminais. As vezes acontece de não estar na sinopse ou de não saber nada sobre o livro e ser pega de surpresa. Nesse caso eu desisto de ler sem peso na consciência. Sei até onde posso ir com meu emocional e paro quando sinto que não vai me fazer bem. Mas jamais puniria o autor por esse motivo, como minha cliente estava se punindo por medo de atingir as pessoas. Porque a história estava lá, precisava ser contada e o autor aproveitou que ela lhe sussurrou ao ouvido. Aquilo que me fez mal, pode fazer bem a outras pessoas. Preciso respeitar isso e seguir adiante. 

Para se sentir tranquilo, o que você pode fazer é alertar no começo do livro que ele pode ter gatilhos para depressivos ou pessoas que sofreram abusos domésticos, por exemplo. Mas apenas se isso não for comprometer a surpresa do leitor com sua história. Se isso não for dar spoilers sobre ela. Se for, não coloque. E invés disso você pode, ao fim dela, dar uma solução para quem passa por traumas semelhantes. Números de Centros de Apoio é um bom exemplo. Apresentar a problemática e uma solução é o melhor modo de ajudar o leitor que viveu problemas desse tipo. 

Lembrem que nosso papel como escritor é contar uma história. Observar o entorno e registrar isso para que outras pessoas possam ter acesso a vida dos personagens que querem ser lidos. Como falei, mesmo que prejudique alguém por um momento, pode ajudar outros. Portanto não se limite como escritor por conta dos gatilhos emocionais. Tente não se preocupar com isso. Existe gatilho mais forte do que os jornais da TV? Acho que não, e ainda assim as pessoas insistem em ver. E aqueles que não gostam, simplesmente mudam o canal. O leitor tem que encarar a leitura difícil emocionalmente para ela da mesma forma. Se não der para digerir, simplesmente muda. A Tv não vai deixar de noticiar porque não te fez bem. Um autor também não pode deixar de contar uma história pelo mesmo motivo. 

Sejamos firmes quanto a isso, ok?



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Tiger Lilly e como pegar uma história batida e fazer uma obra prima

Título: Tiger Lilly
Autor: Jodi Lynn Anderson
Editora: Morro Branco
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Sinopse: Antes do coração de Peter Pan pertencer à Wendy, ele pertenceu à menina com penas de corvo nos cabelos...Tiger Lily não acreditava em histórias de amor ou finais felizes, até encontrar Peter na floresta proibida da Terra do Nunca. Diferente de todos que conhecia, ele era impulsivo, corajoso e fazia seu coração bater mais rápido. Mas como líder dos Garotos Perdidos, os mais temíveis habitantes da ilha, Peter era também uma escolha improvável para Tiger Lily. Ainda assim, ela logo se viu arriscando tudo - sua família e seu futuro - para estar com ele.
Com tantas diferenças ameaçando separá-los, o amor dos dois parece condenado. Mas é a chegada de Wendy Darling que leva a menina a descobrir que os inimigos mais perigosos podem viver dentro dos corações mais leais e amorosos.
Da autora best-seller do The New York Times, esse romance mágico e encantador entre uma heroína corajosa e o garoto que não queria crescer vai partir seu coração.

Eu imaginei duas coisas sobre esse livro. A primeira era que provavelmente iria gostar, já que sou aficionada em todo o universo da Terra do Nunca. A outra era que Tiger Lilly, a índia a qual eu não via graça nenhuma na história de Peter Pan, teria grandes chances de mudar meu pensamento sobre ela. Fico feliz em dizer que acertei duplamente. 

Esqueça tudo o que você sabe sobre A Terra do Nunca, Peter Pan, Gancho, os Meninos Perdidos, Wendy e Sininho. O que a autora faz aqui tem o pé em cima da história original, mas é muito mais do que isso. É uma mostra do quão diferente pode ser uma história, ainda que ela seja inspirada em algo que a gente cresceu ouvindo falar sobre. É uma desconstrução de ideia que carregamos desde sempre. 

Não vamos começar esse livro vendo três crianças felizes contando histórias de ninar em seus belas camas londrinas. Vamos ver uma garotinha orfã, que foi acolhida por um dos chefes de uma tribo e que agora é cuidada por ele. Trabalhando duro no lugar onde mora, e sendo prometida a um porco de homem porque foi esse o trato que o pai de criação dela fez ao trazê-la para morar com eles na tribo. 

Esqueça garotas delicadas que estão prestes a crescer e serem tratadas como damas. Aqui a protagonista é uma guerreira desde sempre. Do tipo que bate de frente com garotos e que causa medo ou inveja neles. Que é, de alguma forma, assustadora em muitos sentidos. 

Esqueça uma Sininho que joga pó mágico em cima das pessoas. Aqui a Sininho é uma narradora fiel que acompanha Tiger Lilly e Peter Pan em seus momentos. Que não tem poder algum de mudar qualquer coisa, e que funciona apenas como olhos da história desses dois para a gente. Sou grata a ela por isso. 

Esqueça mãos comidas por crocodilos ou Piratas sem propósito. Aqui o vilão é alguém de fé inabalável, só que nem sempre uma mesma fé funciona para todos os povos. Esqueça Terra do Nunca que se chega atravessando uma galáxia inteira na base do pó magico. Aqui o negócio é muito mais real e tangível, e quase pude acreditar que a Terra do Nunca era uma ilha comum escondida dos olhos simplesmente por uma neblina. 

Só duas coisas aqui são exatamente como na história original: Wendy Darling ainda tem aquele jeitinho cativante de fazer amigos e ser uma "mãe" para os Meninos Perdidos, e Peter Pan ainda é a figura antagônica dele mesmo. Nem bom nem mau. Nem certo nem errado. Vive como se tivesse a capacidade de sentir apenas uma coisa por vez, e segue firme com esse pensamento, não importando quem ele vai machucar no caminho. 

Tiger Lilly é um livro duro, por vezes difícil, mas real de um jeito que não achei que ele fosse ser. Eu senti muito mais personalidade nos personagens tratados aqui do que nos de James Barrie na história original. Aquela ideia onírica e suave aqui é tratada com uma crueldade real. Não que se perca todo encanto da magia, mas a magia aqui não tem nada a ver com poderes sobrenaturais, mas os reais que exercemos sobre as pessoas e sobre a natureza ao nosso redor. 

Terminei a leitura completamente apaixonada pela garota india, e com uma sensação de "deixa estar". Não era o final ideal para uma mente que ainda crê em romances em fantasia, mas era o final perfeito para essa história em específico. Era o final que ela precisava. 

Não tinha como dar outra nota que não fosse todas as possíveis. É um livro sobre possibilidades e que nem sempre precisamos de mágica para tomar decisões e ferrar com as pessoas por causa delas, ou usar a mágica para evitar isso em nossas vidas. Jodi desconstruiu toda a ideia de Terra do Nunca que eu tinha, e ainda que eu sinta que uma parte da minha infância se perdeu no caminho, eu ganhei um tipo extra de força adulta que me surpreendeu porque aconteceu por causa de uma história de criança adaptada por alguém que até um dia desses eu nem sabia quem era. 

Cativante e doloroso. Assim foi essa história para mim. Perfeita em cada pedaço dela. 



Personagens Quaterbacks de tirar o fôlego


Você aí, no mês de fevereiro, deve ter se deparado com alguma notícia do Superbowl, não é mesmo? Sim, aquela final do futebol americano cuja publicidade no intervalinho de poucos segundos vale mais que a minha vida e a sua juntas.
Então, reuni vários livros sobre o tema, porque afinal, quarterbacks ou não, a Jogada aqui é se eles têm pegada...

Livro Fair Catch - Meghan Quinn (não lançado no Brasil)

Olha, esse foi uma grande decepção. Porque começa promissor. A menina protagonista é o tipo atleta, bem torneada e bonita. Ou seja, tinha tudo pra ser a estrela do Campus junto com o Quarterback. Mas não, de forma bem criativa ela é justamente a garota mais introvertida da faculdade. Então, a primeira vez que o “estrela do time” a vê, ele se pergunta: que diabos eu estava fazendo que não vi esse deusa por aqui?
É bem original no começo, apesar de todos os outros recursos clichês que utiliza (cara popular e pegador). Mas quando finalmente eles cedem à Irresistível paixão lá pela metade do livro, a história antes legal fica chata e monótona.
Deus meu, acho que nunca li tanto “os músculos dos seus braços se flexionam de maneira incrível”. Tá fia, já entendi, esse cara aí tem um físico de lascar um coco, mas já deu... e os problemas criados para separar o casal são tão chinfrins que faria seu filho de sete anos se envergonhar. Pirraça é coisa de criança e não combina num universo new young!
Índice de fofurencia: 🤗
Índice de cenas quentes: 🔥(o exagero de “flexão de músculos” matou a química pra mim”
Índice de drama na medida: 😭(Protagonista + interessante do que o enredo)


O Jogador - Vi Keeland 
(Editora Charme)

Até hoje o melhor que já li (de futebol americano). Se souberem de algum tão bom quanto (e nesse tema) podem indicar nos comentários. A garota uma repórter esportiva. E que um dia vai entrevistar o famoso número 1 do futebol americano. Resultado? Enredo divertidíssimo, mas com certa preocupação em delinear o crescimento do relacionamento do casal (o que muitos NA esquecem de mostrar) e mesmo no quesito clichê: surpreende.
Índice de fofurencia: 🤗🤗
Índice de cenas quentes: 🔥🔥🔥(sobra química)
Índice de drama na medida: 😭😭(Protagonistas e enredo interessante)


Hate to love you - Tijan

Da famosa autora conhecida por excelentes new adults. Achei os personagens fracos apesar do enredo ser sutilmente original. Simples, com histórias do dia a dia que toda estudante universitária já viveu. Mas os protagonistas não tem química, nem mesmo são interessantes individualmente falando. E acho que foi muito mais por falta de abordagem profunda do que composição de suas características. Isso Deixou frágil a ligação entre eles e portanto, medíocre o romance.
Índice de fofurencia: 🤗
Índice de cenas quentes: 🔥(sem a química, não foi possível sentir aflição ou qualquer outro “ão” na história)
Índice de drama na medida: 😭
(Protagonistas não são chatos, só rasos)


A Jogada Perfeita - Jaci Burton 
Editora Angel 

Era pra ser sobre um bad boy regenerado. Acabou sendo mais um livro sobre um cara que só queria se aquietar. E foi isso. Uma mulher madura (com filho adolescente a tiracolo) cruzou seu caminho e assumiu o que muita mulher não quis antes: o homem por trás dos músculos de um quaterback profissional. 
Índice de fofurencia: 🤗🤗🤗
Índice de cenas quentes: 🔥🔥 (tem até excessos e cenas repetidas, mas vai lá, o cara é fofo)
Índice de drama na medida: 😭
(Mocinha não é chata, só não tava num momento bom)

E ai, qual o seu quaterback predileto? 
Vai lá no Instagram conversar com a gente!  @caroltelesbispo