Maratona Literária de Inverno


Oi, gente!
Ainda sem computador, mas nunca esquecendo vocês. 
Resolvi participar da Maratona de Inverno organizada pelo canal Geek Freak. Sou uma merda com maratonas, mas estou firme de que vou conseguir dar conta dessa. 
Desejem-me sorte. 

Deem uma olhada no vídeo para conferir as escolhas que fiz para cada semana temática, e para os desafios. 




[Filme] Divertida Mente





Sinopse: Riley é uma garota divertida de 11 anos de idade, que deve enfrentar mudanças importantes em sua vida quando seus pais decidem deixar a sua cidade natal, no estado de Minnesota, para viver em San Francisco. Dentro do cérebro de Riley, convivem várias emoções diferentes, como a Alegria, o Medo, a Raiva, o Nojinho e a Tristeza. A líder deles é Alegria, que se esforça bastante para fazer com que a vida de Riley seja sempre feliz. Entretanto, uma confusão na sala de controle faz com que ela e Tristeza sejam expelidas para fora do local. Agora, elas precisam percorrer as várias ilhas existentes nos pensamentos de Riley para que possam retornar à sala de controle - e, enquanto isto não acontece, a vida da garota muda radicalmente.

Foi-se o tempo de achar que filmes de crianças eram essencialmente para crianças. Na verdade eu sou da teoria de que histórias infantis sempre serviram para deixar uma lição de vida nos pequenos, mas foram escritas e pensadas por adultos, usando suas próprias ideias de medo e diversão para serem compostas. Então no fundo tais contos são perfeitos para qualquer idade. Filmes infantis podem até ser para crianças, mas servem perfeitamente para o resto de nós. 

Divertida Mente foi um desses casos que comecei a ver sem dar nada pelo filme, e acabei pensando algo do tipo "poxa, que ideia do caramba!". A animação é extremamente bem pensada e tem um dos melhores roteiros para filmes infantis que já vi nos meus 29 anos. Fico pensando em como hoje em dia existe uma intertextualidade profunda por trás de personagens singelos e situações até bobas, como é o caso das daqui. 

A história é básica e não tenho muito o que discorrer sobre ela sem que tire o encanto para quem vai assistir. Mas começamos vendo um bebê recém nascido no colo dos pais, e na cabeça desse bebê o surgimento dos primeiro sentimento: Alegria, representada por uma personagem animada e reluzente que sempre descobre uma forma de fazer com que as coisas fiquem bem. Depois vamos acompanhar o crescimento da Riley, e o acréscimo de outros sentimentos inerentes a personalidade humana: Nojo, Medo, Raiva e Tristeza. Os cinco sentimentos formam uma espécie de organização quase política no cérebro da garota. 

Entender todas as conexões é que complica, e talvez eu não vá conseguir explicar com segurança de que vocês irão entender, mas é como se cada grande evento da vida da Riley criasse uma ilha de memórias "persistentes", do tipo que seu cérebro sempre recorre quando ela precisa acessar um determinado sentimento. Também trabalham com umas bolas, que acumulam os sentimentos da garota durante o dia. Cada pico sentimental gera uma bola, que vira um arquivo dentro da cabeça dela. As importantes são arquivadas em enormes estantes, e as que não são acabam no lixo da consciência, uma espécie de buraco profundo e escuro. 

Como disse, é uma repartição pública comandada por sentimentos dentro do cérebro de cada um. Da mesma forma que Riley tem, vemos que os pais dela também tem. Uma coisa legal a se observar aqui, é que os roteiristas colocam o comando geral do cérebro da mãe com a tristeza, e o do pai com a raiva. Como se fosse comum os adultos terem essa linha, dependendo do sexo de nascimento e das condições nas quais cresceram. Riley é comandada pela alegria, o que é comum nas crianças. E no fim do longa, acompanhamos como seriam as cabeças de diversos tipo de pessoas, e até de animais. 

Quando as coisas saem da sala de comando e vão para os outros pontos da cabeça da Riley, é que o negócio fica maluco e extremamente bom. Passeamos pelas memórias esquecidas, conhecemos amigos imaginários, memórias que sempre retornam do nada a nossa cabeça - como aquelas propagandas com músicas irritantes-, a terra da imaginação, e mais um monte de lugares que sabemos que existem em nossas cabeças, mas que os roteiristas tratam como se fossem reais e organizadas. O abstrato da história tem forma, e enche a nossa cabeça de ideias que talvez antes nem tivéssemos pensado antes. Mas devo admitir que o melhor é o subconsciente. Gente, depois dessa parte do filme eu pirei! Eita negócio bem pensado! 

Não duvido que Divertida Mente entre na lista do próximo Oscar. O roteiro é de fazer babar, e cada personagem tem uma importância crucial na história além de nos fazer rir. As situações entram tanto na cabeça da gente, que nos pegamos pensando se de fato nosso cérebro é uma repartição, e que sentimento o comandaria. Tenho quase certeza de que no meu caso seria a tristeza. O meu filho disse que o dele é a raiva, e agora culpa um ser imaginário cada vez que briga comigo. Eu mereço! 

O nome do filme traduzido ficou bem legal. Atinge o público que precisa atingir, apesar do nome em inglês fazer todo o sentido do mundo. Mas de fato não ficaria um bom nome de desenho para crianças. 

A repercussão do filme anda fraca, e não sei o motivo disso. Não me lembro da última vez que vi um desenho com uma ideia tão perfeita como esse. Pensando bem, acho que igual a esse jamais vi. Não sou especialista em desenhos, mas sei que a grande maioria levanta a emoção das pessoas como artifício de conquista. No caso desse filme o que comanda é a lógica, mesmo que tenha emoções malucas dentro da gente ao assistir. Eu chorei, não vou mentir. 

O filme é bem construído em todo o seu simbolismo. Trata o "vilão" como uma coisa que as vezes é inútil querer se livrar, já que nesse caso o vilão seria a tristeza. Como o próprio longa retrata, as vezes é importante chorar. A alegria vem normalmente da tristeza, e os grandes momentos da vida de Riley vieram após lágrimas,  O tipo de filme que deixa uma mensagem além da lição de vida lógica. Uma maravilha da animação que trata a depressão de uma forma subjetiva que crianças jamais entenderão, mas que tocará bastante os adultos. Putz, nem tenho mais como elogiar esse filme sem parecer piegas. Enfim, assistam, assistam, assistam!

Lançamentos Junho da Novo Conceito

Postagem atrasada essa, heim!
Mas antes tarde do nunca. Vamos conferir o que Novo Conceito trouxe em Junho?

Título: Eu te darei o sol
Autor: Jandy Nelson
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Comprar: Livraria Saraiva

Sinopse: Noah e Jude competem pela afeição dos pais, pela atenção do garoto que acabou de se mudar para o bairro e por uma vaga na melhor escola de arte da Califórnia.Mal-entendidos, ciúmes e uma perda trágica os separaram definitivamente. Trilhando caminhos distintos e vivendo no mesmo espaço, ambos lutam contra dilemas que não têm coragem de revelar a ninguém.
Contado em perspectivas e tempos diferentes, EU TE DAREI O SOL é o livro mais desconcertante de Jandy Nelson. As pessoas mais próximas de nós são as que mais têm o poder de nos machucar.


Título: Tocando as estrelas
Autor: Rebecca Serle
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Sinopse: Tocando as estrelas - Quando Paige Townsen deixa de ser uma simples aluna do ensino médio para se tornar uma celebridade, sua vida muda do dia para a noite. Em menos de um mês, ela troca as ruas da sua cidade natal por um set de filmagem no Havaí e agora está conhecendo melhor um dos homens mais sexies do planeta segundo a revista People. Tudo estaria perfeito se o problemático astro Jordan Wilder não fincasse o pé em uma das pontas desse triângulo cinematográfico. E Paige começa a acreditar que a vida, pelo menos para ela, imita a arte.





Título: O Álbum
Autor: Timothy Lewis
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Sinopse: O Álbum - Para Adam, negociante de objetos usados, a casa de Gabe Alexander é apenas uma propriedade que será esvaziada e vendida pelo maior lance. Entretanto, em meio às prateleiras repletas de relíquias, um álbum antigo atrai sua atenção. Nele há cartões-postais amarelados pelo tempo, escritos ao longo de 60 anos. Intrigado, Adam começa a lê-los: eles estão cheios de frases românticas e delicadas, as provas do amor incondicional entre Gabe e Pearl Alexander.Gabe cuidava para que um cartão chegasse às mãos de Pearl todas as sextas-feiras. Cada um deles possui não apenas um poema, mas verdades preciosas sobre o cotidiano de um casal que viveu um sonho. A soma de todas essas verdades talvez responda perguntas que Adam se faz há muito tempo.

Resenha de "O Sonho dos Heróis" (Adolf Bioy Casares)

Título: O Sonho dos Heróis
Autor: Adolf Bioy Casares
Editora: Cosac Naify
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Sinopse:'O sonho dos heróis', de Adolfo Bioy Casares, publicado originalmente em 1954, narra a trajetória de Emilio Gauna, um jovem empregado de uma oficina mecânica, durante o insólito Carnaval de 1927, em Buenos Aires. Com o dinheiro ganho nos cavalos, Gauna resolve pagar as três noites defesta para seus amigos do bar. Na terceira noite, algo inusitado e revelado de seu destino lhe acontece - mas ele não consegue se lembrar o que foi. Três anos depois, no Carnaval de 1930, com uma nova aposta ganha, ele repete os mesmo passos daquela noite, com as mesmas pessoas. A trama onírica, com uma estrutura circular, gira ao redor da estranha amnésia de seu protagonista. Em suas lembranças esquivas acontecem brigas de faca, festas terríveis, manifestações mágicas, histórias de amor e até uma fenda no espaço-tempo, entre outros eventos.

É incrível o quanto a literatura latina mexa com meus instintos. Chega a ser uma coisa visceral. É poética ao mesmo tempo em que é crua; é bela ao mesmo que é feia. Existe essa áurea de encantamento nesse tipo de livro que me impede de parar a leitura, por mais difícil que ela esteja. Foi o caso de O Sonho dos Heróis. 

Comprei esse livro bem recentemente e sabia que ainda não estava no clima para ler algo pesado, como sabia que seria. Acontece que depois de colocar todas as minhas pendências da estante numa lata, e tirar o mesmo nome de livro cinco vezes seguidas, reconheci que não era eu quem estava escolhendo um livro. Ele quem me escolhia. 

A sinopse dele é uma delicinha para os leitores! Não sou apaixonada por carnaval da forma banal como é no meu estado hoje em dia, mas acho majestosa a magia que existia nos festejos dessa época onde se passa a história, 1927. 

Emilio Gauna é nosso protagonista, que recebe uma bolada de apostas que fez em cavalos. Não sabendo o que fazer com a grana, ele chama o grupo de amigos para comemorar os três dias de carnaval por conta dele. Essa diversão dos rapazes é um momento confuso da narrativa, mas é altamente proposital. O autor vai nos deixando bêbados à medida que faz o mesmo com Gauna e seu grupo. A intenção é que não nos liguemos nos detalhes borrados desses três dias. Principalmente do último dia. 

Quando Emilio acorda da boemia carnavalesca, não consegue se lembrar com precisão o que aconteceu. Uns trechos aqui, outros ali, mas nada que possa fazer uma imagem completa de tudo o que eles fizeram nos três dias. O mistério é que quando o protagonista tenta descobrir o que aconteceu, nada se revela. Os amigos são evasivos e o barbeiro, que os acompanhou e parecia ser o mais justo deles, sumiu no mundo na manhã seguinte. 

Gauna continua a viver sua vida. Se apaixona por Clara e vive anos de uma paz forçada depois disso. Precisamente três anos. É um momento da narrativa que conhecemos melhor o personagem. Que brincamos entre o ódio e a afeição por ele. Que vemos como é difícil escrever personagens tão humanamente possíveis, e o quanto Casares é fantástico nisso. Ninguém é legal em tempo integral, como tampouco é vilão. Gauna carrega essa dualidade de vida quando se apresenta para nós. 

Contudo aqueles três dias do carnaval de 1927 ainda o perseguiam. Ou melhor, a curiosidade pela falta de informações sobre o que aconteceu. Então o destino lhe dá uma segunda chance, quando o faz ganhar novamente com os cavalos, próximo ao carnaval de 1930. 

Querendo reviver o acontecido para refrescar sua memória, Gauna volta a convidar os mesmos amigos para percorrerem o mesmo itinerário. O que surpreende Gauna é que ele começa a ver coisas nos amigos que jamais tinha visto, e passa a se questionar sobre como momentos nunca podem ser repetidos da mesma forma. Daí entra uma coisa de destino que muito me agradou quando chegou ao fim. 

Apesar de ser um livro com um pé grande na realidade, pelos fatos históricos, lugares reais e personagens altamente humanos, O Sonho dos Heróis tem um fundo muito grande no realismo fantástico, o que você só percebe quando chega ao fim. É como se fosse um livro de fantasia disfarçado de realidade. Ao ponto de não sabermos, num primeiro momento, se aquilo tudo foi um sonho ou uma puta de realidade maluca. Pessoalmente achei tão genial que precisei voltar a ler alguns trechos, para entender o que se passou no fim. Acontece que não esperava por aquele desfecho, que é absurdamente fantástico! 

Como disse, Casares é mestre em destrinchar situações típicas com um dedo atípico. Em tratar emoções com dualidade da mesma forma como trata das pessoas. Cheguei a me sentir confusa sobre o que Gauna pensava acerca de Larsen ou Clara, porque ora ele pendia a querer agradar um, e hora queria agradar outro. E era capaz de pensar odiar alguém que amava só para dar oportunidade de amar mais quem estivesse com ele no momento. 

O livro é incrível! Meio difícil de ler para quem não está acostumado com a escrita de Casares, como é o meu caso. Demorei muito no meio dele, mas a curiosidade pela revelação dos acontecimentos daquele carnaval foi maior do que eu. E quando o livro acaba você pensa... " A curiosidade é capaz de te queimar". Fui movida pelo mesmo sentimento que Gauna por aquele segundo carnaval, e me senti, ao fim, igualmente cumprindo uma missão e chateada por ser tão curiosa. Dá para entender? Casares é desses que nos deixam confusos e extasiados. 

Livro predileto para a vida!

Resenha de "O Príncipe dos Canalhas" (Loreta Chase)

Título: O Príncipe dos Canalhas
Autor: Loretta Chase
Editora: Arqueiro (Cedido em parceria)
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Sinopse: Sebastian Ballister é o grande e perigoso marquês de Dain, conhecido como lorde Belzebu: um homem com quem nenhuma dama respeitável deseja qualquer tipo de compromisso. Rejeitado pelo pai e humilhado pelos colegas de escola, ele nunca fez sucesso com as mulheres. E, a bem da verdade, está determinado a continuar desfrutando de sua vida depravada e pecadora, livre dos olhares traiçoeiros da conservadora sociedade parisiense. Até que um dia ele conhece Jessica Trent...Acostumado à repulsa das pessoas, Dain fica confuso ao deparar com aquela mulher tão independente e segura de si. Recém-chegada a Paris, sua única intenção é resgatar o irmão Bertie da má influência do arrogante lorde Belzebu.
Liberal para sua época, Jessica não se deixa abater por escândalos e pelos tabus impostos pela sociedade – muito menos pela ameaça do diabo em pessoa. O que nenhum dos dois poderia imaginar é que esse encontro seria capaz de despertar em Dain sentimentos há muito esquecidos. Tampouco que a inteligência e a virilidade dele pudessem desviar Jessica de seu caminho.
Agora, com ambas as reputações na boca dos fofoqueiros e nas mãos dos apostadores, os dois começam um jogo de gato e rato recheado de intrigas, equívocos, armadilhas, paixões e desejos ardentes.

Vou confessar para vocês que na época em que li O Príncipe dos Canalhas eu já estava fatigada de romances de época. Não aproveitei o que poderia ter aproveitado desse livro, e ainda assim, dentro do gênero dele, eu consegui enquadrá-lo como um romance cinco estrelas, e provavelmente devo culpar o personagem masculino pouco comum que a autora criou para essa história. 

Claro que Sebastian é rico, como a grande maioria deles, mas possui uma aparência um tanto quanto peculiar; por isso recebendo o apelido de Belzebu. Começamos conhecendo sua história na infância, quando ele foi rejeitado pelo pai e pelos amigos do colégio interno onde foi estudar. Dali entendemos o motivo da personalidade do cara e do alto grau de mágoa que o rodeia. 

Do outro lado temos Jéssica, a irmã preocupada e de língua afiada de Bertie, um homem que se enfeitiçou pelo estilo de vida de Sebastian e de seus amigos e que passa a gastar um dinheiro que não tem, e perder um tempo valioso de sua vida para seguir o grupo devasso. É por conta da Bertie que Jéssica acaba conhecendo Sebastian, e promete para si mesma que irá colocar juízo na cabeça do irmão e deixá-lo longe da influência libidinosa do marquês de Dain. 

Primeiro, gosto mesmo quando um autor ousa em montar um personagem que foge um pouco do esteriótipo dos mocinhos dessa espécie de livro. Segundo, o fato dela ter citado o passado do personagem nos faz entender, e até aceitar, suas atitudes egoístas e frias. Terceiro, Jéssica é uma das melhores personagens femininas de todos os tempos. Combina perfeitamente com o temível marquês. 

O livro é rápido e tem as melhores brigas entre casais que já acompanhei nesse tipo de  história. Um quer sempre estar na frente do outro quanto a inteligência, e trazem as ideias mais absurdas para chamar atenção e criar planos estratégicos para ficarem longe - e perto - um do outro. São de fato ótimos juntos. 

Perto do fim a autora insere umas coisas interessantes sobre Sebastian e o passado. Perdi um pouco o gás nesse momento do livro porque perde-se um pouco da Jéssica atrevida. Em compensação ganha-se muito de um Sebastian incrível e humano. 

Apesar de ter um roteiro bem parecido com os demais livros de romance de época, o Príncipe dos Canalhas tem detalhes diferentes em sua trama e desenvolvimento de personagens, e Loretta ganhou meu coração com isso. 

Resenha de "Iscas" (J. Kent Messum)

Título: Iscas
Autor: J. Kent Messum
Editora: Record
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Sinopse: Seis estranhos acordam em uma ilha deserta sem qualquer lembrança de como chegaram ali, mas logo se torna evidente o que todos têm em comum: são dependentes de heroína. Sequestrados e colocados à força em um jogo mortal.
Em pouco minutos, começam a discutir, porém os ânimos se acalmam quando eles encontram um baú com água, comida e uma carta informando que ninguém irá socorrê-los e que, do outro lado do canal, há uma segunda ilha, onde eles encontrarão mais suprimentos e uma recompensa para quem completar a tarefa: uma dose da mais pura heroína.
Quando os primeiros sintomas da abstinência aparecem, eles não veem alternativa a não ser se entregar à pressão psicológica imposta pelos misteriosos torturadores. Então se aventuram em um oceano de terror.

Iscas me pareceu num primeiro momento o tipo de livro que eu iria adorar. Tinha uma pegada meio Jogos Vorazes, meio Corrida Mortal, e todas essas histórias que a sobrevivência é a lei mais forte. Terminei o livro pensando que o autor foi infeliz na quantidade de páginas que desenvolveu sua história. Ou seja, ele tinha tudo nas mãos para ter feito um livro espetacular, mas se perdeu na pressa de acabar. 

Seis pessoas acordam em uma ilha isolada, com nada mais do que um baú com comida para um dia e uma carta avisando que na ilha seguinte, vista a olho nu, eles teriam mais dos mantimentos e um item extra: Doses de Heroína para todos eles. E se vocês pensam que o estímulo deles em sair da ilha é a comida, estão redondamente enganados. É a droga, ou como eles chama: H. 

O livro é narrado em terceira pessoa e mescla o passado e o presente dos personagens. Momentos antes de acordarem na ilha, a vida que levavam do lado de fora, e o comportamento maluco da abstinência da droga. A convivência de seis drogados no meio do nada, e tendo como única opção para ficarem bem, atravessar um mar que tem muitos "dentes perigosos". 

Viram só como autor tinha um material excelente em mãos? Pois é, e ele começou trabalhando muito bem isso. Apresentou todos os seis fora da ilha, o que faziam para conseguir as drogas, como viviam e quais as características marcantes de suas personalidades. Ao mesmo tempo que apresentava tudo dentro da ilha. O acordar com pessoas estranhas e estarem desesperados por um Pico de Heroína. Sendo capazes de tudo por um pouco da droga. 

Todos os seis são muito bem construídos, ao ponto de não sabermos quem o autor escolherá para morrer primeiro e não ter torcida formada para isso. Eles não tem muita escolha em relação ao que fazer, e até nós, que não somos viciados em heroína, conseguimos entender a ligação que eles tem com as drogas. A força com a qual ela tomou a vida de todos, e do quanto precisam dela para sobreviver. Nunca presenciei uma crise de abstinência, mas o autor é muito bom escrevendo, e conseguiu me fazer sentir cada tontura, enjoo e loucura que a falta das drogas causa. 

Moro com uma mãe que ama cigarros e álcool, mas nunca me senti tentada a nenhuma das duas coisas. Não me considero uma pessoa de vícios destrutivos. A única coisa da qual não me livro são os livros, mas isso em momento nenhum me deixa isolada do mundo o suficiente para me considerar doente e necessitada de ajuda. Contudo a forma com a qual o autor narrou essa dependência me deixou totalmente anestesiada com o livro. Era quase palpável, gente. Realmente a escrita dele é incrível. 

Para mim o cara só pecou quando começou a fazer os seis se movimentarem para sair da ilha em busca de drogas. Mesmo sabendo que a cabeça deles estava ferrada o suficiente para não conseguir pensar em outras alternativas além de se drogar, acredito que o instinto de sobreviver é superior, e eles não tinham isso o suficiente, ao meu ver. Fiquei esperando eles reagirem para algo decente, e isso nunca aconteceu. 

Foi então que o autor nos apresentou os bandidos, vilões, que na verdade estão muito mais para mocinhos do que os nossos seis drogados. Consegui ver certa lógica na ação dos caras, e percebi que a maioria das pessoas que perderam pessoas para as drogas poderiam ter atitudes parecidas. Eu realmente vi uma teoria interessante e bem trabalhada neles, que para mim só ferrou no final, quando Messum insere um quase monólogo do vilão para um dos drogados. Aquilo me deixou irritada e cansada. Como também me deixou extremamente irritada um momento antes disso. Pouco antes do fim. 

Acredito que o autor pesquisou loucamente para escrever esse livro. Tanto com médicos, com guerrilheiros do exército e com os próprios drogados. Ele teve facilidade de transmitir as sensações de todos os lados, e criou uma situação muito insana para inserir seis pessoas movidas pela insanidade. A ideia é fabuloso e ficou bem trabalhado, só acho que ele poderia ter demorado mais escrevendo. Tinha material para aprofundar todos os relacionamentos na ilha, e se perdeu na pressa de acabar. É tanto que não senti uma única morte como deveria enquanto leitora, e isso me deixou mal. 

Um livro que começou muito bem escrito, mas que se perdeu na rapidez para terminar. Não gostei das finalizações que ele deu, apesar de entender a lógica. Acho que minha revolta foi porque eu quis mais. Porque tinha tudo para fazer mais e ele optou pela velocidade. 

Enfim, eu recomendo bastante a leitura, mesmo não tendo amado. A escrita de Messum é maravilhosa e ele conseguiu criar algo muito ideológico e interessante nesse livro. Se vocês curtiram filmes como Corrida Mortal, Jogos Mortais e Jogos Vorazes, acredito que vão gostar da ideia do autor aqui também. 

[Lançamentos] Editoras Única e Gente

Vamos conferir quais são os lançamentos das Editoras Gente e Única  nesse mês?

Acesse as redes sociais da Editora Única:



Título: O Beijo de Chocolate
Autor: : Laura Florand
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Sinopse: Sinopse: Quem nunca sentiu algo tão forte que pensou que só poderia estar enfeitiçado?
Na pequena Île Saint-Louis, no coração da romântica Paris, esconde-se uma casa de chá especial e mágica: La Maison des Sorcières. As tias Aja e Geneviève confiaram em sua jovem sobrinha Magalie para ajudá-las na empreitada de encantar os clientes comDOCES e bebidas que são literalmente feitiços – em especial, o inexplicável chocolate quente de Magalie.
A vida seguia tranquila até que o badalado pâtissier Philippe Lyonnais resolve abrir uma filial de sua loja a poucos metros dali. É então que começa uma batalha mais do que apimentada entre os dois doceiros: Magalie tenta punir (e instigar) Philippe com suas xícaras de chocolate quente, e ele a enlouquece com tentações inéditas e cheias de sabor.
Magalie, porém, nunca esteve pronta para sentir algo tão forte e, depois de tanto tempo isolada, ao conhecer Philippe vê que não pode mais fugir de quem é e dos seus desejos. Contudo, ele significa o risco de perder tanta coisa... Tudo aquilo que vale mais que um simples – ainda que absolutamente tentador – macaron.
Entre a teimosia e o desejo, oDOCE e o amargo, descubra as emoções que só a paixão com uma boa dose de cacau e magia pode despertar.


Título: Jackaby
Autor: William Ritter
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Comprar: Livraria Saraiva

Sinopse: “Eu sou um homem de razão e da ciência. Acredito no que vejo e posso provar, e o que vejo geralmente é difícil para os outros compreenderem. Até onde eu descobri, tenho um dom ímpar. Isso me permite ver a verdade quando os outros só enxergam ilusão. E há muitas ilusões, muitas máscaras e fachadas. Como dizem, o mundo todo é um palco e parece que eu tenho a única poltrona da casa, com vista para os bastidores.”
Abigail Rook deixou sua família na Inglaterra para encontrar uma vida mais empolgante além dos limites de seu lar. Entre caminhos e descaminhos, no gelado janeiro de 1892 ela desembarca na cidade de New Fiddleham. Tudo o que precisa é de um emprego de verdade, então, sua busca a leva diretamente para Jackaby, o estranho detetive que afirma ser capaz de identificar o sobrenatural.
Contratada como assistente, em seu primeiro dia de trabalho Abigail se vê no meio de um caso emocionante: um serial killer está à solta na cidade. A polícia está convencida de que se trata de um vilão comum, contudo, para Jackaby, o assassino com certeza não é uma criatura humana.
Será que Abigail conseguirá acompanhar os passos desse homem tão excêntrico? Ela finalmente encontrou a aventura com a qual tanto sonhara.
Prepare-se para desvendar este mistério! 

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Título: 20 e poucos anos
Autora: Linda Papadopoulos
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Comprar: Livraria Saraiva

Sinopse: 20 e poucos anos – É hora de ter a vida que você merece!
Os 20 e poucos anos são o melhor momento da vida de toda mulher – ou deveriam ser. O problema é que somos bombardeadas por tantas questões que fica difícil encontrar nossa própria rota. É como se lutássemos sozinhas contra a corrente, em busca de um ponto de equilíbrio, de felicidade, agarrando as oportunidades e tentando não surtar com toda a pressão que temos de enfrentar.
A doutora Linda Papadopoulos sabe exatamente como é difícil passar por tudo isso, essa corrida pela “vida perfeita”. Ela, com toda a sua experiência, compartilha neste livro um guia prático para que você: livre-se das inseguranças; enfrente os desafios da sua carreira; construa relacionamentos positivos; pare de se perguntar se está tomando as decisões certas.
Se você se sente perdida, se sua vida parece comandada por outra pessoa, é chegada a hora de romper esse processo e assumir de uma vez por todas o controle. Descubra um novo caminho para si e encontre, enfim, a felicidade – e tranquilidade – que tanto procura.



Título: Meu refúgio Perfeito
Autor: Adriana Marto 
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Comprar: Livraria Saraiva

Sinopse: Quantas vezes você não desejou poder fugir de todo o caos que está a seu redor? Desligar-se e ter um momento só seu, no qual teria toda a liberdade para desenhar os sonhos, os desejos e as ideias guardados há tempos dentro de você? Algo assim só seria possível num lugar mágico, como este livro em suas mãos.
Com ilustrações belíssimas de Adriana Marto e frases dos maiores pensadores e filósofos da história, nestas páginas você encontra mais do que um refúgio: descobre um novo jeito de enxergar a vida, dando-lhe mais cor e encontrando frases e inspirações que podem mudar a sua vida.
Dê cor às belezas que estão a seu redor e que muitas vezes passam despercebidas. Tenha momentos únicos dedicados exclusivamente a criar algo próprio. Mergulhe na melhor terapia antiestresse que você poderia encontrar. Carregue este pequeno paraíso aonde quer que vá.
Descubra a inspiração que falta à sua rotina nas páginas desta edição!



Título: O Plano de Deus
Autor: Padre Fernando Tadeu
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Sinopse: Experimente o verdadeiro amor em sua vida e seja curado. Este é um chamado para a transformação que você sempre quis!
O ritmo de nossa vida faz com que percamos o rumo. Abandonamos nossos sonhos, esquecemos quem realmente somos e, principalmente, não entendemos por que Deus permite que tantas aflições e angústias tornem nossa existência um verdadeiro sofrimento. Quando isso vai parar? Quando teremos nosso coração curado?
O cansaço nos abate e precisamos voltar para Aquele que é Maior. Aquele que é capaz de transformar tudo à nossa volta, capaz de nos tornar homens e mulheres novos, alicerçados na certeza da fé. Este não é apenas um livro, mas uma jornada para atravessar o deserto, reconstruir a si mesmo e ter um encontro real com Deus, aceitando que Ele cure todas as suas feridas e restaure a sua vida.
O padre Fernando Tadeu, apresentador da Rede Vida de Televisão, o convida a escutar a mensagem que o Senhor traz especificamente a você.
Permita que as histórias da Bíblia ajam sobre sua vida. Restaure a esperança. Presenteie-se com uma realidade nova. Transforme a oração em um processo de cura.
Está na hora de permitir que o Senhor faça a mudança que precisa ser feita. A cura interior é um presente para quem aceita os planos de Deus.


Título: O Poder da Ação
Autor: Paulo Vieira
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Comprar: Livraria Saraiva

Sinopse: Acorde para os objetivos que quer conquistar.
Já aconteceu a você de se olhar no espelho e não gostar daqueles quilos a mais? De observar seu momento profissional somente com frustração? De se sentir desconectado dos seus familiares, dos seus amigos? Se você acha que essas são situações normais, pense de novo! Só porque isso acontece com várias pessoas não quer dizer que a vida deva ser assim. Só porque algo se torna comum, não significa que seja normal!
Neste livro, Paulo Vieira lhe convida a quebrar o ciclo vicioso e iniciar um caminho de realização. Para isso, ele apresenta o método responsável por impactar 250 mil pessoas ao longo de sua carreira - e que pode ser a chave para o que você tanto procura. No decorrer destas páginas, o autor lhe entrega uma bússola. E para conseguir se guiar por ela você terá de assumir um compromisso com a mudança. Preparado?
Aproveite todas as provocações e os desafios propostos nesta obra para conseguir, de fato, fazer o check-up completo sobre si mesmo. Acorde, creia, comunique, tenha foco, AJA! Pare de adiar sua vida e seja quem quer ser a partir de agora.
Não existe outra opção. E está em suas mãos reescrever seu futuro.












Resenha de "Vango - Entre o Céu e a Terra" (Timothée de Fombelle)

Título: Vango - Entre o Céu e a Terra
Autor: Timothée de Fombelle 
Editora: Melhoramentos (Cedido)
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Sinopse: Vango - Entre o Céu e a Terra - Salvar a pele e, ao mesmo tempo, descobrir a própria identidade. Este é o grande desafio de Vango, o jovem herói do novo romance do escritor francês 'Timothée de Fombelle'. Ao ler esse thriller histórico, ambientado no conturbado período entre as duas grandes guerras mundiais, somos impelidos a fugir com Vango pelos cinco continentes, num clima de absoluto perigo e suspense. Este rapaz órfão de 19 anos desconhece sua origem assim como desconhece a motivação do franco atirador que, além da polícia, está em seu encalço. Deparamo-nos com Vango na solenidade em que ele e outros seminaristas seriam ordenados padres na suntuosa catedral de Notre-Dame, em Paris. O assassinato do padre Jean, seu protetor, desencadeia a perseguição ao rapaz, que empreende uma fuga espetacular ao escalar nada menos do que os famosos vitrais da catedral. Essa cena é apenas um exemplo do clima de perseguição e aventura de que é feita toda a narrativa, quando acompanharemos nosso protagonista em situações e lugares improváveis - como um intruso escondido num caça da SS, galopando nas Terras Altas da Escócia, dependurado num vulcão italiano ou sobrevoando o Brasil e vários outros lugares num zepelim. O fracasso em não ter sido ordenado padre deixa nosso herói arrasado, mas a jovem Ethel fica bem feliz. É ela quem vai ajudar Vango a provar sua inocência e descobrir sua identidade. Também fazem parte da saga outros personagens marcados por vidas cheias de segredos, como Mademoiselle, a Senhora Poliglota e sem memória com quem Vango é salvo do naufrágio na costa da Sicília aos três anos de idade e Hugo Eckner, personagem verídico, comandante alemão do Graf Zepelin, esse grande dirigível que fascinou o mundo nas primeiras décadas do século XX. Outras personalidades incorporadas à história são Joseph Stalin, sua filha Svetlana e Adolf Hitler.

Nunca é fácil um livro de ação que envolve tantos personagens me agradar tanto. Não que eu já vá esperando que o livro seja ruim, ou algo assim. Só não espero muito e ponto. É bom quando a gente é pego de surpresa positivamente quando a narrativa lhe traga com velocidade e poder, e foi o que aconteceu no caso de Vango. 

O livro me foi oferecido pela editora, que veio com uma grande campanha de marketing para ele, e julgo dizer que eles acertaram no livro para fazer publicidade. Apesar de ser para um público jovem, Vango é capaz de agradar público de qualquer idade. Não é explicitamente violento nem possui conteúdo sexual, portanto até os mais novos podem ler tranquilos. E os adultos não fiquem tristes pela falta disso. A escrita é tão frenética que não senti falta de cabeças rolando em momento algum.

Procurei ler sem me envolver muito com a sinopse, até porque ela não entrega muita coisa acerca do que vamos encontrar dentro da história. E isso não é ruim, ok! A ideia do autor era justamente deixar o leitor curioso sobre quem era Vango, e ele consegue isso. Na verdade a gente termina o livro sem muita certeza da importância de Vango dentro da trama, mas sabe-se que ela é altíssima. Metade das pessoas no livro o quer preso, a outra metade o quer escondido e a parte que sobra o quer morto. E claro que não temos a mínima de ideia do motivo disso tudo. 

Daí vocês me perguntam como bexiga se envolve com uma história onde o protagonista é misterioso até para ele mesmo? Preciso responder que a magia está na escrita ágil do autor em conjunto com os tantos outros personagens e fatos históricos importantes que ele inclui no livro. Pessoalmente amo autores que são bons historiadores, e no caso de Timothée é uma completa delícia porque ele criou uma ficção em cima de acontecimentos reais do mundo, e com algumas figuras históricas importantes. Em momento nenhum achei que pareceu falso ou forçado. Como disse, ele é tão bom em nos fazer envolver, como em criar um cenário propício a incluir de Hitler a Stalin como coadjuvantes que soam comuns e humanos. 

As mudanças de pontos de vista são normalmente curtos e intrigantes. Ele sempre deixa um gancho interessante entre acompanhar Ethel e em seguida Vango, por exemplo. As coisas parecem meio soltas de início, mas depois elas vão se entrelaçando de maneira inteligente e você se pega pensando... " Mas que filho da p...!". Mesmo me deixando confusa por bons dez capítulos, não consegui largar Vango até chegar na última página, e agora que chegou eu quero a continuação para ontem. 

Como comentei, o protagonista é misterioso. Não se sabe muito do seu passado; não se entende como ele pode ser tão bom em escalar paredes e porque ele vive fugindo de todo mundo. Nem o cara sabe responder isso! De início temos um garoto chegando perto de se ordenar padre, e logo em seguida sendo acusado de um crime que não cometeu. E ainda que Vango seja o protagonista, eu senti durante toda a leitura, que são os pormenores dos outros personagens que  me ajudarão a entender quem é o garoto. 

Tem cenas de ação maravilhosas envolvendo o Zepelin e as fugas loucas de Vango, o que me fez pensar que essa história ficaria muito legal no cinema. E apesar de ter sido escrito por um Francês, eu não senti a frieza que os livros europeus costumam ter. Provavelmente teria sentido se fosse um único ponto de vista, mas, como comentei, os outros formam uma cadeia interessante de intrigas e mistérios em cima de mistérios. 

Estou impressionada comigo por ter gostado tanto de um livro desse tipo. Ele mescla ficção, ação, realidade e um pouco de drama policial. Essa mistura explosiva fez com que Vango me empolgasse magicamente. Então eu indico com vontade para quem curte esse estilo de história. 

E que venha o segundo! 

[TOP 10] Melhores filmes românticos que assisti (Parte 2)


Não sou muito de fazer postagens temáticas aqui para o blog. Se teve uma coisa que aprendi com um grande amigo é que as pessoas supervalorizam algumas datas comemorativas, e dia dos namorados é uma delas para mim. Ok, eu sou uma bruta sem coração!

Mas para vocês não me queimarem viva, resolvi que hoje merecia um levantamento de alguns filmes românticos que eu gosto. Tá, não gosto de datas comemorativas, mas curto filmes bonitos, e adoro fazer listas sobre eles.

Tem dois anos que fiz uma postagem igual a essa, e vocês podem acessar por AQUI. Foi fácil fazer a primeira lista, e um pouco difícil começar a fazer a segunda. Mas depois que os dois primeiros nomes saíram, lembrei do resto facilmente.

Então vamos conhecer minha segunda lista de filmes românticos prediletos.


Amor, sublime amor


No lado oeste de Nova York, à sombra dos arranha-céus, ficam os guetos de imigrantes e classes menos favorecidas. Duas gangues, os Sharks, de porto-riquenhos, e os Jets, de brancos de origem anglo-saxônica, disputam a área, seguindo um código próprio de guerra e honra. Tony (Richard Beymer), antigo líder dos Jets, se apaixona por Maria (Natalie Wood), irmã do líder dos Sharks, e tem seu amor correspondido. A paixão dos dois fere princípios em ambos os lados, acirrando ainda mais a disputa.
 Dica: Nem todo mundo curte musicais, mas para aqueles apaixonados que curtem, eis uma boa pedida. West Side é um dos meus musicais prediletos, e reconta a história de Romeu e Julieta trazendo a tragédia para a realidade das gangues existentes nos Estados Unidos. No caso desse filme, a rivalidade entre os latinos e os caucasianos. É um belíssimo filme!


Cidade dos Anjos

Em Los Angeles, uma dedicada cirurgiã (Meg Ryan) fica arrasada quando perde um paciente durante uma operação, no mesmo instante em que um anjo (Nicolas Cage), que estava na sala de cirurgia, começa a se sentir atraído por ela. Em pouco tempo ele fica apaixonado pela médica e resolve ficar visível para ela, a fim de poder encontrá-la frequentemente, o que acaba provocando entre os dois uma atração cada vez maior, apesar dela ter um sério relacionamento com um colega de profissão. O ser celestial não pode sentir calor, nem o vento no rosto, o gosto de uma fruta ou o toque da sua amada, assim ele cogita em deixar de ser um imortal para poder amar e ser amado intensamente.
Dica: Porque será que toda história de amor tem que ter um fundo trágico para funcionar eternamente na cabeça das pessoas? Não sei, mas é o que existe em toda áurea incrível de Cidade dos Anjos. Aqui o sacrifício vem por conta de um grande amor. A cena final desse filme é linda, e não tem uma única vez que o veja e não chore. 



Moulin Rouge











Christian (Ewan McGregor) é um jovem escritor que possui um dom para a poesia e que enfrenta seu pai para poder se mudar para o bairro boêmio de Montmartre, em Paris. Lá ele recebe o apoio de Henri de Toulouse-Latrec (John Leguizamo), que o ajuda a participar da vida social e cultural do local, que gira em torno do Moulin Rouge, uma boate que possui um mundo próprio de sexo, drogas, adrenalina e Can-Can. Ao visitar o local, Christian logo se apaixona por Satine (Nicole Kidman), a mais bela cortesã de Paris e estrela maior do Moulin Rouge.
Dica: Ok, aqui está escrevendo a maluca dos musicais. Mas, gente, nada é mais incrível do que os musicais que o cinema já criou. E isso porque nunca consegui ir à Brodway! Aqui o caso de amor é entre uma cortesã que quer sair dessa vida e um escritor pobre - e gato! Esse filme é de uma plasticidade perfeita, e tem a melhor mixagem de som que já vi nas telonas. Vale a pena conferir!




E o Vento Levou


Uma reunião social acontece numa grande plantação na Georgia, Tara, cujo dono é Gerald O'Hara (Thomas Mitchell), um imigrante irlandês. Na mansão está Scarlett (Vivien Leigh), sua bela e teimosa filha adolescente. Os gêmeos Tarleton, Brent (Fred Crane) e Stuart, imploram para serem seus acompanhantes num churrasco, que haverá em Twelve Oaks, uma plantação vizinha. Scarlett flerta com eles enquanto tenta obter informações sobre o homem que ama obsessivamente, Ashley (Leslie Howard), o primogênito do patriarca de Twelve Oaks, John Wilkes (Howard C. Hickman). Ela ouve algo que a desagrada muito: Ashley está comprometido, o que depois é confirmado por seu pai. Scarlett acha a vida em Tara monótona, mas seu pai diz que Tara é uma herança inestimável, pois só a terra é um bem que dura para sempre. Ela apenasó pensa em Ashley, assim usa seu mais belo vestido para ir ao churrasco, revelando um inapropriado comportamento para um compromisso diurno, apesar das objeções de Mammy (Hattie McDowell), sua protetora escrava. Em Twelve Oaks Scarlett é o centro das atenções, em razão dos vários pretendentes que pairam sobre ela, mas nenhum deles é Ashley. Mais tarde Scarlett ouve os cavalheiros discutindo acaloradamente sobre a guerra eminente que acontecerá entre o Norte e o Sul, crendo que derrotarão em meses os ianques. Só Rhett Buttler (Clarrk Gable), um aventureiro que tem o hábito de ser franco, não concorda com estas declarações movidas mais pelo orgulho do que pela lógica. Ele diz que não há nenhuma fábrica de canhões no sul e afirma que os ianques estão melhor equipados e têm fábricas, estaleiros, minas de carvão e podem matar os sulistas de fome, pois têm o domínio dos portos, enquanto os sulistas só têm algodão, escravos e arrogância. Um jovem, Charles Hamilton (Rand Brooks), sentindo-se insultado, tenta desafiar Rhett para um duelo, mas ele se esquiva, mesmo sabendo que o derrotaria facilmente, e se retira. Ashley tenta ir ao seu encontro para acompanhá-lo, pois Rhett é um convidado, mas é detido por Scarlett, que quer falar com ele. Os dois vão até a biblioteca e ela fala para Ashley que o ama profundamente. Isto só faz ele lhe dizer que está noivo da prima dela, Melanie Hamilton (Olivia de Havilland). Ashley diz que ama Melanie, entretanto admite que ama Scarlett fraternalmente. Ela fica ainda mais irritada e esbofeteia Ashley, que deixa a biblioteca. Ela então lança um vaso contra a lareira e descobre que atrás de um sofá havia uma outra pessoa, Rhett. Quando Scarlett lhe diz que não é um cavalheiro, Rhett retruca dizendo que ela não é uma dama. Apesar deste confronto, é claro que Rhett ficou atraído pela beleza de Scarlett. Em Twelve Oaks chega um cavaleiro, para dizer que a guerra começou. Os homens exultam e Charles vai dizer a Scarlett que a guerra foi declarada, com todos os homens indo se alistar. Enquanto via Ashley se despedir de Melanie, Scarlett ouve Charles lhe pedir em casamento. Movida pela mágoa, ela aceita e diz que quer casar antes que ele parta. Assim Melanie e Ashley se casam em um dia e no seguinte Scarlett se casa com Charles, apesar de não sentir nenhuma atração ou amor por ele. O que Scarlett desconhecia é que o futuro lhe reservava dias muito mais amargos, pois durante a Guerra Civil Americana várias fortunas e famílias seriam destruídas.
Dica: Quem ainda não conhece esse casal? Pois trate de conhecer porque Scarlet e Rhett são incríveis juntos! Ele é sarcástico ao extremo - um dos bad boys do cinema antigo - e ela é difícil e dramática. A história tem a guerra civil como pano de fundo, e é extremamente tocante não só pelo romance, como por todo o conjunto da obra.




Edward Mãos de Tesoura


Peg Boggs (Dianne Wiest) é uma vendedora da Avon que acidentalmente descobre Edward (Johnny Depp), jovem que mora sozinho em um castelo no topo de uma montanha, criado por um inventor (Vincent Price) que morreu antes de dar mãos ao estranho ser, que possui apenas enormes lâminas no lugar delas. Isto o impede de poder se aproximar dos humanos, a não ser para criar revolucionários cortes de cabelos, mas ele dá vazão à sua solidão interior ao podar a vegetação em forma de figuras ou esculpir lindas imagens no gelo. No entanto, Edward é vítima da sua inocência e, se é amado por uns, é perseguido e usado por outros.
Dica: Burton não criou esse filme para ser essencialmente romântico, mas acabou que seu bizarro Edward, e suas mãos de tesoura se tornaram o referencial poético e gótico de amor em uma geração que estava cansada do cinema "mais do mesmo". Acho essa história linda e sou totalmente suspeita porque não há nada que Johnny faça que eu não ame.




Titanic


Jack Dawson (Leonardo DiCaprio) é um jovem aventureiro que, na mesa de jogo, ganha uma passagem para a primeira viagem do transatlântico Titanic. Trata-se de um luxuoso e imponente navio, anunciado na época como inafundável, que parte para os Estados Unidos. Nele está também Rose DeWitt Bukater (Kate Winslet), a jovem noiva de Caledon Hockley (Billy Zane). Rose está descontente com sua vida, já que sente-se sufocada pelos costumes da elite e não ama Caledon. Entretanto, ela precisa se casar com ele para manter o bom nome da família, que está falida. Um dia, desesperada, Rose ameaça se atirar do Titanic, mas Jack consegue demovê-la da ideia. Pelo ato ele é convidado a jantar na primeira classe, onde começa a se tornar mais próximo de Rose. Logo eles se apaixonam, despertando a fúria de Caledon. A situação fica ainda mais complicada quando o Titanic se choca com um iceberg, provocando algo que ninguém imaginava ser possível: o naufrágio do navio.
Dica: Precisa de explicação? 900 vezes que assisto esse filme e me pego chorando feito louca em todas elas. Foi um marco importante na minha adolescência, e sempre lembrarei de Titanic como um dos filmes mais clichês e românticos que já vi na vida. Amava o Leo de Caprio nessa época!




Patch Adams


Em 1969, após tentar se suicidar, Hunter Adams (Robin Williams) voluntariamente se interna em um sanatório. Ao ajudar outros internos, descobre que deseja ser médico, para poder ajudar as pessoas. Deste modo, sai da instituição e entra na faculdade de medicina. Seus métodos poucos convencionais causam inicialmente espanto, mas aos poucos vai conquistando todos, com exceção do reitor, que quer arrumar um motivo para expulsá-lo, apesar dele ser o primeiro da turma.
Dica: Esse não é um filme romântico, mas acabou ganhando a maioria do público por conta do caso incrível de amor entre os personagens médicos. Passa longe de ser o principal da história, mas é um ponto crucial dela. Resolvi enquadrar nessa lista porque, mesmo que não seja um romance, o romance nele é extremamente bonito. 




Anna Karenina


Século XIX. Anna Karenina (Keira Knightley) é casada com Alexei Karenin (Jude Law), um rico funcionário do governo. Ao viajar para consolar a cunhada, que vive uma crise no casamento devido à infidelidade do marido, ela conhece o conde Vronsky (Aaron Johnson), que passa a cortejá-la. Apesar da atração que sente, Anna o repele e decide voltar para sua cidade. Entretanto, Vronsky a encontra na estação do trem, onde confessa seu amor. Anna resolve se separar de Karenin, só que o marido se recusa a lhe conceder o divórcio e ainda a impede de ver o filho deles.
Dica: Vejo, revejo, vejo novamente e não canso de Anna Karenina. Amo esse casal loucamente! Claro que também tenho uma verdadeira adoração pelo marido da Anna, mas Vronsky tem aquela coisa mágica e encantadora que faz qualquer mulher suspirar. Termino esse filme sempre amando os dois, por motivos diferentes, e tão iguais, no final das contas.




Casablanca


Durante a Segunda Guerra Mundial, muitos fugitivos tentavam escapar dos nazistas por uma rota que passava pela cidade de Casablanca. O exilado americano Rick Blaine (Humphrey Bogart) encontrou refúgio na cidade, dirigindo uma das principais casas noturnas da região. Clandestinamente, tentando despistar o Capitão Renault (Claude Rains), ele ajuda refugiados, possibilitando que eles fujam para os Estados Unidos. Quando um casal pede sua ajuda para deixar o país, ele reencontra uma grande paixão do passado, a bela Ilsa (Ingrid Bergman). Este amor vai encontrar uma nova vida e eles vão lutar para fugir juntos.
Dica: Outra dica de filme antigo que tenho verdadeira adoração, e super indico para você que curte o preto e branco. Acho massa que o filme não tenha cores porque o trabalho do ator é triplicado, e por isso sentimos no coração o romance de Rick e Ilsa. Também com uma pegada de guerra no fundo, vale a pena colocar na lista.




Caminhando nas Nuvens


Depois de 4 anos nos campos de batalha da 2ª Guerra Mundial e ainda relembrando os horrores de guerra, Paul Sutton (Keanu Reeves) ao retornar para casa quer se estabelecer e começar uma fazenda, mas Betty (Debra Messing), sua esposa, com quem impulsivamente se casou três dias após se conhecerem (no dia seguinte ele rumava para o front), quer que ele venda chocolates e até já arrumou um emprego para Paul. Enquanto faz uma viagem de negócios, ele ajuda uma hispano-americana, Victoria Aragón (Aitana Sánchez-Gijón), uma bela mulher que na faculdade se apaixonou por um professor que a engravidou, mas não quis se casar com ela. Ela volta para casa totalmente envergonhada e, temerosa da reação do seu pai, Alberto (Giancarlo Giannini), mas Paul tem uma idéia: ele se fará passar como o marido dela e partirá após um dia ou dois. Assim quando Victoria ficar só com a criança, a desgraça estará nele, não ela. Ela concorda e os dois chegam como marido e mulher no vinhedo Las Nubes, que é de propriedade da família dela. A maioria da família Aragón recebe Paul afetuosamente, especialmente o avô, Don Pedro (Anthony Quinn), o patriarca, mas o pai dela sente que há algo com o jovem casal e trata Paul grosseiramente. Paul e Victoria contornam várias situações e, durante a celebração da colheita, descobrem que estão fortemente apaixonados. Entretanto, algumas barreiras impedem que eles concretizem este amor.
Dica: Vi esse filme pela primeira porque meu ex marido o adorava, e olhe que ele não é chegado a esse tipo de filme. Confesso que meu amor a princípio veio pelo cenário e porque o Reeves está lindíssimo nesse papel. Depois da quinta ou sexta vez que assisti, passei a adorá-lo como um todo, e agora todas as vezes que vejo me emociono. Bem mais leve do que a maioria da lista, Caminhando nas Nuvens é para ver em um bom dia de chuva, comendo pipoca na cama.



Ufa, acabamos!
Agora quero saber de vocês. Quais filmes românticos mais gostam?









Resenha de "A Mão que me acariciou primeiro" (Maggie O'Farrell)

Título: A Mão que me acariciou primeiro
Autor: Maggie O'Farrell
Editora: Bertrand (Cedido em Parceria)
Adicionar: Skoob

Sinopse: A Mão Que Me Acariciou Primeiro - Neste fascinante romance, Maggie O’Farrell nos apresenta a incrível história de duas mulheres separadas no tempo, mas com o mesmo destino marcado pela arte, pela maternidade e por inúmeros segredos. A mão que me acariciou primeiro é uma assombrosa investigação sobre como conduzimos nossas vidas, quem somos de verdade e como podemos estar profundamente conectados pelos mais prosaicos acontecimentos.




O que me chamou atenção nesse livro em primeiro lugar foi o título. Existe um certo fascínio nas palavras arrumadas dessa forma " A Mão que me acariciou primeiro". E em conjunto com o jeito como as mulheres estão mostradas em lados opostos, e tristemente direcionadas uma para a outra, é que o negócio ficou chamativo para minha alma poética e fotográfica. E não tem uma palavra que revele melhor o que significa esse livro para mim do que poesia. 

Temos dois momentos históricos e duas protagonistas fortes e importantes. Uma delas é Alexandra, que mora em uma pequena cidade do interior e odeia aquele mundo quadrado no qual vive. Uma menina nova e altamente visionária que quer da vida muito mais do que cuidar de bichos e bebês em fazendas. A outra é Elina, que acaba de ter um bebê, mas que não lembra como isso aconteceu. Ela teve uma perda de memória de dias, desde que entrou no difícil trabalho de parto, até acordar ao lado do filho, já em casa. 

Ambas mulheres tem suas vidas modificadas por homens e decisões importantes relacionadas a eles. Lexie, nome que Alexandra assume depois que conhece Innes, o dono de uma revista de arte bem mais velho do que ela. E Elina tem Ted, o namorado que trabalha com edição de vídeos e que é altamente amoroso e adepto a ideia de terem um bebê em casa. Meio que Innes seria a tempestade e Ted a calmaria. 

Lexie vemos mudar muito no decorrer da narrativa, já Elina está passando por um processo estranho que beira a depressão pós parto, originada principalmente por quase ter morrido durante o nascimento do filho e não ter a mínima noção de como isso aconteceu. Uma quer conhecer o mundo e a outra quer entender a si mesma. 

O leitor percebe de cara que em algum momento algo irá ligar essas duas mulheres. Sabe-se que são lugares diferentes da linha do tempo porque Lexie vive em uma época bem anterior a de Elina. E isso não é aparente por datas marcadas pela autora, mas pela tecnologia que já existe no tempo de Elina e que não tem no da outra. Sem contar uma questão forte cultural de mulheres tentando a vida sozinhas, sem depender de casamento e homem, que Lexie passa a conviver com dificuldade e uma força pouco convencional de espírito. 

Em resumo, a autora foi fantástica em fazer esse bate e volta do tempo sem parecer forçado e nos deixando totalmente cientes de que não eram mulheres que se encontrariam na esquina de suas casas, por exemplo. Isso deixa um ar de mistério tão grande na leitura, que você acelera o ritmo só para descobrir em que momento e em que situação isso acontece. 

Ambas são incríveis. Contudo Elina está passando por um momento muito depressivo, e eu demorava bastante nos capítulos dela. Era uma introspecção meio enganativa, e não posso explicar mais nada sobre isso sem soltar spoiler. Só entendam que quando o assunto é Elina, a preocupação do leitor se foca em algo que não necessariamente precisa de foco para entender o entrelaçar das histórias. 

Os momentos de Lexie eram mais frenéticos e intrigantes. Tinham acontecimentos ao redor dela, não dentro da personagem, como era o caso de Elina. Eu me apaixonei pela força de Lexie. De início parecia birra de menina nova, mas depois a gente entende que aquilo ali é a personalidade impossível da mulher, e ela acaba tomando o coração do leitor justamente por ser chata e decidida demais. 

Ambas mulheres também estão envoltas com arte, de modo geral. Elina é pintora e Lexie vai trabalhar numa revista de arte, e depois acaba sendo redatora dessa coluna em uma grande rede. Entende de quadros pelo tempo que passa ao lado de Innes, um completo adorador da arte. 

Ainda que os personagens masculinos sejam as veias condutoras dessa história, afinal é através deles que as coisas acontecem, não é um livro sobre eles. É sobre essas duas mulheres que passam por coisas terríveis, mas que são fortes e centradas para conseguir se reerguer e andar novamente. 

Tem momentos de fazer chorar, o que fiz com vontade. As últimas páginas são lindas, e me fez perdoar muitas atitudes imbecis de alguns personagens. Acho que o livro fala muito sobre redenção, também. De uma forma pessoal e geral. 

Um livro denso, poético, carregado de sensibilidade e força feminina. Difícil de ler em algumas passagens, mas completamente enebriante em outras. Desses que a gente leva para a vida, de tão bom que é. 


Leituras de Maio


Vamos dar uma conferida no que li em Maio?
Tem todos os links das resenhas no box de informações do Youtube, caso vocês queiram conferir.


Resenha de "Sobre a Escrita" (Stephen King)

Título: Sobre a Escrita
Autor: Stephen King
Editora: Suma de Letras
Adicionar: Skoob

Sinopse: Sobre a Escrita - O livro é considerado por muitos uma autobiografia do King e os leitores terão a oportunidade de mergulhar um pouco na vida pessoal dele (como, por exemplo, o acidente que quase o matou em 1999) e conhecer também como funciona seu processo de escrita.







Sei que é perigoso criar expectativas em cima de algo, e eu vinha criando em cima desse livro há um bom tempo. Por isso tive medo quando a Suma disse que estaria trazendo para o Brasil, e mais medo ainda quando finalmente o peguei para ler. E que maravilha quando suas expectativas são atendidas em graus extremos! Dizer que eu estou completamente apaixonada por esse livro é pouco.

Minha história com King é curta. Li uns dois livros dele na adolescência, e nem era dos melhores. Passei uma vida evitando o cara por achar que eu teria medo de seus livros, e tudo bem que existe uma certa lógica nessa ideia; afinal, o cara é mestre do horror literário! Contudo desde o início do ano que eu venho dando uma oportunidade para coisas que não costumo ler, e um delas é King. 

Comecei IT, mas a quantidade de livros que PRECISO ler vão sempre passando na frente, e eu vou adiando terminar essa leitura. E então ganhei o Sobre a Escrita de aniversário, e o comi como uma estudiosa da construção da literatura: anotando as informações que achava relevante para mim enquanto escritora, e colocando muitas de suas frases no meu mural motivacional. Sim, eu tenho um mural motivacional. 

Acho que todos vocês já sabem que Sobre a Escrita não é um romance ficcional. É uma mistura de uma biografia simplificada do autor com muitas dicas para escritores de qualquer gênero. Portanto não é o tipo de livro que vá te dar medo, como a maioria dos livros do autor - apesar de que eu tive meus momentos de desespero durante essa leitura. 

O livro é dividido em momentos. Começa contando um pouco sobre a infância do autor, pedaços da adolescência e fase adulta. Lembrando que é uma mini biografia, portanto só temos as partes que ele julgou importante para a construção do King escritor. São passagens engraçadas, tristes e as vezes até pouco críveis, mas que faz todo o sentido se olharmos quem é o cara. 

Disso pula para a fase que ele chama de "Caixa de Ferramentas". Um compilado de dicas de como se organizar para escrever. De como colocar na ordem o que deve ser feito primeiro, e o que pode adiar. Confesso que de início me vi meio perdida nessa parte. Nunca fui muito organizada, apesar de ser uma das poucas escritoras que conheço que tem uma linha do tempo antes mesmo de começar a escrever uma história. 

Daí vamos para um pedaço grande de gramática, e convenhamos que a gramática do inglês não é igual a nossa, e por isso bato palmas para a tradução, que teve que adaptar o que ele queria dizer a nossa realidade. E pode apostar quando digo que todas essas informações foram muito importantes para mim. Hoje me observo muito quanto a quantidade de advérbios que uso em um texto, e a construção das minhas orações e tempos verbais. Pode parecer chato, mas é um deleite para quem curte escrita, e bem necessário para um texto rico. 

Então passamos para a parte das ideias, e de como, do nada, ele tirou as fascinantes ideias para Carrie e muitos dos seus outros volumes. Foi nessa parte que percebi que um autor é acima de tudo, um observador da vida alheia. Não que seja fofoqueiro, mas que presta atenção em conversas e comportamentos muito mais do que algumas pessoas "normais". E não estou me referindo apenas a forma como alguém se veste ou segura um cigarro, mas em decifrar o que aquela pessoa estaria pensando enquanto fumava ou escolhia uma roupa bizarra para sair de casa. 

Não garanto que você terminará Sobre a Escrita com milhões de ideias e com um roteiro pronto de como escrever um livro. Isso não existe, meu camarada! Todo mundo pode escrever algo, mas nem todo mundo nasceu para escrever algo realmente bom. E mesmo com anos de esforço e exercício, se você não tem o dom, é melhor procurar em outro lugar. Pode parecer um desestímulo, não é? Pensei o mesmo quando li King dizendo isso. Mas acho que se fosse um amigo meu preferia que ele dissesse a verdade do que mentir que sou boa em algo que não sou. 

Leitor ou escritor, Sobre a Escrita é uma aula para qualquer um. Não concordo com tudo o que o autor diz aqui, mas de modo geral acho que ele tem tempo suficiente de carreira para deixar dicas e saber que as pessoas vão pegar aquelas que mais se adequarem aos seu perfis. 

Leia Sobre a Escrita, e depois conversamos sobre o gênio King e sua arte de ensinar a escrever arte.