Resenha de "O Prisioneiro do Céu" (Carlos Ruiz Zafón)

Título: O Prisioneiro do Céu
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Editora: Suma de Letras
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Sinopse: Barcelona, 1957. Daniel Sempere e seu amigo Fermín, os heróis de A sombra do vento, estão de volta à aventura para enfrentar o maior desafio de suas vidas. Já se passa um ano do casamento de Daniel e Bea. Eles agora têm um filho, Julián, e vivem com o pai de Daniel em um apartamento em cima da livraria Sempere e Filhos. Fermín ainda trabalha com eles e está ocupado com os preparativos para seu casamento com Bernarda no ano-novo. No entanto, algo parece incomodá-lo profundamente. Quando tudo começava a dar certo para eles, um personagem inquietante visita a livraria de Sempere em uma manhã em que Daniel está sozinho na loja. O homem misterioso entra e mostra interesse por um dos itens mais valiosos dos Sempere, uma edição ilustrada de O conde de Montecristo que é mantida trancada sob uma cúpula de vidro. O livro é caríssimo, e o homem parece não ter grande interesse por literatura; mesmo assim, demonstra querer comprá-lo a qualquer custo. O mistério se torna ainda maior depois que o homem sai da loja, deixando no livro a seguinte dedicatória: "Para Fermín Romero de Torres, que retornou de entre os mortos e tem a chave do futuro". Esta visita é apenas o ponto de partida de uma história de aprisionamento, traição e do retorno de um adversário mortal. Daniel e Fermín terão que compreender o que ocorre diante da ameaça da revelação de um terrível segredo que permanecia enterrado há duas décadas no fundo da memória da cidade. Ao descobrir a verdade, Daniel compreenderá que o destino o arrasta na direção de um confronto inevitável com a maior das sombras: aquela que cresce dentro dele. Transbordando de intriga e emoção, O prisioneiro do céu é um romance em que as narrativas de A sombra do vento e O jogo do anjo convergem e levam o leitor à resolução do enigma que se esconde no coração do Cemitério dos Livros Esquecidos.

E tem como não amar esse livro? Tem como não amar esse autor? Jesus, eu já estou órfã dele, porque nesse exato momento em que escrevo essa resenha, também estou lendo o último volume dessa série, e de um jeito bem lento para não precisar me despedir agora. Não estou pronta para isso, gente!

Acompanho Záfon há muito mais de oito anos. Lembro que foi mais ou menos na época em que perdi minha filha que ganhei o primeiro livro dele, A Sombra do Vento, e de lá para cá eu li simplesmente tudo o que lançou. Tudo mesmo! Ele é um dos meus prediletos e eu leria até bula de remédio. A Sombra do Vento me fisgou na época ao ponto de que quando terminei a primeira leitura, precisei voltar e ler tudo de novo, e li umas 3 ou 4 vezes desde então. Sou apaixonada por aquele livro! 

O autor diz que os livros são independentes, mas acho uma judiação dizer isso a um leitor atento. Acredito sim que eles devem ser lidos na sequência correta e acho que deveria ser a sequência que eu li. Cronologicamente com a história, O Jogo do Anjo viria antes, mas ele é um livro pesado - o mais pesado da série - e existe possibilidade de desistência se começar por ele. Acredito que ler A Sombra do Vento, O Jogo do Anjo e ir daí para Prisioneiro do Céu e Labirinto dos Espíritos seja a melhor maneira de entender a história enorme e incrível dessas pessoas. 

Nesse volume o foco maior é em Fermin, que é um personagem único na minha biblioteca mental até hoje. Ele é divertidíssimo e quem vê não sabe o que o coitado passou para chegar até ali e com aquele humor. Talvez por causa daquele humor ele chegou onde chegou. Outra pessoa teria enlouquecido. 

Se em A Sombra do Vento temos uma pincelada de quem é esse personagem, ele se revela totalmente em Prisioneiro do Céu. Eu  vejo muito esse livro como um fôlego antes do mergulho, saca? Ele foi necessário para ligar os pontos que eu não via como ter ligação na história dos Sampere. Já senti esse brilhantismo com O Jogo do Anjo e o depressivo David Martin. Mas foi nesse volume que percebi que meu amor por Zafón não é infundado. Tem motivo e um dos grandes. Ele é um brilhante construtor de enredos. 

Então sim, esse livro serve para preparar o terreno para a finalização da série do Cemitério dos Livros Esquecidos. Ele tem os fatos que levaram Fermín até Daniel, e depois que a gente entende fica de olhos marejados. Da dedicação e do amor empregados em uma única promessa, saca? Já disse que esse autor é brilhante? Ele é brilhante! 

Não posso dizer mais dessa história sem revelar demais, e talvez esse não seja meu livro predileto até o momento, porque A Sombra do Vento me apresentou a esse mundo e tenho uma ligação muito forte com ele, mas garanto que você vai crescer como leitor de Zafón depois dele, e se apaixonar mais ainda por Fermin e Daniel. 


Resenha de "Cidade dos Anjos Caídos" (Cassandra Clare)

Título: Cidade dos Anjos Caídos
Autor: Cassandra Clare
Editora: Record
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Sinopse: A guerra acabou e Caçadores de Sombras e integrantes do submundo parecem estar em paz. Clary está de volta a Nova York, treinando para usar seus poderes. Tudo parece bem, mas alguém está assassinando Caçadores e reacendendo as tensões entre os dois grupos, o que pode gerar uma segunda guerra sangrenta. Quando Jace começa a se afastar sem nenhuma explicação, Clary começa a desvendar um mistério que se tornará seu pior pesadelo.



Depois de ler esse livro fiquei pensando se meu tempo com essa série já não findou. Que apesar de amar com todas as forças Peças Infernais, eu tenho uma birra secular com Instrumentos Mortais que achei que não precisaria dar crédito depois que acabei o que chamamos de "primeiro trilogia dela", que para mim foi bacana na época em que li, e hoje já não sei mais porque gostei tanto. Porque ler essa segunda trilogia anda sendo um parto para mim, e que só estou lendo porque quero começar a ler Artifícios das Trevas e preciso terminar essa budega antes. 

O foco nesse volume é menos em Jace e Clary e mais voltada para Simon, e talvez por isso tenha sido um pouco mais fácil de ler do que está sendo o quinto volume. Gosto de Simon. Na verdade gosto muito de Simon. Certamente a pessoa que mais gosto nessa bagaça inteira. 

Não vou ter cuidado com o que digo aqui em relação a spoiler dos livros anteriores porque se você está lendo essa resenha, acredito que tenha lido os três outros. Né? Se não leu, procura as outras resenhas por aqui. Aliás, vou deixar linkadas abaixo dessa resenha. 

Simon é um vampiro, e foi marcado por Clary com um desenho que o torna praticamente inatingível. Achei isso simplesmente um máximo! Aquela coisinha pequena perto dos demais se torna grandioso de maneira gradativa sem parecer condescendente, como Jace é e que me deixa muito irritada. O vampirinho é simples e genial. Tem as melhores piadas, é inteligente, charmoso do jeito dele e tem uma maneira única de se relacionar com os demais ao redor. 

Nesse volume vemos a repercussão dele sendo um vampiro depois da bagunça final da batalha em Idris. As coisas se acalmando, e bate a real do que ele é e do que nunca vai ser. A reação da família e os casos amorosos com suas duas namoradas (que não sabem uma da outra). Tudo isso e mais uma pessoa que aparece para tentar Simon, coloca meu vampirinho predileto em xeque o tempo inteiro. Ainda assim, ele nunca sai do salto. 

Apesar de ter um foco enorme nele, não é só ele que vai dar vez a essa história. Claro que a autora dá um jeito de enfiar Clary e Jace em muitos momentos, inclusive criando a abertura da trama do próximo volume, onde ela mescla esse vai e vem de personagem com muita naturalidade. 

Penso que Cassandra tem um dom maravilhoso de tirar mais histórias dentro de suas histórias do seu próprio universo. Quando a gente acha que mais nada pode vir dos Caçadores de Sombra, ela aparece com pontas pequenas que deixou solta e que são capazes de ser tornar pontas enormes em próximos livros. Sou fã disso nela. E apesar de achar que talvez eu não tenha mais idade (oi?) para os livros da autora, tenho um carinho muito enorme pelo o que conquistei como leitora de fantasia ao lado dos livros dela, e por isso continuo e vou ler tudo o que ela lançar. Deus abençoe a cabeça dessa mulher! 

Meu livro predileto ainda é Cidade de Vidro, mas até que gostei da forma como ela iniciou esse outro ponto para uma nova trama. Simon era o melhor lugar para continuar, ao meu ver. E vamos seguindo, terminar essa série até no máximo março.

#1 - Cidade dos Ossos
#2 - Cidade das Cinzas
#3 - Cidade de Vidro

Resenha de "No Limite da Ousadia" (Katia McGarry)

Título: No Limite da Ousadia
Autor: Katie McGarry
Editora: Verus
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Sinopse: No limite da ousadia conta a história de Beth Risk, a amiga durona de Noah, de No limite da atração. Este livro é um spin-off, passando-se no mesmo universo do primeiro, com participações especiais de Isaiah, Noah e Echo.Se você já é fã de No limite da atração ou está descobrindo este mundo agora, certamente vai se deixar envolver pela paixão perigosa e arrebatadora de Beth e Ryan.
Beth é uma garota durona e tatuada que precisa cuidar da mãe drogada. Quando ela assume um crime para salvar a mãe, seu tio, um rico esportista aposentado, consegue a guarda da sobrinha e a leva para começar uma vida nova na cidadezinha do interior em que ele mora. E assim Beth se vê morando com uma tia que não a quer e frequentando uma escola onde ninguém a compreende. Exceto um único cara, que não poderia ser mais diferente dela...
Ryan é o menino de ouro — um badalado jogador de beisebol, filho de um dos casais mais influentes da cidade. Ele e seus amigos gostam de fazer apostas envolvendo desafios que devem cumprir, e Ryan nunca perde. Por fora o atleta popular que todo mundo adora, ele está prestes a aprender que nem tudo é o que parece.
O que começa como uma aposta se torna uma atração irresistível que nem Beth nem Ryan haviam previsto. Sem se dar conta, o cara perfeito vai arriscar seus sonhos — e sua vida — pela garota que ama. E ela, que não deixa ninguém se aproximar, vai se desafiar a apostar todas as fichas nesse amor.
Com aparições de Noah, Echo e Isaiah, de No limite da atração, este livro conta a história de um amor que vai se construindo aos poucos, num jogo sedutor de vulnerabilidade e confiança.

Não sei porque demoro tanto para ler os livros dessa autora. Eu adoro tudo o que ela faz! Amei No Limite da Atração, e também me apaixonei por No Limite da Ousadia. Talvez um pouco menos por esse do que pelo outro, mas ainda assim valeu cada página lida - e olhe que é um livro grande. Foi uma delícia rever os personagens que amei no primeiro volume. 

Se você leu o primeiro livro, certamente sabe quem é a Beth. A amiga linha dura de Noah. É sobre ela que esse livro vai focar, quando a garota deixar de morar no porão de sua tia e passa a viver com o tio famoso e ex jogador de beisebol. Uma vida muito mais confortável do que ela estava acostumada, mas não por isso mais fácil. Nova cidade, nova escola, novas pessoas, inclusive Ryan, um aspirante a jogador profissional de beisebol e um dos carinhas populares do colégio. 

Claro que existe aquela animosidade entre o casal a princípio. Beth é durona e Ryan é bem cheio de si. Isso gera uma quantidade enorme de problemas envolvendo os dois. Em muitos momentos me lembrou a relação de cão e gato de Lorena e Klaus em A Mais Bela Melodia. 

Eu gosto da construção de relacionamentos da autora. Ela foca no social dos adolescentes ferrados que cria sem perder a essência de que ainda são adolescentes, e isso é bem vívido nesse livro, observando Beth, que é muitooooo ferrada, se envolver com situações tão normais em uma escola nova. As vezes a gente só precisa sair de um lugar para a vida começar a melhorar. 

Ainda que ela se afaste de algumas coisas do passado, a menina não consegue fugir da mãe - o eterno problema da vida dela. Isso era até meio irritante. Sei que era mãe, mas puta que pariu, a mulher só ferrava com ela e ainda assim Beth estava sempre por perto. A única coisa boa dela ter esse laço grande com o passado é a ligação que tem com Noah e Isaiah, que acho uma das relações de amizade mais doentes e incríveis da literatura. Entenderam o que quis dizer com isso? Não, né? Tem que ler para entender. Não é algo que se explique. 

Ryan também não é o garoto perfeitinho que faz parecer. A casa dele é uma loucura constante, e a cobrança é pesada, graças ao que aconteceu ao seu irmão e que é um dos grandes mistérios no começo do livro. Como temos POV duplo com os dois personagens, entendemos a logistica de suas vidas separadas e o quanto eles precisavam um do outro para que pudessem segurar as pontas do que quer que fosse. 

Enfim, não estou tão ansiosa pelo livro de Isaiah, porque já me falaram que é o mais fraco da série, e porque pessoalmente não sou tão maluca pelo carinho, mas o lerei mesmo assim, porque acho Katie muito diva criando casais e cenas românticas, e sei que não vou perder 100% do meu tempo lendo um livro dela. 

Resenha de "Novembro 9" (Colleen Hoover)

Título: Novembro 9
Autor: Colleen Hoover
Editora: Galera Record
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Sinopse: Autora número 1 da lista do New York Times retorna com uma história de amor inesquecível entre um aspirante a escritor e sua musa improvável.Fallon conhece Ben, um aspirante a escritor, bem no dia da sua mudança de Los Angeles para Nova York. A química instantânea entre os dois faz com que passem o dia inteiro juntos – a vida atribulada de Fallon se torna uma grande inspiração para o romance que Ben pretende escrever. A mudança de Fallon é inevitável, mas eles prometem se encontrar todo ano, sempre no mesmo dia. Até que Fallon começa a suspeitar que o conto de fadas do qual faz parte pode ser uma fabricação de Ben em nome do enredo perfeito. Será que o relacionamento de Ben com Fallon, e o livro que nasce dele, pode ser considerado uma história de amor mesmo se terminar em corações partidos?

Aconteceu algo muito peculiar com a minha leitura com esse livro. O primeiro arquivo que peguei dele, veio com algum tipo de defeito. Ele começa exatamente pela grande revelação da história. Quando percebi que tinha algo de errado com o que estava lendo, já era tarde demais. Ou seja, quando peguei o arquivo correto, já sabia o que tinha acontecido, e isso quebrou um pouco da magia sempre presente quando leio os livros da Colleen. 

Nesse livro começamos conhecendo Fallon, que é filha de ator, ex atriz atriz, e que tem uma deformação provocada por uma queimadura no corpo, o que faz com que as pessoas não acreditem muito que ela tenha futuro na carreira do teatro. Principalmente seu pai. Então o começo do livro são eles dois conversando em um restaurante, e meio que se despedindo, já que Fallon vai sair da cidade para tentar a profissão na Broadway. Só que alguém se intromete no diálogo cheio de amargura de pai e filha e salva Fallon do constrangimento. Esse é o Ben. E estamos no dia 9 de novembro, o mesmo dia onde Fallon sofreu o acidente que prejudicou sua carreira alguns anos atrás. 

Depois de um dia inteiro juntos e numa intensidade imensa, eles marcam de se encontrar no mesmo dia, todos os anos. Sem troca de telefone, sem troca de contatos em redes sociais. Só a surpresa do ano seguinte. E assim é feito. Ano após ano, com vários problemas, com muita emoção, Fallon e Ben crescem como casal de maneira lenta e forte. 

Os casais da Collen são simplesmente adoráveis e críveis. Toda vez que leio um livro dela eu me apaixono por essas novas pessoas. Gosto de personagens intensos, e isso tem de sobra nos livros dessa diva. Ben e Fallon são maravilhosos juntos, e ésó o que a gente conhece deles, já que raramente temos momentos dos dois separados. Não é como muitos livros desse tipo que a gente vê como funciona a vida individual mesmo quando estão longes. Aqui é Ben e Fallon juntos. Sempre. 

Existe um grande acontecimento na história que vai moldar as decisões deles. E é um big acontecimento. Como eu peguei esse spoiler antes do livro começar, não foi a surpresa que eu gostaria que tivesse sido, mas ainda assim foi forte para mim. Muito forte. 

Esse não é meu livro predileto da Colleen. Tenho um amor maluco por Maybe Someday. Mas ainda acho que é uma história grandiosa, do tipo que aquece o coração, saca? Com ele eu fiz as pazes com a autora, porque tive sérios problemas com O Lado Feio do Amor e achei que não leria Colleen nem tão cedo. Vou seguir lendo, torcendo para que encontre mais livros do tipo Novembro 9, com os personagens incríveis e uma história aparentemente simples que se torna enorme. 

Resenha de "Não me abandone jamais" (Kazuo Ishiguro)

Título: Não me abandone jamais
Autor: Kazuo Ishiguro
Editora: Cia de Letras
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Sinopse: Kathy, Tommy e Ruth são clones criados para doar órgãos. Tendo esse cenário de ficção científica por pano de fundo, e o triângulo amoroso como gancho, Kazuo Ishiguro fala de perda, de solidão e da sensação que às vezes temos de já ser "tarde demais". Finalista do Man Booker Prize 2005. Kathy H. tem 31 anos e está prestes a encerrar sua carreira de "cuidadora". Enquanto isso, ela relembra o tempo que passou em Hailsham, um internato inglês que dá grande ênfase às atividades artísticas e conta, entre várias outras amenidades, com bosques, um lago povoado de marrecos, uma horta e gramados impecavelmente aparados. No entanto esse internato idílico esconde uma terrível verdade: todos os "alunos" de Hailsham são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição.
Assim que atingirem a idade adulta, e depois de cumprido um período como cuidadores, todos terão o mesmo destino - doar seus órgãos até "concluir". Embora à primeira vista pareça pertencer ao terreno da ficção científica, o livro de Ishiguro lança mão desses "doadores", em tudo e por tudo idênticos a nós, para falar da existência. Pela voz ingênua e contida de Kathy, somos conduzidos até o terreno pantanoso da solidão e da desilusão onde, vez por outra, nos sentimos prestes a atolar.

Esse foi um dos raros casos em que vi o filme antes de ler o livro. E se ao final do filme me senti fisicamente mal de tão triste que é, ao final do livro entrei numa ressaca horrorosa que durou muitos dias, porque é igualmente triste. E nem foi porque achei o livro genial, mas porque ele fala de temas fortes e que pessoalmente me deixam depressiva. 

A gente conhece a Kathy, que é essa mulher que trabalha como cuidadora. Logo no início você vai entendendo como era a infância dela vivendo em um internato ao lado dos amigos, e o momento em que eles descobrem que são clones. Foram criados unicamente para que seus órgãos possam ser usados por outras pessoas. Sem expectativa de vida alguma além do tempo que o corpo vá levar para definhar depois de tantas doações. 

E aos poucos a protagonista vai nos contando sua jornada desde quando criança até a fase adulta. Tudo o que ela ansiou, tudo o que descobriu e o que sentiu nesse tempo. O quanto pensou em lutar contra isso, e quão inútil era tentar. 

Essa história me faz lembrar muito de A Ilha. A mesma proposta de um grupo de pessoas criadas unicamente para servir as necessidades de outras, quando se ignora por completo que essas pessoas criadas também tem sentimentos. Na ideia de A Ilha, é preciso que se tenha vivências humanas para que o corpo sobreviva e os órgãos tenham utilidade. Acho que a ideia é semelhante ao de Não me Abandone Jamais. Não basta um pulmão criado em laboratório. A diferença é que nesse livro eles sabem disso desde o princípio, e isso gera anos de tristeza e depressão. 

A morte é uma coisa com a qual não lido bem. Em hipótese alguma eu lido bem com ela. Então evito todos os livros que tenham essa temática. Infelizmente não estou preparada para me despedir de ninguém, inclusive personagens de livros. E é muito triste ver que eles estão indo aos poucos. É como se arrancassem pedaços do leitor pouco a pouco, como fizeram com os personagens. 

Ainda que eu adore a ideia do livro em geral, e de como o autor trabalhou com delicadeza tudo isso pelos olhos sensíveis de Khaty, eu achei o ritmo desse livro extremamente lento. Ele não tem picos de acontecimento, e isso cansa pra cacete o leitor. Ao ponto de me pegar dormindo com frequência quando sentava para lê-lo. Isso me fez tirar estrelas dele. Esperei um pouco de luta por parte desses doadores, mas isso não acontece. A luta aqui é interna, e isso gera um desconforto em quem lê. Do tipo... Como deve ser horrível viver sem esperança de nada. 

Enfim, é um livro forte, que levanta questionamentos fortíssimos sobre existência e o que você faria para se salvar e salvar alguém que ama ( e aqui me coloco no lugar de quem receberia um órgão de uma pessoa assim). O quanto somos selvagens em comunidade, ainda que nos julguemos civilizados. 


Resenha de "O Ódio que você semeia" (Angie Thomas)

Título: O Ódio que você semeia
Autor: Angie Thomas
Editora: Galera Record
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Sinopse: Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro necessário em tempos tão cruéis e extremos.Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial.
Não faça movimentos bruscos.
Deixe sempre as mãos à mostra.
Só fale quando te perguntarem algo.
Seja obediente.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto.
Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos - no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início.
Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa.
Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. Este é um livro que não se pode ignorar.

Tem livros que conversam com pessoas específicas. Que uma parte dos leitores gostam, e uma parte tende a odiar. O Ódio que Você Semeia é do tipo atípico onde eu procuro uma única pessoa que não tenha gostado desse livro, e simplesmente não encontro. Porque ainda que ele possa ter uma ou outra coisa não tão legal, ele é composto em sua maioria de outras tantas incríveis. 

O livro já começa nos mostrando um pouco do social onde Starr vive. Grupo de jovens negros em uma festa negra e em um bairro de negros, o que quase sempre termina em briga e pessoas fugindo para todos os lados, porque uma briga por ali certamente acaba em tiros, seja dos jovens ou da polícia. 

Ela sai da festa acompanhada de seu amigo, Khalil, e que no caminho de casa acabam sendo abordados por um policial, que, numa confusão de entendimento, atira no garoto e o mata. Isso deixa Starr completamente abalada por bastante tempo. Até ela começar a entender a responsabilidade que tem nas mãos, já que o policial vai ser investigado pela morte do menino. Ele alega que atirou em legítima defesa, mas Starr sabe que simplesmente agiu por impulso e movido ao preconceito contra os negros. 

Falando assim parece que o livro vai focar em ativistas raciais, e isso não é de um todo verdade. Creio que o foco dessa história é como a morte desse amigo vai pesar nas costas de Starr, e não apenas por ter perdido aquele amigo em específico, mas por entender que esse tipo de situação é recorrente no meio onde vive. Em constante vigilância, por medo de que uma bala perdida a atinja, ou uma bala que não era perdida, e que ainda assim poderia não pertencer a ela pragmaticamente falando. E o pior, é que ela está acostumada com essa rotina. Todos eles estão, mas será que isso quer dizer que é o certo? Será que essa responsabilidade é boa? Afinal, que poder uma única pessoa tem de mudar um sistema inteiro?

Essa situação racial pesada que os EUA ainda hoje vive é muito bem retrata não só em livros como em filmes. Tem um específico que amo chamado Escritores da Liberdade, e que fala um pouco sobre essa divisão de gangues. No caso daquele filme o foco não são os negros, mas dá para entender como a cabeça deles funciona. Como dentro de cada gangue existe um universo inteiro e regras mais rígidas do que em escola da década de 50. Matar pode ser a única saída para não morrer, e quando o assunto é nossa sobrevivência, vale tudo, meu amigo. 

Se comparar com o que acontece no Brasil, somos samba de gafieira perto da logística cultural negra deles. Não que aqui não haja racismo, mas na maioria das vezes acaba em frevo, saca? Somo um país bem mais diversificador racialmente, e isso é refletido no tanto de preconceito que existe. A comunidade negra aqui é grande demais para que seja excluído da maneira que eles são nos EUA. Ou o brasileiro é preguiçoso demais para pensar muito sobre dividir uma sociedade por causa da cor da pele. Existem diferenças sociais enormes, e com gangues no meio - vide favelas - mas lá tem de tudo quanto é cor. O que você tem no bolso pesa mais por aqui do que a melanina no seu braço. 

O Ódio que você semeia é um livro que te coloca para pensar. Sem grandes acontecimentos no decorrer da trama, até porque ele já começa com um grande acontecimentos, vamos vendo o dia a dia da família de Starr, e seu relacionamento com as pessoas do colégio de brancos onde estuda. O choque cultural que é quando ela vê a vida das amigas e compara com a sua própria. Não que ela reclame, porque Starr passa longe de ser uma menina birrenta, mas a faz pensar sobre quem ela é para o mundo e para aquelas pessoas que maquiam uma realidade que na verdade não existe fora da escola. 

Eu poderia passar um dia aqui falando sobre o quão incrível foi esse livro. A ideia real e palpável dele, a forma como a autora trabalhou com delicadeza as nuances possíveis e verdadeiras de quem vive essa realidade, todos os personagens que cercam Starr o tempo inteiro (principalmente o pai dela, que passou um tempo numa prisão, tem uma visão bem fechada sobre algumas coisas, mas ainda assim é um puta pai). Enfim, não há muito o que me queixar aqui. 

Mas, como sou uma pessoa bem chata, eu senti que o final pedia um pouco mais. Ele passa longe de ser ruim, ok? Mas ele vai gerando um crescente incrível e de repente estaciona geral e de maneira pouco conclusiva. Pode ter sido ideia da autora? Sim, pode, mas isso me incomodou ao ponto de procurar mais páginas ou um epílogo onde não existiam. Fora isso, o livro é escandaloso de bom. 

Sobre ter o título no original na capa do livro, achei genial depois que li e entendi o que significava esse título para a história, e para entender um pouco de Khalil, porque quando o autor é foda basta uma sigla para te entregar um personagem inteiro. <3

Muito, muito bom!


Resenha de "Uma Tocha na Escuridão" (Sabba Tahir)

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Título: Uma Tocha na Escuridão
Autor: Sabaa Tahir
Editora: Verus
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Sinopse: O segundo livro da história épica e eletrizante sobre liberdade, coragem e esperança. Ambientado em um mundo brutal inspirado na Roma Antiga, "Uma Chama Entre as Cinzas" contou a história de Laia, uma escrava lutando por sua família, e Elias, um soldado lutando pela liberdade. Agora, em "Uma Tocha Na Escuridão", ambos estão em fuga, lutando pela vida. Após os eventos da quarta Eliminatória, os soldados marciais saem à caça de Laia e Elias enquanto eles escapam de Serra e partem numa arriscada jornada pelo coração do Império. Laia está determinada a invadir Kauf, a prisão mais segura e perigosa do Império, para salvar seu irmão, cujo conhecimento do aço sérrico é a chave para o futuro dos Eruditos. E Elias está determinado a ficar ao lado dela - mesmo que isso signifique abrir mão da própria liberdade. Mas forças sombrias, tanto humanas quanto sobrenaturais, estão trabalhando contra eles. Elias e Laia terão de lutar a cada passo do caminho se quiserem derrotar seus inimigos: o sanguinário imperador Marcus, a cruel comandante, o sádico diretor de Kauf e, o mais doloroso de todos, Helene - a ex-melhor amiga de Elias e nova Águia de Sangue do Império. A missão de Helene é terrível, porém clara: encontrar o traidor Elias Veturius e a escrava erudita que o ajudou a escapar... e acabar com os dois. Mas como matar alguém que você ama desesperadamente?


Um século depois que li o livro, resolvi desencalhar essa resenha. Na época em que li não conseguia articular as ideias de maneira que me deixasse feliz, afinal esse foi um dos grandes livros do ano e todo grande livro é difícil de resenhar. Mas hoje, relendo os trechos que marquei e sorrindo a toa, percebo que mandar minhas ideias de maneira aceitável é melhor do que não mandar de maneira alguma. Porque essa série da Sabba precisa ser conhecida pelo mundo, e também sou responsável por propagar isso. 

Como se trata de um livro do meio, não tenho como falar muito sobre o que acontece neles para vocês. Entendam que o primeiro terminou de forma desesperadora, e que esse segue exatamente onde aquele parou, na fuga de Elias e Laia para salvar o irmão dela. 

Se eu amei o primeiro livro porque a autora me apresentou um mundo muito bem construído e visto pelos olhos incríveis dos dois protagonistas, eu amei esse aqui porque ela expandiu ambos: tanto o mundo, quanto Elias e Laia. É visível o crescimento deles dois ao longo da jornada do herói, e o quão ligados ficamos ao universo geográfico e cultural criados pela autora. 

Não há um minuto para recuperar o fôlego nessa história. É uma porrada atrás da outra, e daquele tipo que te tira do chão e te faz dizer um ou dois palavrões. Não há como negar que a autora tem uma facilidade impressionante de fazer ligações incríveis entre coisas e pessoas. Não só tem o dom da escrita, como de construção de enredo, e isso anda sendo difícil de achar em autores de fantasia. 

O relacionamento de Elias e Laia é uma das coisas mais deliciosas dessa história. E quando me refiro a relacionamento não necessariamente me refiro ao contexto homem/mulher, mas a amizade que eles criam. Porque no primeiro livro vemos isso começar a se formar, e com muita desconfiança de ambas as partes. Nesse ela se firma com vontade, não abrindo espaço para mais ninguém entre eles. São aliados, amigos e porque não dizer, apaixonados. 

Gosto de fantasias com coadjuvantes necessários, e certamente que temos alguns deles aqui. Do tipo que você tenta entender seus objetivos e até torce por eles, por mais que estejam no "lado negro da força". E no caso de Uma Tocha na Escuridão, temos o ponto de vista extra de Helene, o que me deixa de orelha em pé ao que a autora vai fazer com ela mais lá na frente, já que está dando essa importância toda. Acredito que inserir esse POV se deva muito a nos fazer ver como anda o avanço do outro lado da história, mas ainda assim estou receosa. 

Ainda não sou fã de Laia, que é meio "mimada" demais para alguém que passou pelo o que ela passou. Mas meu amor por Elias supera e muito meu "não amor" por Laia. Então está tudo certo. 

O final desse livro deixa um gostinho de quero mais. Algo que queríamos desde o início acontece em relação a Laia, e algo inesperado em relação a Elias também, o que me faz pensar sobre o futuro desse personagem, e como ele vai fazer para se livrar do imbé em que colocou. Só Sabba sabe como será isso, mas no momento queria ser uma mosquinha rodando pela cabeça dela. 

Enfim, esperando ansiosa pelo próximo volume da série. Se a autora fizer com ele o que fez com os outros dois, tenho certeza de que vou adorar. 

Mapa Mental para Escritores


Bom dia, pessoal!
Hoje trago para vocês um vídeo que gravei falando como funciona a primeira parte do meu processo como escritora depois que tenho a ideia de um livro, que é o temível mapa mental.

Mapa mental, ou mapa da mente é o nome dado para um tipo de diagrama, sistematizado pelo psicólogo inglês Tony Buzan, voltado para a gestão de informações, de conhecimento e de capital intelectual; para a compreensão e solução de problemas; na memorização e aprendizado; na criação de manuais, livros e palestras; como ferramenta de brainstorming (tempestade de ideias); e no auxílio da gestão estratégica de uma empresa ou negócio.Os mapas mentais procuram representar, com o máximo de detalhes possíveis, o relacionamento conceitual existente entre informações que normalmente estão fragmentadas, difusas e pulverizadas no ambiente operacional ou corporativo. Trata-se de uma ferramenta para ilustrar ideias e conceitos, dar-lhes forma e contexto, traçar os relacionamentos de causa, efeito, simetria e/ou similaridade que existem entre elas e torná-las mais palpáveis e mensuráveis, sobre os quais se possa planejar ações e estratégias para alcançar objetivos específicos.

Usado inicialmente em empresas e nos estudos, o mapa mental auxilia ao leitor a sintetizar as ideias de forma melhor absorvida pelo cérebro, que torna visual o conteúdo que até então era decoreba, fazendo com que sua absorção fique mais fácil e didática. 
O mapa mental é uma técnica muito útil não só para estudar, mas para resenhar livros - uso bastante com livros mais complexos - e para escritores que querem montar uma espinha de suas histórias. Isso foi interessante para mim, então resolvi mostrar a vocês como começo. 
Lembrando que o mapa mental é minha primeira ação depois que tenho uma ideia sobre um livro. 


Para pirar o cabeção! Série "Dark"



Sinopse: A história acompanha quatro diferentes famílias que vivem em uma pequena cidade alemã. Suas vidas pacatas são completamente atormentadas quando duas crianças desaparecem misteriosamente e os segredos obscuros das suas famílias começam a ser desvendados.
Sabe aquele tipo de filme que você assiste e quando termina se sente burro por não ter entendido o que ele queria passar? Foi justamente o meu caso com Dark. 

Já passei por situações semelhantes com Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Amnésia e um ou outro filme de Lars Von Trier. Filmes que precisei de mais de três ou quatros assistidas, além de discussões em fóruns, para entender o que o diretor queria que eu entendesse. Porque ainda tem isso... O que você interpreta de uma história não é exatamente o que deveria. A arte é sempre subjetiva, mas eu gosto de entender a visão de quem entrega uma proposta ousada, como foi o caso de Dark.



A história de Dark se concentra em alguns desaparecimentos em uma cidade alemã. Aliás, é uma série alemã, então se preparem para nomes esquisitos de lugares e de pessoas. Principalmente de pessoas, e essa foi uma das problemáticas que tive em específico com essa série. Tenho problemas com o que sai do meu cotidiano, e certamente que pessoas com consoantes demais no nome é complicado para mim. E devo alertar que a quantidade de personagens também pode confundir, ainda que eles não se percam na trama. São muitos, e em diferentes momentos "históricos", então sim, anotar esses nomes seria uma boa dica para uma segunda assistida.


Apesar das inúmeras comparações com Stranger Things, inclusive por parte da própria Netflix quando anunciou a série, falando que quem gostava de Stranger iria gostar de Dark e colocando fotos promocionais de grupos de adolescentes como chamariz, Dark segue caminhos diferentes dessa proposta. 
A coisa aqui é bem mais sombria do que em Stranger. Enquanto Stranger foca na nostalgia e amizade entre garotos, em Dark temos, a priori, o individualismo externalizando em ações aterrorizantes. Ainda que o sobrenatural seja um forte "horror" na série, são as ações das pessoas que realmente contam o terror dessa história.


O ritmo inicial é lento. Fato. Inevitável que seja. Você precisa entrar na história como o roteirista pensou nela. Conhecendo as famílias e entendendo como funciona a logística social dessas pessoas envolvidas. Como disse lá em cima, são muitas pessoas e diversas ligações necessárias de serem compreendidas com calma. Então tenham um pouco de paciência. É confuso, mas plausível.

Passou da primeira metade, você vai devorar o restante por pura curiosidade, e até por um pouco de asco com alguns personagens que lá no início você até gostava e que demora a acreditar que eles possam vir a fazer alguma coisa ruim. Acredite quando digo que não dá para sentir 100% nada aqui sem ter certeza de que não vai quebrar a cara lá na frente. Apesar de ter ficado horrorizada com uma ou duas atitudes, eu vi segurança nelas, saca? Tipo, um ser humano normal cometeria certos crimes pensando em um "bem maior" ou um "bem pessoal". É realista, e dou meus vários pontos por isso.


Não é spoiler que Dark vai trabalhar com passagens de tempo ficcionais. Tá logo ali em cima, no cartaz promocional da série. Mas não vou me atentar a isso porque acho que a máxima dessa série é você ir assistindo e pensando realmente como diabos aquilo seria possível e como afetaria outros momentos da linha de trama desses personagens. É a história da Teoria da Relatividade em relação ao destino. Que de alguma forma ele está escrito. Claro que aqui temos a dose máxima de ficção científica, mas uma dose banhada no que penso ser um realismo convincente nesse sentido.

Todo o clima de Dark, sejam as cores escuras em paisagens neutras do interior da Alemanha, ou roupas sem cores vibrantes, ou ainda os personagens quase tão dark quanto o nome da série, levam o expectador a sentir o peso dessa produção de maneira quase sufocante. É uma delícia o modo inteligente com qual criaram isso aqui. Da complexidade dos personagens e suas histórias individuais, ao que eles representam num todo. Porque de uma coisa eu tenho certeza, nada nem ninguém aqui foi jogado ao acaso. Então mesmo que você sinta que esqueceram personagem X ou Y, acredite que lá na frente eles farão uso dessa galera de maneira brilhante.

Se me perguntarem se eu gostei de Dark vou certamente demorar um pouco para responder. Não porque desgostei, mas porque acredito que seja o tipo de série a ser vista sozinho e com atenção, uma coisa que não consegui por causa das crianças, e isso prejudicou o meu entendimento do que acho que o roteirista queria me passar. Os embates filosóficos e científicos são grandes e importantes, e vez ou outra perdia um deles e precisava voltar. Por isso terminei de ver Dark em extrema confusão mental, até porque o final não é realmente fechado. Diversos pontos em aberto e necessários para compreender no que tudo vai findar, e isso é de explodir a cabeça.

Eu gostei da estética, eu amei os personagens e tenho um amor incondicional a "ideia" de Dark. Vou precisar rever com certeza, mas se em um primeiro momento ela me passou uma segurança de trama tão boa, penso que daí para frente a tendência é melhorar. Minha explicação é confusa? Pois veja só, espere ver a série toda para entender o que é confusão.

De qualquer forma, desejo viel glück (boa sorte) para vocês. E venham me procurar depois para contar o que acharam.